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27 de October de 2026

Eleições de 2026: Jair Bolsonaro prevalece em 137 cidades do interior paulista, Lula vence em sete municípios

Araçatuba
27/10/2026 08:02
Redacao

O segundo turno das Eleições de 2026 desenhou um cenário político com contrastes marcantes nas regiões de São José do Rio Preto e Araçatuba, no interior de São Paulo. Enquanto o candidato do Partido Liberal (PL), Jair Bolsonaro, consolidou sua liderança ao vencer em expressivas 137 cidades, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, conquistou a preferência em sete municípios, alguns deles com viradas e expansão significativa de votos. Os dados, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), oferecem um panorama detalhado da distribuição dos votos na última etapa do pleito.

Apesar do domínio de Jair Bolsonaro na maioria das urnas, Lula não apenas ampliou sua votação em seus redutos como protagonizou uma virada notável em Turmalina, município onde o candidato do PL havia sido o mais votado no primeiro turno. Esse movimento demonstra a dinâmica eleitoral e a capacidade de reversão de cenários em votações pulverizadas pelo interior. A região também registrou uma queda na abstenção, indicando maior engajamento cívico dos eleitores na rodada final da disputa.

A polarização nacional refletiu-se de maneira contundente no interior paulista, uma área conhecida por sua diversidade econômica e social, que se traduz em um mosaico de preferências políticas. A vasta maioria das cidades escolheu a continuidade do projeto de Jair Bolsonaro, solidificando uma base de apoio consistente na região.

Os sete municípios que deram a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva, embora em menor número, são representativos de focos de resistência ou de pautas específicas que ressoaram com parte do eleitorado local. Essa segmentação do voto regional ilustra a complexidade do cenário eleitoral brasileiro, que vai além das grandes capitais e centros urbanos.

A análise pormenorizada dos resultados em cada uma dessas sete localidades revela as nuances de um processo democrático vibrante, onde cada voto contribui para a construção do quadro político nacional e regional. Compreender esses dados é fundamental para mapear as tendências e os desafios futuros.

O mapa eleitoral da região

As vitórias de Lula se concentraram em cidades de menor porte, com características demográficas e socioeconômicas que, em alguns casos, podem ter influenciado o voto. Itapura, por exemplo, um município com 3.979 moradores conforme o Censo de 2022, destacou-se como o maior domínio do petista na região.

Em Itapura, a vantagem do ex-presidente, já expressiva no primeiro turno (62,57% dos votos), expandiu-se ainda mais na rodada final, alcançando 68,61% dos votos válidos contra 31,39% de Jair Bolsonaro. Isso representou um aumento de 262 votos, passando de 1.583 para 1.845 votos, evidenciando uma consolidação de sua base eleitoral no município.

Dolcinópolis, com seus 2.207 habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, também viu Lula ampliar a distância em relação ao seu adversário. Os votos do petista passaram de 972 (53,82%) no primeiro turno para 1.097 (58,01%) no segundo, um acréscimo de 125 votos que reforçou sua liderança local.

A grande surpresa ocorreu em Turmalina, município de 1.669 moradores. No primeiro turno, Jair Bolsonaro havia liderado com 47,08% dos votos contra 44,19% de Lula. No entanto, o cenário se inverteu dramaticamente, com o candidato do PT fechando o segundo turno com 51,25% (776 votos) contra 48,75% (738 votos) do adversário, uma diferença de 38 votos que selou a virada.

Em Castilho, o maior colégio eleitoral dentre os municípios conquistados por Lula, com 19.977 habitantes (Censo 2022), a distância entre os candidatos também cresceu significativamente. A vantagem do petista saltou de 238 votos no primeiro turno para 696 no segundo, com Lula atingindo 52,89% dos votos válidos frente a 47,11% de Bolsonaro, um aumento de 957 votos em sua votação.

