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23 de September de 2026

Câncer de próstata: cura com qualidade de vida é possível, desmistificando impotência e incontinência

Araçatuba
23/09/2026 09:47
Redacao

O câncer de próstata é uma realidade alarmante no Brasil, com uma projeção de 77.920 novos casos por ano entre 2026 e 2028, conforme estimativa recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Excluindo-se os tumores de pele não melanoma, essa é a neoplasia de maior incidência entre os homens brasileiros. Apesar da sua prevalência, o diagnóstico frequentemente traz consigo um medo que transcende a própria doença: a preocupação com a perda da qualidade de vida, especialmente no que tange à função sexual e à continência urinária.

Essa angústia é muito comum nas clínicas urológicas. “Doutor, eu vou ficar impotente? Vou perder urina?”, são perguntas que, para o urologista e cirurgião robótico Ricardo Brandina, professor adjunto do Departamento de Urologia da PUCPR e coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina, muitas vezes surgem antes mesmo das questões sobre a cura da doença. Essa perspectiva reflete uma preocupação legítima do paciente com o impacto do tratamento em sua vida cotidiana e no bem-estar geral.

Quando um homem recebe o diagnóstico de câncer de próstata, a mente se volta para as implicações que vão muito além da condição oncológica. A preocupação se estende à esposa, à manutenção da vida sexual, ao trabalho e à simples possibilidade de necessitar de fraldas. O doutor Brandina enfatiza que a abordagem médica moderna deve ser holística. “Precisamos tratar o homem inteiro, e não apenas a próstata”, afirma o especialista, ressaltando a necessidade de considerar todas as dimensões da vida do paciente no plano terapêutico.

A medicina nos últimos anos testemunhou uma importante mudança de paradigma, ampliando a discussão sobre os resultados esperados pós-tratamento. O foco não se limita mais apenas à eliminação do tumor, mas também à preservação das funções vitais. “O meu objetivo é um só: buscar a cura do câncer com máxima precisão e segurança. E, quando existe indicação cirúrgica, fazer isso preservando ao máximo o controle da urina e a vida sexual do paciente”, explica o urologista. Esta visão é crucial para oferecer uma perspectiva mais completa e esperançosa aos homens diagnosticados.

A evolução da cirurgia robótica ampliou as possibilidades para pacientes com indicação cirúrgica. As plataformas utilizadas atualmente oferecem ao cirurgião visão tridimensional ampliada do campo operatório, instrumentos articulados e recursos que permitem movimentos mais precisos em uma região anatômica onde nervos, vasos sanguíneos, uretra e estruturas relacionadas à continência estão próximos. Essa precisão é fundamental para otimizar os resultados oncológicos e funcionais, minimizando danos aos tecidos adjacentes.

Cirurgia robótica

Essa tecnologia tem transformado significativamente o tratamento do câncer de próstata. A visão magnificada e a estabilidade dos instrumentos reduzem o tremor humano e possibilitam incisões mais acuradas em procedimentos complexos. Esse cenário é particularmente vantajoso na prostatectomia, onde a ressecção do tumor precisa ser radical, mas a preservação da função urinária e sexual depende da integridade de estruturas microscópicas. A tecnologia atua como uma extensão das habilidades do cirurgião, amplificando sua capacidade técnica.

É importante sublinhar, contudo, que a máquina é uma ferramenta. O robô não detém a capacidade de decisão ou a inteligência cirúrgica. “O robô não faz a cirurgia. Ele não decide onde cortar, o que preservar ou qual plano anatômico seguir. Quem opera é o cirurgião. A tecnologia potencializa aquilo que o médico sabe fazer. Por isso, treinamento, experiência e equipe continuam sendo determinantes”, esclarece o doutor Brandina. A habilidade e o julgamento do profissional permanecem como os pilares de um resultado bem-sucedido.

As cirurgias para câncer de próstata podem, de fato, provocar alterações na continência urinária e na função erétil. Contudo, é um equívoco comum encarar esses efeitos como inevitáveis para todos os pacientes. Os resultados são altamente variáveis e dependem de múltiplos fatores, como a idade do paciente, a função sexual prévia ao tratamento, a anatomia individual, a localização e a extensão do tumor, a possibilidade de preservação dos feixes neurovasculares e a técnica cirúrgica empregada.

Diante dessa complexidade, torna-se inviável prever o resultado de forma homogênea para todos. “Não existe promessa de resultado igual para todos, é preciso levar em consideração anatomia, biologia do tumor e individualidade. Mas é errado o homem receber um diagnóstico e imaginar automaticamente que ficará impotente ou incontinente pelo resto da vida”, adverte o especialista. Essa clareza na comunicação é vital para gerenciar as expectativas do paciente e promover um entendimento mais realista do processo.

