Absolvição marca desfecho de júri popular sobre tiroteio que matou ex-PM em Olímpia
A cidade de Olímpia, no interior paulista, acompanhou o desfecho de um caso que se arrastava desde 2017: dois homens acusados de participar de um tiroteio motivado por uma cobrança de dívida, que culminou na morte de um ex-policial militar, foram absolvidos. O júri popular, realizado nesta quinta-feira (10) no Fórum local, decidiu pela não autoria do crime por parte de Eurípedes Augusto de Melo e Elton Regis Albertino, citando a falta de provas contundentes.
Os réus respondiam por homicídio qualificado contra Leandro Ribas da Silva, que era ex-policial militar, e por tentativa de homicídio contra Márcio Aparecido Macri, um policial aposentado que também foi alvejado no incidente. A decisão do Tribunal do Júri encerra uma etapa significativa do processo, que buscou esclarecer as circunstâncias do confronto armado ocorrido em plena luz do dia.
O magistrado Wellington Urbano Marinho, responsável pela sentença, destacou que a absolvição dos envolvidos foi fundamentada na ausência de elementos probatórios suficientes para atribuir a autoria dos disparos aos acusados. Esta deliberação reflete um princípio fundamental do direito penal brasileiro, o *in dubio pro reo*, onde a dúvida favorece o réu.
O tiroteio fatal e a cobrança de dívida
O incidente que chocou a comunidade de Olímpia ocorreu na manhã de 11 de julho de 2017, na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves. A investigação policial apontou que o catalisador para a troca de tiros foi uma cobrança de dívida vultosa, estimada em aproximadamente R$ 300 mil. Este montante, segundo apuração, era o cerne da discórdia que escalou para a violência.
As imagens de uma câmera de segurança, obtidas e divulgadas pela TV TEM na época, registraram momentos cruciais da movimentação e do início do tiroteio em frente à residência do corretor de imóveis Eurípedes de Melo, conhecido como Euripinho. A gravação se tornou uma das peças-chave no processo investigativo, embora não tenha sido suficiente para provar a autoria.
Entre os envolvidos no confronto estava o ex-policial militar Leandro Ribas da Silva. Ferido gravemente pelos disparos, Leandro não resistiu aos ferimentos e faleceu sete dias após o ocorrido, em 18 de julho de 2017, marcando o desfecho trágico daquele dia. A gravidade dos ferimentos sublinhou a brutalidade do tiroteio.
Márcio Aparecido Macri, o policial aposentado, também foi atingido durante o embate. Ele sofreu ferimentos no tórax, abdômen e rosto, mas conseguiu sobreviver após ser internado na Santa Casa da cidade e, posteriormente, levado a um presídio na capital. A presença de um policial aposentado entre os feridos adicionou uma camada de complexidade ao caso.
O julgamento e a controvérsia das provas
De acordo com os relatos da polícia, Eurípedes de Melo teria convocado três funcionários para o local, momentos antes do início do tiroteio. O confronto resultou em danos a veículos estacionados e paredes próximas à casa, evidenciando a intensidade da troca de tiros. Na ocasião, todos os envolvidos foram detidos para averiguação.
A trajetória do caso até o julgamento popular foi marcada pela complexidade da dinâmica do crime e pela dificuldade em estabelecer com clareza a responsabilidade individual pelos disparos fatais e os ferimentos. Itens como armas, cápsulas e munições foram apreendidos pela Polícia Civil no local, mas não foram suficientes para ligar os acusados diretamente aos crimes conforme exigido para condenação.
A decisão do júri, ao absolver Eurípedes Augusto de Melo e Elton Regis Albertino, ressalta a importância da prova robusta no sistema judicial. A absolvição por falta de provas, embora possa gerar questionamentos na opinião pública, reforça o princípio de que ninguém pode ser condenado sem evidências irrefutáveis de sua culpa, garantindo a presunção de inocência.
O desfecho deste caso em Olímpia reabre o debate sobre a complexidade da justiça criminal e os desafios na apuração de crimes violentos, especialmente quando a autoria se mostra difícil de ser comprovada. A absolvição de Melo e Albertino marca o encerramento legal de um episódio que deixou cicatrizes na cidade e em seus envolvidos, mas a busca por respostas definitivas sobre quem foram os verdadeiros atiradores pode continuar na esfera da memória popular.
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