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17 de September de 2026

Criolo e a eterna aprendizagem na música brasileira: indicações ao Grammy e palco em Rio Preto

Araçatuba
17/09/2026 13:31
Redacao

Aos 50 anos, com uma trajetória que se estende por quase quatro décadas de dedicação à música e recém-agraciado com duas indicações ao prestigiado Grammy Latino de 2026, o artista Criolo ainda cultiva a visão de um eterno aprendiz. Em entrevista exclusiva antes de sua aguardada apresentação em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, o cantor reafirma seu compromisso com o constante aprimoramento, buscando incessantemente produzir o que ele chama de “música boa de verdade”. Tal postura, que contrasta com o vasto reconhecimento já conquistado, revela a essência de um dos mais influentes nomes da música contemporânea brasileira.

As indicações ao prêmio internacional foram motivo de celebração, marcando um novo patamar na carreira do artista. Seu álbum colaborativo, intitulado “Criolo, Amaro e Dino”, concorre na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro Portuguesa Brasileira, enquanto a emocionante faixa “No Vento de Nós” disputa o reconhecimento como Melhor Canção em Língua Portuguesa. Este reconhecimento global sublinha a relevância e a inovação de sua obra, que transcende barreiras e gêneros musicais.

Apesar dos holofotes e das honrarias, a humildade persiste. “Por enquanto eu sou aprendiz. Ainda me falta aprender muita coisa, ainda me falta aprender fazer música boa”, declarou Criolo ao g1, em uma conversa que antecedeu a revelação das indicações. Essa fala, carregada de sinceridade, não diminui sua arte, mas sim eleva a profundidade de seu compromisso com a criação e a evolução artística. Acompanhe a agenda cultural da região para mais detalhes sobre eventos como este. <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Leia também: Sesc Rio Preto divulga programação cultural completa para o mês.</a>

A declaração de Criolo reflete uma filosofia de vida e de trabalho, indicando que o sucesso não é um ponto final, mas um incentivo para seguir em frente. A busca por novas sonoridades, o estudo constante das raízes e das tendências musicais, e a escuta atenta aos mestres e colaboradores são pilares que sustentam sua jornada. “Eu tenho vultos e tenho pessoas ao meu redor que me fortalecem nesse meu sonho de tentar melhorar. Então acho que ainda falta muita coisa para mim”, complementa o cantor, evidenciando a importância das conexões e inspirações em seu processo criativo.

Este olhar para o futuro e para o aprimoramento contínuo posiciona Criolo não apenas como um músico talentoso, mas como um pensador da música brasileira. Sua capacidade de conciliar o reconhecimento formal com uma autocrítica construtiva é um traço marcante, que ressoa com a complexidade e a riqueza de sua produção artística. A cada nova canção, a cada novo projeto, Criolo parece reconfirmar que a arte é um caminho sem fim, repleto de descobertas e aprendizados.

Entre o reconhecimento internacional e o calor do palco

As indicações ao Grammy Latino chegam em um momento de intensa atividade para Criolo, que vem de um fim de semana marcado por apresentações de grande porte. No sábado, dia 12, o artista incendiou o palco do Rock in Rio, acompanhado pelos talentosos Amaro Freitas e Dino D'Santiago, em uma performance memorável. No dia seguinte, domingo, 13, ele foi um dos destaques do Coala Festival, em São Paulo, celebrando os 15 anos de seu icônico álbum “Nó na Orelha” em um show especial que cativou a plateia.

Agora, nesta quinta-feira, o palco do Sesc de Rio Preto o aguarda para o espetáculo “Criolo 50”, uma imersão na rica tapeçaria de sua carreira, revisitando diferentes momentos de sua trajetória musical. Para Criolo, a apresentação no interior paulista carrega o mesmo peso e a mesma importância dos grandes festivais. A prova disso é a rapidez com que os ingressos para o show em Rio Preto esgotaram, demonstrando o carinho e a expectativa do público local.

“É tão importante quanto estar no Rock in Rio, é tão importante quanto fechar o Festival Coala, e apresentar na vossa cidade, no vosso espaço. É do mesmo jeito”, afirmou o artista, sublinhando a valorização de cada palco e de cada plateia. Essa perspectiva ressalta a autenticidade de Criolo, que enxerga em cada show uma oportunidade única de conexão e troca, independentemente da dimensão do evento. <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2024/01/01/sao-jose-do-rio-preto-tera-shows-de-criolo-e-jorge-ben-jor-em-janeiro-veja-agenda-cultural-do-sesc-e-teatro-municipal.ghtml" target="_blank" rel="noopener">Confira mais sobre a agenda cultural de São José do Rio Preto.</a>

Cheio de experiências e ensinamentos recentes, Criolo traz para Rio Preto não apenas sua música, mas uma energia contagiante. “Eu chego na cidade muito feliz, cheio de alegria”, compartilhou o cantor, prometendo uma noite inesquecível. Essa felicidade é um reflexo da plenitude que ele encontra na arte, na troca com o público e na constante busca por novos horizontes, elementos que o impulsionam a cada nova performance.

As raízes no rap e no samba

Ao revisitar sua vasta carreira, Criolo reencontra as forças primordiais que moldaram sua identidade artística: o rap e o samba. Essas manifestações culturais, intrínsecas ao Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, bairro onde cresceu, foram o alicerce para a construção de sua sonoridade única. É nas ruas e nas comunidades que o artista encontrou a inspiração e a autenticidade que o acompanham até hoje, em cada nota e cada verso.

