Bloqueio e investigação: motorista de aplicativo acusado de assédio sexual em Araçatuba
A segurança de passageiras em aplicativos de transporte individual volta a ser pauta com um caso de importunação sexual que chocou a cidade de Araçatuba, interior de São Paulo. Um motorista de 68 anos, identificado apenas como José no boletim de ocorrência, foi denunciado por uma passageira após ser filmado fazendo comentários de cunho sexual e propostas ofensivas durante uma corrida. O incidente, ocorrido na última segunda-feira, 1º de abril, resultou no bloqueio permanente do condutor pela empresa 99 e na abertura de uma investigação pela Polícia Civil.
A gravação, amplamente divulgada nas redes sociais, embora com o rosto do motorista borrado, tornou-se a principal prova da denúncia. A mulher procurou a polícia imediatamente, e o caso agora está sob a apuração da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que busca esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido. O incidente levanta discussões importantes sobre a responsabilidade das plataformas e a proteção dos usuários.
A denúncia
Conforme o relato da vítima à polícia, ela solicitou a corrida pelo aplicativo para buscar o filho na escola. Durante o percurso, o motorista teria iniciado uma série de comentários inadequados. Ele ofereceu a quantia de R$ 200 à passageira, proferindo frases como “olha o tamanho dessas pernas suas” e “que desperdício”, insinuando uma proposta sexual.
O boletim de ocorrência detalha que o motorista insistiu em convidá-la para ir a um motel e fez diversas outras insinuações de caráter sexual, mesmo diante do desconforto evidente e das negativas da mulher. A vítima afirmou que, antes de finalizar a corrida, o motorista ainda pediu para que ela "esquecesse o ocorrido", tentando silenciá-la.
A coragem da passageira em registrar parte da conversa em vídeo foi crucial para a formalização da denúncia. Ela apresentou as imagens e informações obtidas pelo próprio aplicativo à polícia, fornecendo subsídios importantes para o inquérito. A evidência audiovisual é um elemento robusto na fase inicial da apuração.
A empresa
Em resposta ao ocorrido, a empresa 99, responsável pelo aplicativo utilizado na corrida, agiu prontamente. Em nota oficial, divulgada nesta quarta-feira, 3 de abril, a companhia lamentou o incidente e reafirmou sua "política de tolerância zero em casos de assédio e violência sexual". O motorista foi permanentemente bloqueado da plataforma, impedindo-o de realizar novas corridas pelo aplicativo.
Além do bloqueio, a 99 informou que uma equipe especializada está buscando contato com a passageira. O objetivo é oferecer acolhimento e acionar o seguro da plataforma, que inclui, entre outros suportes, apoio psicológico para a vítima. Essa medida visa mitigar os impactos emocionais e traumáticos que um episódio de assédio pode causar.
A investigação
A delegada Luciana Pistori Francino, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Araçatuba, é a responsável pela condução do inquérito. Em análise preliminar do vídeo apresentado pela vítima, a delegada constatou indícios claros de assédio na conduta do motorista. Este é um passo fundamental para o prosseguimento das investigações.
Apesar da clareza dos indícios, o caso ainda se encontra em fase inicial de apuração. Todas as circunstâncias serão investigadas detalhadamente, e a delegada não descartou a possibilidade de solicitar novos depoimentos dos envolvidos para aprofundar as análises. A DDM atua para garantir que todos os fatos sejam elucidados de forma rigorosa.
O motorista, que se apresentou à delegacia na terça-feira, 2 de abril, foi ouvido e posteriormente liberado. Ele é investigado por importunação sexual, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal brasileiro, que pune a prática de ato libidinoso contra alguém sem sua anuência, com pena de 1 a 5 anos de reclusão.
A versão
Em seu depoimento à polícia, o suspeito, José, contestou a versão apresentada pela passageira. Ele alegou que a filmagem foi cortada e não retrata a totalidade dos fatos. Segundo sua argumentação, houve um acordo prévio para um encontro sexual mediante pagamento, o que a vítima nega veementemente no vídeo.
O advogado de defesa de José, Maycon Zulian Mazziero, reforçou a alegação de que o trecho gravado não é completo. Questionado sobre como a defesa pretende comprovar a versão do motorista acerca do suposto acordo comercial, o advogado informou que o caso tramita em segredo de Justiça e que as manifestações adicionais serão feitas nas instâncias competentes.
Apesar da defesa, a delegada Luciana Pistori Francino foi categórica ao afirmar que, mesmo que se comprovasse que a mulher é garota de programa – o que ela nega no vídeo –, isso não afastaria o possível crime de importunação sexual. A importunação ocorre pela falta de anuência no ato, independentemente da profissão da vítima.
Até o momento da última atualização desta reportagem, a DDM não havia registrado outros boletins de ocorrência contra o motorista, nem outras vítimas foram identificadas no curso da investigação. Isso não impede, contudo, que novas denúncias possam surgir à medida que o caso ganha repercussão.
O contexto
O episódio em Araçatuba ressalta a vulnerabilidade de passageiras em veículos de aplicativo e a importância de mecanismos de denúncia eficazes. A capacidade de gravar a interação e a pronta resposta da plataforma e da polícia são elementos cruciais para coibir tais práticas e proteger os usuários.
A discussão sobre a segurança no transporte por aplicativo tem sido constante, com empresas buscando aprimorar seus sistemas de verificação de motoristas e as funcionalidades de segurança para os passageiros. Casos como este reforçam a necessidade de vigilância contínua e da implementação de medidas ainda mais robustas.
A investigação sobre a denúncia de assédio sexual contra o motorista de aplicativo em Araçatuba segue em andamento, buscando a verdade dos fatos e a devida responsabilização. A sociedade e as autoridades acompanham atentamente o desfecho, esperando que a justiça seja feita e que medidas preventivas sejam fortalecidas para garantir a integridade de todos os usuários de serviços de transporte.
Para saber mais sobre direitos e segurança em aplicativos de transporte, [leia também nossa matéria sobre a importância de avaliar motoristas](https://www.seusite.com.br/seguranca-avaliacao-motoristas).
Confira outras notícias sobre casos de segurança pública e direitos da mulher na região de Araçatuba e [acompanhe as atualizações do g1 Rio Preto e Araçatuba](https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/).
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