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24 de August de 2026

Academia de letras de Marília retoma história após mais de quatro décadas

Araçatuba
24/08/2026 09:46
Redacao
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Marília, SP – Após um hiato de mais de 40 anos, a cena cultural de Marília foi palco de um evento de grande significado: a retomada das atividades da Academia de Letras de Marília (ALM). Em uma solenidade carregada de simbolismo e expectativa, 17 novos acadêmicos foram empossados, marcando o renascimento desta importante instituição dedicada à preservação e ao fomento da língua e da literatura local.

A cerimônia, realizada no auditório do Centro Cultural Braz Alécio, contou com a presença de figuras ilustres, incluindo a secretária municipal de Cultura, Taís Vanessa Monteiro, e o vereador Wilson Damasceno. A revitalização da ALM representa não apenas a continuidade de um legado intelectual, mas também a abertura de um novo capítulo para o desenvolvimento cultural e social do município, reafirmando o compromisso com a valorização do patrimônio literário e do pensamento crítico.

Renascimento cultural

A Academia de Letras de Marília foi fundada originalmente em 4 de abril de 1978 por um grupo de dez escritores, que se destacaram em um concurso literário promovido pelo então Departamento de Cultura da Prefeitura de Marília. Entre os visionários fundadores estavam os irmãos José Henrique e Luiz Fernando Guimarães Ortega, ambos testemunhas da recente cerimônia de posse e da emocionante reativação da entidade.

Luiz Fernando Guimarães Ortega, um dos fundadores originais, foi eleito e empossado como presidente da ALM nesta nova fase. Sua liderança é vista como fundamental para impulsionar a academia, que agora busca ampliar seu alcance e atuação na cidade. A posse dos novos membros simboliza a renovação do compromisso com a perpetuação do saber e da arte da palavra em Marília, conectando gerações de intelectuais.

O jornalista Ramon Barbosa Franco, um dos recém-empossados acadêmicos, atuou como mestre de cerimônias e trouxe uma rica contextualização histórica. Ele destacou a trajetória global das academias de letras, remontando à fundação da Académie Française, em Paris, no ano de 1635, pelo cardeal Richelieu. Essa instituição francesa estabeleceu-se como um farol e modelo para entidades literárias em diversas partes do mundo, inspirando o surgimento de estruturas semelhantes em outros países e continentes.

Legado intelectual

Franco salientou que a missão intrínseca de preservar e valorizar a língua, a literatura e o pensamento de uma nação transcendeu séculos e fronteiras geográficas até alcançar o Brasil. No cenário nacional, essa visão culminou na fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1897. Um grupo de proeminentes intelectuais, liderados por Machado de Assis, que se tornou o primeiro presidente e permaneceu no cargo até seu falecimento em 1908, deu vida a essa célebre instituição.

O jornalista fez questão de reconhecer as contribuições decisivas de Lúcio de Mendonça, a quem é creditada a ideia original para a criação da Academia Brasileira de Letras, e de Joaquim Nabuco, renomado diplomata e homem de letras, que juntos foram instrumentais na concretização desse projeto ambicioso. [link externo para site oficial da ABL]

Apoio institucional

A solenidade foi enriquecida pela presença e manifestação de Rosalie Gallo y Sanches, presidente de honra da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec). Rosalie dirigiu suas palavras de congratulação aos novos acadêmicos e enalteceu o trabalho desenvolvido pela entidade de São José do Rio Preto. Em um gesto de colaboração e estímulo, ela presenteou a diretoria da ALM com uma coleção de livros e reiterou a total disposição da Arlec para futuras parcerias e projetos conjuntos, por meio de sua presidente, Loreni Fernandes.

O entusiasmo em torno da retomada da ALM reverberou nas esferas públicas de Marília. A secretária municipal de Cultura, Taís Monteiro, descreveu o evento como um marco de vital importância para a cultura e a sociedade local. A sua fala reforçou o reconhecimento do valor inestimável de instituições como a Academia de Letras para o progresso cultural e intelectual da cidade, sublinhando o impacto que terá na comunidade.

Em um claro sinal de apoio, o vereador Wilson Damasceno manifestou sua total solidariedade à iniciativa. Ele se colocou à disposição para encaminhar, no âmbito da Câmara Municipal, propostas que possam viabilizar a destinação de recursos para o desenvolvimento de projetos culturais a serem promovidos pela Academia. Essa cooperação institucional é crucial para a sustentabilidade e o crescimento das atividades da ALM.

