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19 de June de 2026

Prefeitura de Araçatuba registra boletim de ocorrência contra vereador após postagem sobre morte de idosa

Araçatuba
19/06/2026 14:31
Redacao
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A cidade de Araçatuba, no interior de São Paulo, tornou-se palco de um desdobramento incomum na esfera política e judicial, envolvendo o poder Executivo e um membro do Legislativo. A Prefeitura municipal, por meio do secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Arthur Bezerra, registrou um boletim de ocorrência (B.O.) contra o vereador Damião Brito (Rede). A ação legal surge em resposta a uma postagem feita pelo parlamentar em uma rede social, que, segundo a prefeitura, continha “desinformação” a respeito da morte de uma idosa de 84 anos.

O incidente central que motivou o embate é a morte da paciente, que havia passado três dias no pronto-socorro municipal aguardando transferência. A filha da idosa havia, por sua vez, já registrado um boletim de ocorrência alegando negligência no atendimento prestado à mãe na unidade de saúde. A postagem do vereador Damião Brito, que insinuava que o falecimento teria ocorrido nas dependências do pronto-socorro, acendeu o estopim para a formalização da queixa da administração municipal, marcando um ponto de tensão no diálogo público e na prestação de informações à população.

O centro da discórdia: postagem e acusação de desinformação

O boletim de ocorrência registrado pela Prefeitura de Araçatuba na Polícia Civil detalha a postagem completa do vereador no Facebook e apresenta a resposta oficial da Secretaria Municipal de Saúde, em conjunto com a Associação Nova Esperança, que é a administradora do pronto-socorro. Ambas as partes afirmam categoricamente que a idosa não faleceu dentro das instalações da unidade de saúde. Este detalhe é crucial para a defesa da administração municipal, que busca refutar a alegação de que a morte ocorreu sob sua responsabilidade direta e imediata no PS.

A contenda, que veio a público na quinta-feira, 18 de janeiro, com a postagem do vereador e o registro da ocorrência pela família da vítima, escalou rapidamente. O secretário Arthur Bezerra procedeu com o registro do boletim ainda na tarde daquele mesmo dia, sublinhando a gravidade com que a prefeitura encarou a divulgação das informações pelo parlamentar. A descrição detalhada da postagem e das réplicas no B.O. demonstra a intenção de solidificar a argumentação de que o vereador teria veiculado dados imprecisos ou incompletos, gerando percepções errôneas na população.

Versões e contraposições sobre o falecimento

A versão da Prefeitura de Araçatuba é que todos os atendimentos necessários foram prestados à paciente enquanto ela esteve no pronto-socorro. Além disso, a administração reiterou que não possui controle sobre a regulação de vagas em hospitais, um processo que envolve um sistema mais amplo de saúde. A morte da idosa, segundo a prefeitura, ocorreu após ela deixar o pronto-socorro, quando sua transferência para a Santa Casa de Araçatuba já havia sido liberada. A família, no entanto, acredita que a demora na transferência foi determinante para o desfecho trágico.

Consultado pela reportagem, o vereador Damião Brito declarou não ter sido notificado sobre a ocorrência registrada em seu nome. Ele mencionou ter conversado com a filha da vítima, que teria relatado a ele que diversos pacientes foram transferidos antes de sua mãe, apesar da prioridade que ela deveria ter como idosa. O vereador enfatizou a necessidade de investigação, afirmando que é 'serviço para a polícia investigar se chegou morta, se morreu ao dar entrada na Santa Casa, etc.', apontando para a complexidade e as lacunas que ele percebe na narrativa oficial.

O cenário da saúde e a repercussão política

O caso da idosa de 84 anos, que passou três dias no pronto-socorro municipal de Araçatuba aguardando transferência, ilustra os desafios inerentes ao sistema de saúde, especialmente no que tange à regulação de leitos e ao fluxo de pacientes entre diferentes unidades. A espera prolongada por uma vaga em hospital é uma realidade enfrentada por muitas famílias brasileiras, e a percepção de negligência ou demora no atendimento frequentemente desencadeia questionamentos e buscas por responsabilização.

No âmbito político, a Prefeitura de Araçatuba chegou a cogitar uma representação ao Conselho de Ética da Câmara Municipal contra o vereador Damião Brito. Contudo, após reunião interna, a decisão foi de não seguir adiante com essa medida. Este recuo sugere uma ponderação sobre as implicações políticas de tal ação, talvez buscando evitar uma polarização ainda maior ou reconhecendo a complexidade da situação envolvendo a liberdade de expressão parlamentar versus a responsabilidade sobre a informação pública. <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Leia também: Desafios da regulação de leitos no SUS.</a>

A repercussão do caso não se limitou às redes sociais e aos corredores da administração municipal e da Câmara. A notícia foi amplamente divulgada por veículos de comunicação locais, como o jornal O LIBERAL e o portal LR1, evidenciando o interesse público na transparência dos fatos e na atuação dos representantes eleitos. A morte da idosa e a subsequente batalha judicial e política acendem um alerta sobre a necessidade de clareza na comunicação governamental e a responsabilidade de agentes públicos ao veicular informações sensíveis.

Diante do cenário, a Prefeitura de Araçatuba declarou que se coloca à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos sobre os fatos, reforçando seu compromisso com a elucidação do ocorrido. O caso, agora com um boletim de ocorrência formal contra um vereador, transcende a esfera da saúde e adentra o campo da fiscalização, da ética na comunicação política e da busca pela verdade em meio a narrativas por vezes conflitantes. O desfecho da investigação policial e os próximos capítulos deste embate prometem ser acompanhados de perto pela comunidade araçatubense e pela imprensa. <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Confira outras notícias sobre política e saúde em Araçatuba.</a>



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