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24 de May de 2026

Academia de Letras de Marília elege fundador para presidência em retomada histórica

Araçatuba
24/05/2026 09:45
Redacao
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Marília, cidade do interior paulista, celebra um marco significativo para sua vida cultural e literária. Após quase quatro décadas de inatividade, a Academia de Letras de Marília (ALM) anuncia sua retomada oficial, com a eleição de Luiz Fernando Guimarães Ortega para a presidência. O escritor e bancário aposentado, que reside em São José do Rio Preto, não é um nome qualquer na história da instituição: ele foi um dos dez fundadores da ALM, em 4 de abril de 1978, e se tornou uma figura central nos esforços para o restabelecimento da entidade.

A eleição de Ortega, realizada na última sexta-feira (22), simboliza mais do que uma transição administrativa; representa o resgate de um legado e a promessa de um futuro vibrante para a literatura local. Sua escolha para liderar este novo capítulo da ALM é um testemunho de seu profundo envolvimento e dedicação ao projeto de reativação, que demandou intensa organização e tratativas burocráticas ao longo dos últimos anos.

A escolha e seu legado

Inicialmente, Luiz Fernando Guimarães Ortega manifestou relutância em aceitar o cargo, alegando a dificuldade de gerir as tratativas iniciais da Academia morando em outra cidade. Contudo, sua recusa foi unanimemente rejeitada pelos demais membros. Márcio Cavalca Medeiros e Wilza Mattos, ambos figuras proeminentes no processo de retomada, destacaram que a eleição de Ortega é um reconhecimento merecido pelo trabalho incansável que ele desenvolveu para o retorno das atividades da instituição.

“Além do mais, 48 anos atrás ele foi também um dos fundadores dessa academia e está aí com plena força e pique total para a retomada dos trabalhos”, afirmou Márcio Medeiros, ressaltando a energia e a paixão de Ortega pelo projeto. O jornalista Nelson Gonçalves, que também reside em São José do Rio Preto e integra a Academia, enfatizou o “tino de organização administrativa” de Ortega, que, mesmo à distância, esteve ativamente envolvido na regularização documental, percorrendo cartórios ao lado de Wilza Mattos para assegurar o ressurgimento legal da entidade. Durante a reunião, ele exibiu as atas de fundação de 1978 e a autorização judicial para a retomada do funcionamento, classificando-as como a “certidão de nascimento” da ALM.

Origens e o hiato

A história da Academia de Letras de Marília remonta ao final da década de 1970, surgindo a partir de um concurso literário promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. Benjamim Soares de Azevedo, então secretário da Cultura e hoje co-fundador ativo na retomada, recorda que a fundação da Academia foi uma sugestão do prefeito da época, Theobaldo de Oliveira Lyrio. Os participantes do concurso foram convidados a integrar o quadro inicial, que incluía nomes como o cineasta Orozimbo Luiz Giraldo, Ernesto Ravanelli, Josephina Chaia Pereira, Lupércio Lorenzetti, Maria da Gloria da Rosa, Virginio Godoy Bueno Filho e José Henrique Guimarães Ortega, irmão do atual presidente eleito.

Meses depois, a escritora Olympia Saleste Rodrigues e os jornalistas Luiz Carlos Fassoni e Patrícia Pereira de Melo foram empossados. Por razões não detalhadas na época, a instituição entrou em um período de inatividade que se estendeu por quase quarenta anos. Essa longa pausa, no entanto, não apagou a memória ou a necessidade de sua existência, impulsionando a mobilização recente para seu restabelecimento. O jornalista Luiz Carlos Fassoni, que divide seu tempo entre Dubai e Itália, permanece ativo, mesmo online, na elaboração do site oficial da instituição, demonstrando a relevância da ALM para seus membros fundadores.

Missão e futuro

As funções da Academia de Letras de Marília são multifacetadas e cruciais para o ecossistema cultural da região. Incluem a preservação da memória literária e cultural da cidade, o incentivo à produção intelectual, a promoção de concursos, palestras, debates, lançamentos de livros e diversos eventos culturais. Além disso, a ALM visa a estimular novos escritores e pesquisadores, garantindo a renovação e a vitalidade do cenário literário mariliense.

A retomada da ALM representa, portanto, um passo fundamental para o fortalecimento da cultura regional e para a valorização da literatura produzida no interior paulista. A secretária da Cultura, Taís Vanessa Monteiro, expressou o sentimento compartilhado por muitos, afirmando que a reativação da ALM é “um sonho que se concretiza no município”, sublinhando a importância da iniciativa para a identidade cultural da cidade.

Próximos passos

O presidente eleito, Luiz Fernando Guimarães Ortega, delineou as prioridades iniciais de sua gestão. A reorganização administrativa da instituição está no topo da lista, seguida pela promoção da posse oficial dos novos acadêmicos. Ele garantiu que a Academia pretende atuar de forma participativa e aberta à comunidade cultural de Marília e região, buscando um diálogo contínuo e inclusivo.

Benjamim Soares de Azevedo, co-fundador, ressaltou a importância histórica da retomada, enquanto Márcio Cavalca Medeiros, Ramon Franco e Wilza Mattos reiteraram o empenho de Ortega no complexo processo de regularização documental e reorganização. O jornalista Nelson Gonçalves reafirmou que a recuperação das atas históricas e da documentação judicial não é apenas um ato burocrático, mas um ato simbólico do renascimento da instituição. A reunião de restabelecimento da Academia de Letras de Marília foi realizada na sede da Associação Comercial e Empresarial de Marília, marcando o início de uma nova era para a cultura local.

A expectativa agora é que, após reuniões com a secretária municipal de Cultura e com o prefeito Vinicius Camarinha, seja definida a data da cerimônia oficial de posse dos novos integrantes da Academia. Os estatutos da ALM preveem que o prefeito em exercício seja o presidente de honra da instituição, conectando a liderança cívica ao patrimônio literário de Marília. A revitalização da Academia de Letras de Marília representa não apenas a continuidade de uma tradição, mas também um olhar para o futuro, com a missão de inspirar novas gerações de escritores e pensadores, solidificando Marília como um polo de produção intelectual e valorização cultural no interior do Brasil. Para aprofundar-se no contexto cultural da região, [confira outros artigos sobre a literatura paulista]. [LINK INTERNO]



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