Carregando...
06 de March de 2026

Famerp analisa medicamento que pode melhorar transplantes de rins

Regional
08/01/2026 09:46
Redacao
Continua após a publicidade...

O sistema de transplante renal no Brasil enfrenta um desafio crítico, marcado por um desequilíbrio alarmante entre a oferta de órgãos e a demanda crescente por parte dos pacientes. Atualmente, mais de 30 mil pessoas aguardam por um transplante renal no país, conforme dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Essa longa fila de espera reflete a urgência de uma condição que afeta a vida de milhares, para quem o transplante é, muitas vezes, a única alternativa eficaz para restaurar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida.

Apesar dos esforços contínuos na captação de órgãos, o cenário é agravado por uma taxa preocupante de descarte. Estima-se que cerca de 30% dos rins provenientes de doadores falecidos sejam inutilizados anualmente. Essa rejeição não se dá necessariamente pela inviabilidade intrínseca do órgão, mas sim por não atenderem a critérios considerados ideais no momento da avaliação pré-transplante, visando minimizar riscos e otimizar os resultados pós-operatórios para o receptor.

A complexidade se intensifica com a recusa frequente de rins provenientes dos chamados “doadores de critérios estendidos” — indivíduos com idade mais avançada ou comorbidades preexistentes. Embora muitos desses órgãos possuam potencial de uso seguro e eficaz, são frequentemente descartados devido ao percebido maior risco de complicações, como a disfunção renal temporária pós-operatória. Essa cautela, por vezes limitante, contribui diretamente para a escassez de órgãos disponíveis, intensificando o paradoxo de um sistema que busca salvar vidas enquanto vê um terço dos rins captados sendo descartados anualmente.

Promissora solução

A pesquisa brasileira em transplantes renais ganha um novo e promissor aliado: o anakinra. Este fármaco, já consolidado no tratamento da artrite reumatoide e aprovado no Brasil, está sendo investigado por cientistas da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto) como uma solução anti-inflamatória pré-transplante. A inovadora estratégia visa mitigar os processos inflamatórios que afetam os rins de doadores falecidos, com o objetivo primordial de ampliar o aproveitamento de órgãos vitais e aprimorar significativamente os resultados clínicos para os receptores. Coordenado pelos renomados professor doutor Mário Abbud Filho e professora doutora Heloísa Cristina Caldas, o estudo já recebeu reconhecimento internacional, sendo eleito o melhor trabalho científico no Congresso Latino-Americano de Transplantes em outubro de 2025, evidenciando seu potencial transformador.

A necessidade de uma intervenção como o anakinra é premente no cenário do transplante renal brasileiro. Atualmente, o país enfrenta um grave desequilíbrio entre a oferta e a demanda, com mais de 30 mil pacientes na fila de espera. Um dos grandes desafios é a alta taxa de descarte: cerca de 30% dos rins de doadores falecidos são inviabilizados anualmente devido a critérios considerados não ideais. Essa perda está intrinsecamente ligada aos danos inflamatórios sofridos pelos órgãos durante o período de isquemia fria – tempo em que o rim permanece fora do corpo, sem oxigenação adequada e sob baixas temperaturas. Tais condições comprometem a função inicial do rim transplantado, levando à disfunção renal temporária pós-operatória, prolongando a diálise e o tempo de internação hospitalar.

Nesse contexto, o anakinra emerge como uma solução particularmente atraente e viável para otimizar a condição dos órgãos. Conforme destaca o nefrologista Dr. Mário Abbud Filho, a principal vantagem é utilizar “uma droga segura e já incorporada à prática médica para melhorar a condição do órgão antes do implante”. Sua ação anti-inflamatória tem o potencial de reverter ou atenuar os danos celulares acumulados, tornando órgãos que seriam descartados, incluindo aqueles de doadores de critérios estendidos (idade avançada ou comorbidades), aptos para o transplante. Em comparação com tecnologias de alto custo, como a perfusão renal em máquina, que limita sua aplicação em larga escala no Brasil, o anakinra oferece uma alternativa farmacológica mais acessível e promissora para otimizar a recuperação e a preservação renal, abrindo caminho para mais transplantes bem-sucedidos.

