Brasileira perde US$ 17 mil em fraude imigratória após ser tranquilizada por agência
Uma brasileira de Fernandópolis, no interior de São Paulo, alega ter sido vítima de um golpe imigratório, resultando em um prejuízo de mais de US$ 17 mil. A mulher, que preferiu não ser identificada, havia questionado a agência Legacy Immigra sobre alertas de fraude que circulavam nas redes sociais, mas foi tranquilizada por mensagens da vendedora, que garantia o aval da diretoria e do CEO para a continuidade dos processos.
A investigação sobre a fraude culminou na prisão de quatro brasileiros na Flórida, Estados Unidos, em 23 de abril. Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva são apontados como os líderes da Legacy Immigra, agência sob escrutínio por supostas irregularidades em pedidos de asilo e retenção de documentos de clientes.
Os primeiros indícios de alerta surgiram para a vítima em maio de 2025, após a circulação de um vídeo nas redes sociais que denunciava esquemas envolvendo pedidos de asilo e retenção de documentos de clientes em agências de imigração. Este período levantou questionamentos que foram direcionados diretamente à Legacy Immigra.
Ao deparar-se com as denúncias, a moradora do interior paulista enviou o link da publicação ao número da agência, expressando sua insegurança diante de possíveis irregularidades na emissão de documentos de regularização migratória e vistos, essenciais para seu sonho americano.
Em sua mensagem, a vítima externou a profundidade de sua preocupação e a confiança inicial depositada na empresa: "Para nós que estamos de fora, fica um turbilhão de pensamentos, né? Mas eu pedi muito a Deus e, para te falar a verdade, você me passa essa segurança".
Alerta e garantia
Apesar da repercussão dos vídeos e dos questionamentos da cliente, a representante comercial com quem a mulher conversava minimizou a situação. Em resposta, ela afirmou que a direção da empresa havia se reunido com os funcionários para tratar das denúncias que abalavam a credibilidade da agência.
A vendedora transmitiu a garantia da cúpula da Legacy Immigra, em uma tentativa de dissipar as preocupações: "Sobre as denúncias, o CEO da Legacy fez uma reunião com nossos gerentes e este nos tranquilizou para darmos continuidade às nossas rotinas e continuar dando o andamento e tramitação normal aos processos de nossos clientes".
Sentindo-se mais segura após a comunicação e as garantias repassadas, a mulher decidiu manter seu processo de imigração. A confiança no atendimento e nas explicações da empresa foram cruciais para essa decisão, mesmo diante das evidências crescentes de irregularidades.
A vítima ainda relatou que a agência justificava as denúncias como parte de uma "guerra de mercado", alegando: "Diziam que havia muitas empresas, que o grupo era enorme, que não fazia sentido todo aquele escândalo e que, por fazerem um bom trabalho, estavam incomodando a concorrência".
O prejuízo financeiro da vítima totalizou US$ 17 mil, um valor que, convertido para a moeda brasileira, ultrapassa os R$ 85 mil. Os comprovantes de pagamento, enviados à reportagem do g1, indicam que as transferências eram feitas para uma conta internacional em nome de Ronaldo, um dos suspeitos posteriormente presos.
Esquema fraudulento
A família da vítima, composta por ela, o marido e três filhos, planejava migrar para os Estados Unidos há cinco anos. A escolha pela Legacy Immigra foi motivada pela indicação de duas amigas, que também sofreram perdas financeiras no mesmo esquema. O objetivo principal era obter a autorização imigratória de forma legal e segura.
Para levantar o montante exigido pela agência, a mulher chegou ao ponto de vender sua casa. Os pagamentos foram feitos de forma parcelada, e a desconfiança começou a surgir entre março e abril do ano passado, aproximadamente dois meses após o fechamento do contrato inicial.
Uma das grandes preocupações da vítima era a legalidade do processo, reiterando: "Nunca, em nenhuma hipótese, pensamos em ir ilegalmente". Ela também apontou a "rotatividade absurda" de funcionários como um fator de crescente insegurança, temendo não conseguir reaver o dinheiro investido.
A dívida com a agência foi integralmente quitada em janeiro deste ano. Contudo, a família permanece em Fernandópolis e não conseguiu efetuar o processo imigratório americano, tendo seu sonho frustrado. Como consequência direta da fraude, a mulher desenvolveu sérios problemas psicológicos.
Em um relato emocionante e doloroso, a vítima expressa a profundidade de sua angústia e frustração: "Há vários dias, sinto dores no meu corpo, mal-estar, insônia e não sei como conduzir. Quero meu dinheiro de volta. As pessoas estão 'sambando' na nossa dor. Muita gente tirando sarro da nossa cara e nos desejando bem feito, mas a gente nunca fez nada de errado".
Investigação e prisão
O esquema da Legacy Immigra veio à tona após uma série de denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados da Flórida, a partir de setembro do ano passado. De acordo com o xerife responsável pelo caso, o grupo se apresentava como uma agência completa de serviços de imigração, com supostos advogados lidando diretamente com os pedidos de seus clientes.
A realidade, contudo, divergia drasticamente do discurso prometido aos clientes. O xerife descreveu a operação como um modelo de negócio "baseado em manipulação, fraude, mentiras e extorsão", através do qual os criminosos teriam enriquecido ilicitamente às custas de pessoas vulneráveis.
Os prejuízos individuais das vítimas da Legacy Immigra variam significativamente, indo de US$ 2.500 a US$ 26 mil. Registros financeiros preliminares indicam que o grupo arrecadou milhões de dólares com o esquema, afetando inúmeras famílias em busca do sonho americano. Para saber mais detalhes sobre a prisão dos envolvidos, <a href="/noticias/prisao-legacy-immigra" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a> e confira a cobertura completa do caso. Você também pode ler outras notícias relacionadas a fraudes imigratórias <a href="/categoria/fraudes-imigratorias" target="_blank" rel="noopener">nesta seção</a> do nosso site.
<b>Conclusão:</b> O caso da brasileira em Fernandópolis é um alerta contundente sobre os riscos de fraudes imigratórias, ressaltando a importância da verificação minuciosa de agências e profissionais antes de investir em processos tão delicados. A busca por um futuro melhor não deve ser obscurecida por promessas enganosas, e a vigilância é crucial para proteger não apenas o patrimônio, mas também a saúde mental e o bem-estar das vítimas. Mantenha-se informado e seguro, buscando sempre fontes e profissionais de confiança.
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