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04 de September de 2026

Birigui: idoso de 70 anos é preso por receptação de andaimes furtados

Araçatuba
03/09/2026 20:42
Redacao
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A ação rápida e coordenada da Guarda Civil Municipal (GCM) de Birigui culminou na prisão em flagrante de um homem de 70 anos por receptação dolosa. A ocorrência, registrada na manhã desta quinta-feira (3) em uma obra na avenida Affif José Abdo, no bairro Portal da Pérola II, em Birigui (SP), expõe a complexidade dos crimes patrimoniais e a necessidade de vigilância constante sobre a procedência de materiais de construção.

Dezenas de andaimes, equipamentos essenciais em qualquer canteiro de obras, foram localizados com evidentes sinais de adulteração, sugerindo terem sido subtraídos de empresas de locação. Este caso ressalta a importância da rastreabilidade de materiais e do combate à circulação de bens de origem ilícita no mercado, afetando diretamente a economia e a segurança dos negócios locais.

O registro policial detalha que a GCM recebeu uma denúncia anônima apontando para a possível utilização de andaimes de origem criminosa no imóvel. A informação desencadeou uma operação imediata. Uma equipe, sob a coordenação do inspetor Operacional Adilson, em conjunto com o comandante Robson Antônio, dirigiu-se ao endereço para verificar a veracidade dos fatos.

Ao chegar no local, os agentes inicialmente não encontraram o responsável pela obra. Contudo, após contato com moradores vizinhos, o homem compareceu ao local e foi identificado como o encarregado pelos serviços. A presença dos andaimes no canteiro de obras era notável, despertando a atenção dos guardas civis municipais.

Durante a minuciosa fiscalização, aproximadamente 70 peças de andaime foram inspecionadas. A atenção dos agentes foi capturada por vestígios de logotipos empresariais em parte dos equipamentos, além de sinais patentes de raspagem das identificações originais e uma posterior repintura na cor verde, um claro indicativo de tentativa de ocultação da procedência dos bens.

Ação da guarda

Para aprofundar a investigação, duas empresas especializadas no ramo de locação de equipamentos para construção civil foram acionadas e compareceram à obra. A primeira empresa prontamente reconheceu 32 peças como sendo de seu patrimônio, confirmando o furto de seus bens. O reconhecimento foi baseado em características específicas e marcas visíveis, o que reforçou a suspeita inicial da GCM.

A segunda empresa, por sua vez, identificou outras 20 peças como pertencentes à sua frota de equipamentos. No total, 52 andaimes foram formalmente reconhecidos pelas vítimas. A identificação foi possível através de logotipos ainda discerníveis, marcas características e outros elementos distintos que resistiram às tentativas de adulteração realizadas nos materiais.

Como prova adicional, uma das empresas apresentou vasta documentação que comprovava a propriedade dos equipamentos, incluindo fotografias das peças originais e cópias de boletins de ocorrência previamente registrados, referentes ao furto de lotes de andaimes compatíveis com os encontrados na obra de Birigui. Essa documentação foi crucial para a validação das suspeitas iniciais e para a formalização do reconhecimento dos bens.

Interrogado pelos agentes, o idoso apresentou sua versão dos fatos. Ele declarou que parte dos andaimes teria sido alugada de uma empresa do setor, sem especificar qual. Adicionalmente, afirmou ter adquirido 28 peças por 2.900 reais de uma pessoa que não soube identificar, e o mais preocupante, sem a emissão de nota fiscal, recibo ou qualquer outro documento que comprovasse a transação legal e a procedência do material.

Em continuidade ao seu relato, o responsável pela obra informou ter comprado outras oito peças por 500 reais, igualmente desprovidas de qualquer documentação comprobatória de sua origem. Quando questionado sobre os sinais de raspagem dos logotipos e a pintura verde, o homem justificou que determinou a pintura dos equipamentos para evitar a corrosão e a ferrugem, argumentando que algumas peças já teriam sido adquiridas com as identificações adulteradas.

Detalhes da investigação

O impacto financeiro dessa ação criminosa é considerável para as empresas lesadas. A primeira empresa estimou seu prejuízo em 6.080 reais, referente às 32 peças reconhecidas, refletindo o custo de reposição e os danos inerentes. A segunda, por sua vez, calculou a perda em 3.198 reais pelas 20 peças identificadas. O montante total dos prejuízos relacionados aos andaimes formalmente reconhecidos atinge 9.278 reais.

Este valor, no entanto, não reflete apenas a perda monetária direta; ele abrange também o custo operacional das empresas com a reposição, a interrupção de contratos e a burocracia envolvida na recuperação dos bens. A receptação de equipamentos de construção, como os andaimes, alimenta um ciclo vicioso de furtos que afeta a segurança e a economia de todo o setor, prejudicando a todos.

Diante da robustez das provas — os reconhecimentos formais realizados pelas empresas, os inquestionáveis sinais de adulteração das identificações, a ausência de qualquer documentação que atestasse a origem lícita dos equipamentos e as inconsistências nos depoimentos do homem —, a GCM procedeu à apreensão de todos os andaimes encontrados na obra de Birigui, garantindo a integridade das evidências para a investigação.

O responsável pela obra foi imediatamente encaminhado à unidade policial para os procedimentos cabíveis. Lá, o delegado de polícia Eduardo Lima de Paula, após analisar minuciosamente os elementos apresentados, determinou a prisão em flagrante do idoso por receptação dolosa, crime previsto no artigo 180 do Código Penal brasileiro. A lei é clara quanto à penalidade para quem adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime.

Os equipamentos apreendidos permanecerão sob custódia da autoridade policial para as providências legais cabíveis e, posteriormente, serão restituídos aos seus legítimos proprietários, conforme determinação da justiça. A ação da GCM não apenas recuperou parte do patrimônio das empresas, mas também enviou uma clara mensagem contra a impunidade de crimes de receptação, que tanto afetam a sociedade.

Consequências e alerta

Este incidente em Birigui serve como um sério alerta para o mercado da construção civil e para a sociedade em geral sobre os riscos de se adquirir bens sem a devida comprovação de origem. A fiscalização rigorosa, aliada à colaboração da população por meio de denúncias, é fundamental para desarticular esquemas de furto e receptação, protegendo empresas, trabalhadores e consumidores de práticas ilegais.

A investigação sobre a rede de onde os andaimes furtados foram obtidos deve prosseguir, buscando identificar outros elos dessa cadeia criminosa. O caso reforça a importância de verificar sempre a documentação de compra de qualquer material e a credibilidade dos fornecedores, a fim de evitar ser cúmplice, ainda que involuntário, de crimes contra o patrimônio alheio. Para mais informações sobre segurança e legislação, <a href="/categoria/seguranca-publica" target="_blank">leia também</a> outras notícias em nosso portal.



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