O Pagode da 27, um dos pilares do samba paulistano, é citado por Criolo como um espaço fundamental de acolhimento e aprendizado. Foi ali que ele aprofundou seus conhecimentos sobre o samba, absorvendo a riqueza melódica e lírica desse gênero tão essencial à cultura brasileira. “Essas forças que regem esse início de tudo vêm comigo até hoje”, ressaltou o cantor, evidenciando a perenidade de suas raízes e a influência contínua em sua produção.

A mistura fluida de gêneros, que se tornou uma marca registrada de sua obra, incluindo rap, samba, reggae e MPB, surgiu de maneira orgânica e natural. Criolo relembra as diversas referências que o acompanharam ao longo da vida, nomes como Raul Seixas, a inigualável Elza Soares, o rei do baião Luiz Gonzaga e o poeta Fagner. Essa tapeçaria musical, tão vasta e diversificada, é a prova da riqueza cultural que o artista absorveu em sua formação.

“Esse popular brasileiro é muito maior que o estereótipo”, afirmou Criolo, desmistificando a ideia de que a música popular possa ser categorizada de forma simplista. Sua visão abraça a pluralidade, reconhecendo que a verdadeira essência da música do Brasil reside em sua capacidade de transcender rótulos e de dialogar com as mais diversas expressões culturais. Essa perspectiva reflete a complexidade e a profundidade de sua própria arte.

A convivência em uma favela, que era um caldeirão cultural com pessoas de diferentes regiões do país – nordestinos, migrantes do Centro-Oeste, do interior paulista e de outras partes do Brasil – ampliou significativamente seu repertório musical. Essa diversidade humana e geográfica foi um celeiro de inspirações, uma fonte inesgotável de ritmos e melodias que, de forma quase inconsciente, se incorporaram à sua identidade sonora.

“Essa variedade musical que o meu território me proporcionou, sem eu perceber, ajudou a construir coisas aqui dentro que, quando eu fui fazer música, tudo isso apareceu como modo de gratidão”, explicou Criolo. Essa gratidão se manifesta em cada composição, em cada arranjo, revelando um artista que soube transformar suas vivências em uma linguagem musical universal, capaz de tocar e emocionar pessoas de todas as origens. <a href="https://www.musica.br/artistas/criolo/biografia" target="_blank" rel="noopener">Saiba mais sobre a biografia de Criolo.</a>

Quinze anos de um disco divisor de águas

O álbum “Nó na Orelha”, que completa 15 anos, também se insere neste momento de celebração e reflexão sobre a carreira de Criolo. Lançado em 2011, o disco foi um divisor de águas, ampliando a projeção nacional do artista e se consolidando como uma referência de sua capacidade ímpar de transitar com maestria por diferentes linguagens e sonoridades musicais. É uma obra que marcou época e continua relevante.

Ao revisitar as canções que compõem este trabalho, Criolo expressa que reconhece o desejo intrínseco de contribuir para uma transformação maior e de acompanhar as pessoas em diferentes fases e desafios da vida. Cada faixa é um convite à introspecção, à reflexão e à busca por sentido, elementos que o artista habilmente tece em suas letras e melodias, tornando a música uma companheira fiel para seus ouvintes.

“Se você tá num mau momento, se essa música ali foi companheira, se esse disco foi companheiro, isso já me enche de gratidão”, revelou Criolo, demonstrando o profundo impacto que a conexão com seu público tem em sua jornada. Essa gratidão é a força motriz que o impulsiona a continuar criando e a buscar a excelência, consciente de que sua arte tem o poder de tocar corações e transformar realidades.

Contudo, o cantor não considera que tenha atingido um ponto final em sua formação. Pelo contrário, a perspectiva é de que o aprendizado é um ciclo contínuo, uma jornada sem destino definitivo. “A eterna música brasileira é muito maior que nós todos”, sentenciou, em uma frase que encapsula sua humildade e seu respeito pela imensidão da arte musical do Brasil, um universo em constante expansão e renovação.

Para Criolo, as lições são eternas e se revelam a cada passo do caminho. “As aulas são eternas, contínuas, desde que você fique atento para perceber os ensinamentos.” Essa visão filosófica sobre a vida e a arte permeia toda a sua obra, convidando o público a também se manter aberto às descobertas e à beleza que reside na constante busca por conhecimento e evolução, tanto na música quanto na existência. <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Leia também: Os álbuns brasileiros que fizeram história no Grammy Latino.</a>

Música brasileira: além dos estereótipos

A trajetória de Criolo, marcada por indicações ao Grammy Latino e shows esgotados, como o de São José do Rio Preto, reafirma a vitalidade e a diversidade da música brasileira, que transcende qualquer estereótipo. A humildade do artista, que se vê como um aprendiz contínuo, é um lembrete de que a verdadeira grandeza reside na constante busca por aprimoramento e na profunda conexão com as raízes culturais. Sua música é um espelho da riqueza do Brasil, que abraça o rap, o samba e todas as nuances que compõem a identidade sonora de um povo. O artista, inclusive, aborda a diversidade musical no interior paulista, muitas vezes associada apenas ao sertanejo, defendendo que há espaço para todos os gêneros.

Acompanhe de perto as próximas novidades sobre Criolo e o universo da música brasileira. Para mais conteúdos exclusivos e entrevistas aprofundadas com grandes nomes da nossa cultura, continue navegando em nosso portal. <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Confira outras notícias e entrevistas em nossa editoria de Cultura.</a>



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