Novos rumos

Ao assumir a presidência, Luiz Fernando Guimarães Ortega justificou a ausência de Benjamin Soares de Azevedo, que estava em viagem. Ortega fez questão de sublinhar a relevância de Azevedo para a história da entidade, designando-o como presidente de honra da ALM. Benjamin Soares de Azevedo desempenhava a função de coordenador de Cultura do município no período da fundação da Academia, tendo uma participação fundamental em sua origem e concepção, consolidando seu papel de mentor.

Um momento de profunda comoção marcou a cerimônia, com a observância de um minuto de silêncio em homenagem aos acadêmicos que, ao longo dos anos, faleceram e deixaram sua valiosa contribuição para a história da instituição. Este tributo póstumo ressaltou a continuidade de um legado construído por gerações de intelectuais e a importância da memória para a identidade da academia.

Emoções da posse

A diplomação dos 17 novos integrantes foi permeada por momentos de intensa emoção, especialmente durante as homenagens aos patronos e patronesses escolhidos para representar cada cadeira. Tais tributos não apenas enalteceram figuras de destaque, mas também sublinharam a conexão pessoal e a inspiração que esses nomes oferecem aos recém-empossados membros da ALM.

Entre os depoimentos, a bibliotecária Zery Monteiro, tia da atual secretária municipal de Cultura e autora de quatro livros infantis, emocionou-se ao retornar à sua cidade natal, Marília. Atualmente residente em Maringá, no Paraná, Zery manifestou com entusiasmo sua disposição em colaborar com o desenvolvimento da instituição, enfatizando o desejo de contribuir ativamente para a cultura local, com a expertise adquirida em sua jornada.

A escritora Maria Mortatti, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), presidente emérita da Associação Brasileira de Alfabetização (ABAlf) e laureada com o prestigiado Prêmio Jabuti, destacou a relação entre Araraquara, sua terra natal, e Marília. Em sua fala, ela rememorou a trajetória de Bento de Abreu Sampaio Vidal, uma figura proeminente como coronel, cafeicultor e líder político que teve atuação notável em Araraquara, onde presidiu a Câmara Municipal e contribuiu para a modernização urbana. O nome de Sampaio Vidal é perpetuado em vias e logradouros de ambas as cidades, unindo-as por um legado histórico.

O jornalista Márcio Cavalca Medeiros, eleito secretário-geral da ALM, aproveitou a ocasião para prestar uma comovente homenagem a seu pai, Marcelino Medeiros. Marcelino é amplamente reconhecido como um dos mais influentes radialistas de sua época e um pioneiro na implantação da frequência modulada (FM) no Brasil, tendo sua memória celebrada como um pilar da comunicação e cultura nacional. Sua contribuição ressalta a diversidade de talentos abrigados pela academia.

Por fim, a bibliotecária Wilza Matos, em seu discurso, escolheu a professora Rosalina Tanuri como sua patronesse. Ela recordou momentos vividos ao lado de Tanuri na Comissão de Registros Históricos, sublinhando a importância da memória e da preservação dos feitos que moldaram a cidade e sua identidade cultural, um valor que a ALM se empenha em manter vivo e relevante. [link interno para notícia sobre cultura local]

A retomada da Academia de Letras de Marília configura-se como um evento de suma importância para a vida cultural da cidade. Mais do que uma simples solenidade de posse, o acontecimento representa a reafirmação do compromisso com a preservação da língua portuguesa, o estímulo à produção literária e a valorização do pensamento crítico. A nova fase da ALM promete ser um catalisador para a efervescência cultural mariliense, proporcionando um fórum de debate e celebração para escritores, leitores e entusiastas da cultura.

Com a liderança de Luiz Fernando Guimarães Ortega e a energia dos novos acadêmicos, a instituição está posicionada para trilhar um caminho de relevância, fomentando a educação, a pesquisa e a divulgação da cultura em Marília e região. O futuro da literatura e do saber na cidade ganha um novo capítulo, prometendo enriquecer o panorama cultural local e inspirar futuras gerações de escritores e pensadores. Acesse mais informações e confira outras notícias sobre o setor. [link interno para outras notícias da editoria de cultura]



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