Felizmente, a medicina moderna oferece estratégias para mitigar esses riscos. Quando existe indicação oncológica e condições anatômicas favoráveis, técnicas de preservação dos feixes neurovasculares podem ser empregadas para tentar manter as estruturas relacionadas à função erétil. Esses feixes são essenciais para a ereção e sua integridade é um dos focos da cirurgia. Além disso, estratégias cirúrgicas voltadas à reconstrução do aparelho urinário contribuem significativamente para a recuperação da continência pós-operatória.

Mitos e fatos

É justamente a possibilidade de discutir o controle da doença e a qualidade de vida de forma conjunta que revolucionou a conversa com os pacientes. Ao apresentar opções e possibilidades de recuperação funcional, os médicos empoderam os homens a tomar decisões informadas e a enfrentar o tratamento com uma perspectiva mais otimista. A meta é garantir que a cura não signifique a perda da dignidade ou do prazer em outras esferas da vida.

O câncer de próstata, em suas fases iniciais, é frequentemente assintomático. Isso significa que a ausência de sinais visíveis não deve ser interpretada como uma garantia de ausência da doença. Por outro lado, alterações urinárias podem estar relacionadas a condições benignas, como a hiperplasia prostática, e não necessariamente ao câncer. A complexidade dos sintomas e a sua ausência reforçam a necessidade de vigilância e informação.

O INCA aponta alguns fatores associados ao maior risco de desenvolvimento da doença: idade avançada, histórico familiar de câncer de próstata e excesso de gordura corporal. A decisão sobre a investigação, que pode incluir o exame de PSA (Antígeno Prostático Específico) e o exame físico (toque retal), deve ser cuidadosamente individualizada. Fatores como a idade, o histórico familiar, a expectativa de vida e os possíveis benefícios e riscos da investigação devem ser ponderados em conjunto com o urologista.

“Se existe histórico familiar ou algum fator de risco, o homem precisa conversar com o urologista e entender qual é o momento adequado para investigar. A informação não serve para gerar pânico, mas sim para permitir que o paciente tome uma decisão consciente”, aconselha o doutor Brandina. Esse diálogo aberto e franco entre médico e paciente é a base para um rastreamento e um tratamento eficazes.

Quando há alterações que demandam investigação aprofundada, exames complementares como a ressonância magnética multiparamétrica podem ser valiosos. Essa ferramenta de diagnóstico avançado auxilia na avaliação detalhada da próstata, na identificação de áreas suspeitas e na definição dos próximos passos, inclusive na decisão sobre a necessidade de biópsia. A precisão desses exames reduz a necessidade de procedimentos invasivos desnecessários e guia a conduta médica de forma mais assertiva.

Cuidado prostático

Cuidar da saúde da próstata é um compromisso contínuo que vai além do consultório médico. A conscientização e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais. Abaixo, cinco atitudes importantes que todo homem deve considerar:

1. <strong>Conheça seu histórico familiar:</strong> O histórico de câncer de próstata em pais ou irmãos aumenta o risco. Compartilhe essa informação com seu médico.

2. <strong>Mantenha uma dieta equilibrada:</strong> Alimentação rica em frutas, legumes e verduras e pobre em gorduras pode contribuir para a saúde prostática.

3. <strong>Pratique atividades físicas regularmente:</strong> A atividade física auxilia no controle do peso e na prevenção de diversas doenças, incluindo o câncer.

4. <strong>Realize exames preventivos conforme orientação médica:</strong> A discussão sobre o rastreamento deve ser individualizada, mas não deve ser ignorada. Converse com seu urologista sobre o melhor momento para iniciar.

5. <strong>Não ignore sintomas urinários:</strong> Embora possam indicar condições benignas, alterações na frequência, urgência ou dificuldade para urinar devem ser investigadas por um especialista.

Essas práticas, aliadas ao acompanhamento médico regular, são essenciais para a detecção precoce e para garantir que, em caso de diagnóstico de câncer de próstata, o caminho para a cura seja percorrido com a máxima preservação da qualidade de vida. O futuro do tratamento está na interseção entre tecnologia, experiência humana e informação acessível. Para mais informações, consulte também outras notícias sobre saúde masculina em nosso portal. <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Leia também: Prevenção do câncer: hábitos que podem reduzir o risco</a>. Para dados mais detalhados sobre a incidência, visite o site do <a href="https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-prostata" target="_blank" rel="nofollow noopener">INCA – Câncer de Próstata: Panorama</a>.



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