Metodologia e reconhecimento

A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) está na vanguarda de uma pesquisa revolucionária que propõe uma nova metodologia para otimizar o uso de rins para transplantes no Brasil. Sob a coordenação dos renomados Prof. Dr. Mário Abbud Filho e Profa. Dra. Heloísa Cristina Caldas, docentes do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da instituição, o estudo investiga o potencial do anakinra. Este fármaco, já aprovado no país para o tratamento da artrite reumatoide, é avaliado como uma estratégia farmacológica inovadora para reduzir processos inflamatórios em rins de doadores falecidos antes do implante. A abordagem busca solucionar um dos gargalos críticos no sistema de transplantes: a preservação e a viabilidade dos órgãos, visando ampliar o aproveitamento de órgãos e melhorar os resultados clínicos pós-transplante.

A metodologia da pesquisa da Famerp foca em combater a disfunção renal pós-transplante, que afeta a maioria dos receptores e é frequentemente causada por condições de preservação do órgão. O período em que o rim permanece fora do corpo, submetido a baixas temperaturas e sem oxigenação adequada (isquemia fria), favorece processos inflamatórios que comprometem seu funcionamento inicial. Em vez de depender de tecnologias de alto custo e acesso limitado no Brasil, como a perfusão renal em máquina, os cientistas da Famerp propõem uma solução farmacológica mais acessível e já testada.

Professores Mario, Heloisa Costa e a pesquisadora Ludimila  - Reprod./Redes Sociais
Professores Mario, Heloisa Costa e a pesquisadora Ludimila – Reprod./Redes Sociais

O anakinra é administrado para mitigar os danos inflamatórios, especialmente em rins de doadores de critérios estendidos — aqueles com idade avançada ou comorbidades — que frequentemente são descartados, apesar de seu potencial de uso seguro. Essa abordagem promete ampliar significativamente o número de órgãos transplantáveis e melhorar os resultados clínicos iniciais para os receptores, reduzindo a necessidade de diálise prolongada e o tempo de internação hospitalar.

A relevância e o rigor científico da pesquisa da Famerp não passaram despercebidos. O estudo foi agraciado com o prestigiado prêmio de ‘melhor trabalho científico’ no Congresso Latino-Americano de Transplantes, realizado em outubro de 2025, no Paraguai. Esse reconhecimento internacional sublinha a originalidade e o impacto potencial da metodologia proposta pelos pesquisadores brasileiros. Com o apoio fundamental da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a iniciativa da Famerp não só projeta a instituição no cenário científico global, mas também acende uma luz de esperança para os mais de 30 mil brasileiros que aguardam um transplante renal, oferecendo uma alternativa promissora para aumentar a disponibilidade e a qualidade dos órgãos e, consequentemente, salvar mais vidas.

A incorporação de soluções como o anakinra pode redefinir o paradigma da captação e preservação de órgãos. Diante de mais de 30 mil pessoas aguardando por um transplante renal no país e uma taxa de descarte de cerca de 30% dos rins de doadores falecidos anualmente, a necessidade de estratégias eficazes é urgente. O fármaco atua combatendo a inflamação que ocorre quando o rim é privado de oxigenação e submetido a baixas temperaturas, processo que compromete seu funcionamento inicial após o implante. Ao melhorar a condição desses órgãos antes do transplante, espera-se diminuir a incidência de disfunção renal temporária no pós-operatório, reduzindo a dependência de diálise e o tempo de internação hospitalar para os receptores.

A tecnologia de perfusão renal em máquina, embora altamente eficaz na preservação e recuperação de rins, possui um alto custo que limita sua aplicação em larga escala no SUS. É aqui que o anakinra se destaca como uma alternativa farmacológica potencialmente mais acessível e escalável. Ao focar em rins de doadores de critérios estendidos – como os de idade avançada ou com comorbidades –, a pesquisa busca oferecer uma ferramenta para recuperar e tornar viáveis órgãos que, de outra forma, seriam recusados. Essa abordagem combinada, onde o anakinra otimiza a qualidade do órgão e a tecnologia (quando acessível) aprimora a preservação, aponta para um futuro onde o acesso a transplantes seguros e eficazes será mais democrático, impactando diretamente as longas filas de espera e a qualidade de vida dos pacientes brasileiros.

Leia também Jovem é exemplo de batalha contra o câncer e rede de apoio familiar

Se inscreva em nosso canal do youtube: Agora no Interior



Compartilhe esse post:


Top

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.