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01 de October de 2026

Sonho de ser cantora: avó de 84 anos e neta regravam clássicos sertanejos em São José do Rio Preto

Araçatuba
01/10/2026 08:02
Redacao

Aos 84 anos, Ednéia Maria Zanini Vicente, carinhosamente conhecida como Vó Néia, vivenciou um marco emocionante em sua vida: a realização do antigo sonho de se tornar cantora. Ao lado da neta Gabriela Livon, ela entrou em estúdio em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, para regravar clássicos sertanejos que embalaram sua infância e juventude.

O projeto, que culminou no lançamento do EP “Vó Néia & Livon”, com sete músicas, ganha ainda mais relevância por ter sido concretizado no Dia Nacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro. Sua história serve como um poderoso exemplo de que a paixão e os desejos não têm prazo de validade, inspirando a busca por realizações em qualquer etapa da vida.

A produção do mini álbum foi viabilizada por meio de recursos da Lei Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura, após ser aprovado em primeiro lugar na etapa de seleção de 2025. Este apoio cultural ressalta a importância de iniciativas que valorizam artistas e narrativas que emergem de todas as gerações. <a href="link-externo-lei-nelson-seixas">Saiba mais sobre a Lei Nelson Seixas aqui</a>.

O repertório cuidadosamente selecionado entrelaça as gerações, unindo canções que não apenas compõem a trilha sonora da vida de Vó Néia, como os clássicos “Romaria” e “Telefone Mudo”, mas também as que ressoam com a história de sua neta. Essa ponte melódica estabelece uma conexão profunda entre diferentes épocas e estilos musicais, celebrando a riqueza da cultura brasileira.

A ideia de um álbum conjunto surgiu de uma reflexão de Gabriela Livon sobre a trajetória familiar e as limitações que mulheres do passado enfrentavam para seguir carreiras profissionais. Vó Néia, na juventude, chegou a receber um convite para gravar em São Paulo, mas a oportunidade foi perdida devido à proibição de seu pai, um reflexo das barreiras sociais da época.

Sonho renasce

Direcionada para a família, comunidade e igreja, a música, contudo, nunca a abandonou. Ali, ela encontrou refúgio e uma ferramenta de união, especialmente ao conduzir corais de catequese, onde a melodia acolhia crianças e conectava pessoas, mantendo acesa sua chama musical e seu amor pelas notas.

“Eu conversei com ela [avó] e falei: 'Vamos fazer um álbum juntas'”, relata Gabriela Livon ao g1. A neta explicou que sempre cantaram juntas em festas e que suas vozes combinam naturalmente. A proposta era criar um registro familiar, uma forma de eternizar a conexão musical e, principalmente, “ressignificar um desejo antigo” da avó, dando-lhe uma nova perspectiva profissional.

Mesmo com Gabriela atuando em gêneros como jazz e blues, o foco principal do projeto foi dar vida ao sonho de Vó Néia, priorizando o estilo sertanejo clássico que marcou sua vida. As sete músicas foram interpretadas no estúdio, marcando a primeira experiência profissional da idosa com a gravação e a realização de uma aspiração que parecia distante.

O processo, naturalmente, apresentou desafios, especialmente devido à idade e à memória. No entanto, Gabriela destaca a impressionante resiliência da avó: “Ver que ela nunca se apavorou com os desafios… Eu acho que isso foi de um ensino tão valioso”. Essa postura inspiradora transformou a experiência em uma profunda lição de vida para ambas, fortalecendo seus laços.

“É uma sensação muito completa, muito valiosa que eu vou guardar para toda a minha vida”, emociona-se Livon. Ela expressa a alegria de ver o projeto materializado em um “produto artístico que é imortal, que vai estar para sempre aqui com a gente e eternizado mesmo”, um testemunho palpável do afeto, da persistência e do talento que permeiam a família.

Legado eterno

Para Vó Néia, a experiência foi inesquecível. Ela compartilha uma visão inspiradora sobre a vida e o tempo, afirmando não se sentir velha, pois ainda mantém os mesmos interesses de quando era jovem. “Eu acho que sonhos não têm idade. É tão bom recordar, viver, sonhar. E a vida da gente continua. Você estando vivo, você tem que ir, não pode parar no tempo”, reflete ela.

Sua vitalidade é um lembrete contundente de que o espírito jovem reside na mente. “Não tem importância esse negócio de falar que existe idade avançada. O que não pode ficar velho é a mente da gente, você tem que exercitar a sua mente e seguir em frente”, conclui Vó Néia ao g1, com a sabedoria de quem viveu intensamente e continua a buscar novas realizações, sendo um farol de inspiração.

A história de Vó Néia e Gabriela Livon é um hino à paixão pela música, ao amor familiar e à crença inabalável de que a idade é apenas um número quando se trata de perseguir o que faz o coração cantar. Que essa melodia inspire muitos a resgatarem seus próprios desejos adormecidos e a celebrarem a vida em todas as suas fases, sem medo de sonhar. <a href="link-interno-g1-rio-preto-aracatuba">Explore outras notícias e reportagens do g1 Rio Preto e Araçatuba</a>.



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