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06 de March de 2026

Agro paulista impulsiona exportações à China com faturamento de US$ 6,8 bilhões

Araçatuba
06/03/2026 14:31
Redacao
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O agronegócio paulista alcançou um marco significativo em suas relações comerciais com a China, principal destino de suas exportações. Em 2025, o setor registrou um faturamento expressivo de US$ 6,8 bilhões, representando um crescimento de 16,7% em comparação ao ano anterior. Este desempenho notável consolida a China como um parceiro estratégico, respondendo por 24% das exportações gerais do agro de São Paulo, conforme dados divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA).

A hegemonia chinesa na balança comercial paulista é incontestável, superando outros importantes mercados. Os US$ 6,8 bilhões movimentados com o país asiático colocam-no à frente de blocos econômicos como a União Europeia, com US$ 4,1 bilhões; dos Estados Unidos, que totalizaram US$ 3,5 bilhões; e da Índia, com US$ 904,4 milhões. Este cenário reflete não apenas a demanda chinesa, mas também a crescente diversificação dos acordos bilaterais buscados pelo setor.

Geraldo Melo Filho, secretário da SAA, ressaltou a importância desses números. “O país asiático lidera o ranking dos que mais importam os produtos agrícolas de São Paulo, porém, o setor vem diversificando cada vez mais os acordos bilaterais”, afirmou. A forte inserção do agro paulista no mercado internacional é um indicativo da sua competitividade e da qualidade dos seus produtos, que encontram portas abertas em diversas nações.

A análise da pauta de exportação revela que a China se posiciona como o principal destino em praticamente todas as categorias de produtos paulistas. O diretor da Diretoria de Pesquisa do Agronegócios (APTA) da SAA, Carlos Nabil, destacou: “Os quatro principais produtos da nossa pauta de exportação, a China lidera o setor sucroalcooleiro, 18%, o setor de carnes, 29,8%, o complexo soja, 22,8% e nos produtos florestais 17%, ou seja, é um parceiro muito estratégico para o agro paulista.”

Dentre os principais produtos que impulsionam essa relação comercial, o setor de carne bovina se destacou, gerando US$ 2 bilhões e um crescimento financeiro de 24,6% em 2025. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), enfatizou a resiliência do setor: “Mesmo com um cenário mais desafiador, marcado por questões geopolíticas e pela menor produção de carne em vários países, a carne bovina brasileira, hoje, chega a 177 países, o que ajuda a sustentar o ritmo dos embarques e a presença do produto nos principais mercados.”

Pauta exportadora

Além da carne, outros complexos agrícolas desempenharam um papel fundamental. O complexo de soja faturou US$ 1,6 bilhão, com um aumento de 12% no período. Já o setor sucroalcooleiro contribuiu com US$ 1,2 bilhão, apresentando uma elevação de 24%. Esses números evidenciam a capacidade produtiva e a diversidade do agronegócio paulista em atender à demanda de um mercado tão robusto como o chinês.

Um dos destaques mais surpreendentes da pauta de exportação foi a crescente entrada do café brasileiro no mercado chinês. Embora a China seja tradicionalmente uma nação consumidora de chá, as exportações paulistas de café alcançaram 5,6 mil toneladas em 2025, um volume que colocou o país asiático entre os 10 maiores clientes do produto. Este movimento aponta para uma mudança cultural e de hábitos de consumo na China, com implicações significativas para os produtores brasileiros.

Celso Vegro, pesquisador do IEA, reforça a tendência: “Em breve, o país se consolidará como um dos principais clientes nos próximos anos, devido ao aumento do consumo per capita que saiu de 4 a 5 xícaras em 2020 para 16 a 22 xícaras em 2025”. Este crescimento exponencial do consumo indica uma nova era para o café no mercado chinês, com um potencial ainda inexplorado de expansão.

Para Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a China representa um mercado estratégico com grande potencial. “A bebida vem conquistando cada vez mais espaço, inicialmente, entre os jovens, mas também, em outras faixas etárias atualmente, englobando chineses adeptos a um estilo de vida urbano e interessados em novidades, sendo associada a conveniência, socialização e status”, frisou Matos, destacando o perfil do novo consumidor chinês.

Um dos principais catalisadores para o boom do café paulista na China é a expansão acelerada da cafeteria chinesa Luckin Coffee. Fundada em Pequim, em 2017, a empresa experimentou um crescimento vertiginoso, saltando de 8 mil lojas no início de 2023 para impressionantes 20 mil unidades em toda a China atualmente. Esta expansão massiva criou uma demanda sem precedentes por grãos de café de alta qualidade, e os exportadores brasileiros souberam aproveitar essa oportunidade.

Mercado do café

A Luckin Coffee tornou-se uma cliente vital para o Brasil. “Hoje, 50% de todo o café que a Luckin Coffee compra é só do Brasil. O resto é dividido com outros países”, revelou Marcos Matos, do Cecafé, evidenciando a força da parceria. Fernando Maximiliano, analista de mercado de café da StoneX, corrobora essa visão, sublinhando como a agilidade e a escala da Luckin Coffee transformaram o cenário do consumo de café na China, beneficiando diretamente os fornecedores brasileiros.

A capacidade do agro paulista de se adaptar e capitalizar sobre as oportunidades de mercados emergentes como o chinês demonstra sua resiliência e visão estratégica. A construção de laços comerciais duradouros, como os estabelecidos com a Luckin Coffee, serve de modelo para a inserção em outros nichos e produtos, fortalecendo a presença global do agronegócio de São Paulo. Isso reflete a busca contínua por inovação e por acordos bilaterais que diversifiquem as fontes de receita.

Este sucesso impulsiona não apenas a economia estadual, mas também tem um impacto social significativo. O crescimento das exportações do agronegócio paulista para a China gera empregos, fomenta investimentos em tecnologia e infraestrutura e fortalece toda a cadeia produtiva, desde o campo até a logística de exportação. É um motor de desenvolvimento que beneficia diversas comunidades e setores em São Paulo.

No entanto, os desafios persistem em um cenário global complexo. A manutenção da competitividade, a atenção às exigências ambientais e sanitárias dos mercados importadores, e a melhoria contínua da infraestrutura logística são fatores cruciais para sustentar o ritmo de crescimento. A diversificação, apontada pelo secretário Geraldo Melo Filho, continua sendo uma estratégia vital para mitigar riscos e explorar novos horizontes.

A posição de destaque do agronegócio paulista na China é um testemunho da sua robustez e da visão de futuro dos seus líderes e produtores. À medida que o setor continua a expandir sua influência global, aprofundando as relações comerciais e explorando novas oportunidades, a consolidação de sua presença no cenário internacional será cada vez mais evidente.

Crescimento contínuo

Em suma, o desempenho do agronegócio de São Paulo em 2025, impulsionado pelo mercado chinês, ilustra a capacidade do estado em se posicionar como um player global de peso. Com um faturamento que ultrapassou os US$ 6,8 bilhões e um crescimento de 16,7%, a parceria com a China é um pilar fundamental para a economia paulista. Produtos como carne, soja, sucroalcooleiro e, de forma surpreendente, o café, consolidam a diversidade e a força do setor.

O desafio agora é capitalizar sobre esse sucesso, buscando a contínua abertura de novos mercados e o aprimoramento das relações existentes. A história de sucesso com a Luckin Coffee no setor cafeeiro é um exemplo claro de como a perspicácia comercial e a qualidade dos produtos brasileiros podem gerar resultados extraordinários. O futuro do agronegócio paulista, ao que tudo indica, continuará a ser marcado por inovação, expansão e o fortalecimento de sua presença em escala global.



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