A ascensão de Lula em municípios chave

Gastão Vidigal, município com 3.252 habitantes, manteve uma disputa acirrada, mas Lula assegurou a preferência com 52,68% dos votos válidos na apuração final. Sua votação passou de 1.077 (48,91%) para 1.227 votos (52,68%), consolidando sua posição, mesmo com uma margem equilibrada entre as fases do pleito.

A disputa em Populina, com 4.127 habitantes, viu Lula conter o avanço de Jair Bolsonaro e ampliar sua vantagem. Ele passou de 1.317 votos (48,31%) no primeiro turno para 1.520 (52,81%) no segundo, aumentando a diferença de 37 para 162 votos, demonstrando uma estratégia eficaz de mobilização.

São João de Iracema, o menor colégio eleitoral analisado com 1.846 moradores, sustentou a tendência pró-Lula observada na primeira rodada. O candidato do PT encerrou a apuração com 729 votos (52,94%) contra 648 (47,06%) de Jair Bolsonaro, uma frente de 81 votos que manteve a preferência pelo petista.

A análise desses sete municípios revela não apenas as vitórias de Lula, mas também a persistência de certas tendências eleitorais, onde o eleitorado, mesmo em cidades menores, demonstrou capacidade de revisão e consolidação de votos entre os turnos. São, em geral, comunidades com populações mais modestas, o que pode indicar particularidades em suas demandas e percepções políticas.

O amplo domínio de Jair Bolsonaro nas 137 cidades restantes, no entanto, sublinha a forte adesão de grande parte do interior paulista à sua plataforma. Esse resultado massivo é um indicativo do peso político que essas regiões exercem no cenário estadual e nacional, reforçando a complexidade do eleitorado paulista, que frequentemente se divide em linhas distintas entre a capital e o interior.

Análise dos votos e mobilização

A queda na taxa de abstenção nas eleições regionais, embora não quantificada detalhadamente, sugere um aumento da mobilização e do interesse dos eleitores no segundo turno. Este fator é crucial, pois uma maior participação pode impactar diretamente os resultados, especialmente em disputas mais apertadas.

A capacidade de Lula de virar o resultado em Turmalina e expandir sua vantagem em outras localidades, mesmo em um contexto de amplo domínio do adversário, indica a existência de bolsas de apoio ativas e estratégias de campanha que conseguiram reverter ou consolidar preferências. Fatores como a proximidade dos candidatos com as demandas locais ou a mobilização de lideranças comunitárias podem ter desempenhado um papel relevante.

O interior de São Paulo, com sua vasta extensão e diversidade, continua a ser um termômetro importante para a política brasileira. Os resultados observados nas regiões de Rio Preto e Araçatuba são um microcosmo das disputas nacionais, com suas peculiaridades e tendências que merecem um olhar aprofundado.

A distribuição de votos no segundo turno das Eleições de 2026 reitera a necessidade de os analistas políticos considerarem as particularidades regionais. Ações e discursos que ressoam em um determinado grupo de municípios podem não ter o mesmo efeito em outros, mesmo dentro de um mesmo estado.

Este cenário oferece importantes reflexões sobre o engajamento eleitoral e a forma como os eleitores do interior de São Paulo se posicionam diante das escolhas políticas mais amplas. Os resultados são um registro da vontade popular e um guia para futuras estratégias partidárias.

Para aprofundar-se em outros resultados eleitorais e análises políticas, explore nossa seção especial sobre o tema. Leia também: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Como o interior paulista votou nas últimas eleições estaduais</a>.

O segundo turno das Eleições de 2026 nas regiões de Rio Preto e Araçatuba se encerra com um Jair Bolsonaro predominante na maioria dos municípios, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva garante importantes vitórias em um número menor, mas significativo, de cidades. Este mosaico eleitoral, com viradas pontuais e a queda na abstenção, reafirma a vitalidade e a complexidade do processo democrático brasileiro, refletindo as diversas aspirações da população do interior de São Paulo.



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