Tragédia em festa: motorista bêbado e sem CNH atropela família em Poloni
Uma celebração de aniversário transformou-se em tragédia na noite de sábado (26) em Poloni, interior de São Paulo, quando um motorista embriagado e sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) invadiu uma calçada e atropelou quatro membros de uma mesma família. O acidente resultou na morte de Pedro Luiz Trevelato, de 55 anos, e deixou outros três feridos, incluindo uma criança de apenas dois anos. O impacto do ocorrido é sentido profundamente pelos sobreviventes e pela comunidade local, que lamentam a perda e a imprudência que ceifou uma vida e alterou drasticamente outras.
Vânia Patrícia Israel Souza Marin, parente das vítimas, descreveu os momentos de horror em entrevista à TV TEM. "Cantamos os parabéns, foi servido o bolo. Como estava muito calor, a gente pegou as cadeiras e sentou na calçada, do lado de fora. Eu estava sentada na calçada, o carro passou do meu lado. Senti o calor nas minhas pernas, muito desesperador", relembrou. Sua fala ressoa o desespero de quem testemunhou a alegria da festa ser abruptamente substituída pelo caos e pela dor.
A angústia e a perplexidade foram ecoadas por Maria Izabel Fernandes, outra familiar presente, que expressou a dor de ver o sofrimento de seus entes queridos. "A gente vem para comemorar a vida e não para perder. É trágico. E às vezes a gente pensa que não poderia ter sido pior. Eu estou com duas sobrinhas internadas, uma na UTI, a outra com hemorragia na cabeça. Então, a gente está perplexo, está sem reação. Minha cunhada perdeu o esposo e está com as duas filhas internadas. É bem difícil de aceitar, muito complicado, bem doloroso mesmo", desabafou à TV TEM, ilustrando o cenário devastador para a família.
O incidente ocorreu na esquina da Rua Antonio Deividi dos Santos Mutamba com a Rua José Durão, em um momento de descontração familiar. Uma câmera de segurança registrou a invasão da calçada pelo veículo, evidenciando a violência do atropelamento. As imagens, que rapidamente se espalharam, servem como um alerta chocante sobre as consequências da irresponsabilidade no trânsito e ampliam a comoção em torno do caso, destacando a fragilidade da segurança pública em momentos de lazer.
Diante da gravidade dos fatos, as autoridades policiais foram acionadas de imediato para o local do acidente. A chegada das equipes marcou o início das investigações e a coleta das primeiras evidências. A prioridade inicial foi o socorro às vítimas, enquanto se tentava compreender a dinâmica do ocorrido e identificar os responsáveis por tamanha imprudência. O ambiente de festa deu lugar a um cenário de atendimento de emergência e apuração criminal.
Ações policiais
O motorista do veículo, identificado como Emanuel Valberson Silva Ferreira, de 29 anos, foi submetido ao teste do etilômetro pela polícia. O resultado, de 0,50 mg de álcool por litro de ar expelido, confirmou seu estado de embriaguez, superando o limite de 0,34 mg/L que configura crime de trânsito, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Sua alegação de que estaria "aprendendo a dirigir" no momento do acidente agravou ainda mais a situação, apontando para uma combinação letal de imperícia e irresponsabilidade ao volante.
Além do motorista, o proprietário do carro, Antônio Eudes de Azevedo Viana, de 39 anos, estava presente no banco do passageiro e também apresentava sinais de embriaguez, com 0,20 mg/L no teste do etilômetro. A presença do dono do veículo, ciente da situação do condutor e de sua inaptidão para dirigir, levanta questões sobre a responsabilidade solidária em acidentes desse tipo. Ambos foram detidos em flagrante, enfrentando as consequências legais de suas ações na fatídica noite.
Pedro Luiz Trevelato, a vítima fatal do atropelamento, foi socorrido em estado grave para a Santa Casa de Monte Aprazível, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito. Seu sepultamento ocorreu no domingo (27) no Cemitério Municipal de Poloni, sob forte comoção de familiares e amigos. A perda de Pedro Luiz, em um momento que deveria ser de alegria e celebração, deixa um vazio irreparável e serve como um duro lembrete das fatalidades que podem ser evitadas com a devida prudência no trânsito.
Outras vítimas também sofreram sérias consequências. Uma mulher de 35 anos, cunhada de Vânia Patrícia, foi inicialmente atendida na Santa Casa de Monte Aprazível e, devido à gravidade, transferida para o Hospital de Base de São José do Rio Preto, com um possível trauma abdominal. Ela permanece internada na UTI, em estado considerado estável, lutando pela recuperação. O menino de dois anos, filho dessa mulher, também foi encaminhado ao Hospital da Criança junto da mãe com escoriações, mas, felizmente, já recebeu alta, embora o trauma emocional persista para toda a família.
Os envolvidos foram presos em flagrante pelos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor, lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, permitir direção de veículo automotor a pessoa não habilitada e embriaguez ao volante. O Código de Trânsito Brasileiro prevê penas severas para tais infrações, que incluem prisão de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de obter a permissão ou habilitação para dirigir. As investigações seguirão para que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas.
Impacto social
O lamentável episódio em Poloni reflete um problema recorrente no Brasil: a imprudência ao volante, especialmente sob o efeito do álcool e sem a devida habilitação. Casos como este reforçam a urgência de campanhas de conscientização mais eficazes e de fiscalização mais rigorosa para coibir condutas que colocam em risco a vida de inocentes. A legislação de trânsito existe para proteger, mas sua efetividade depende diretamente do cumprimento por parte dos motoristas e da aplicação rigorosa por parte das autoridades.
A tragédia que atingiu a família em Poloni, transformando uma festa em luto, serve como um pungente alerta sobre as consequências devastadoras da combinação álcool e direção, potencializada pela falta de habilitação. Enquanto a família busca superar a dor da perda e torce pela recuperação dos feridos, o caso permanece sob investigação, com os responsáveis aguardando o devido processo legal. É um lembrete sombrio de que a vida é um bem precioso e a responsabilidade no trânsito é um dever inegociável de cada cidadão. <a href='URL_INTERNO_SOBRE_CTB' target='_blank'>Leia também: O que muda com as novas regras do Código de Trânsito Brasileiro?</a>
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