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15 de July de 2026

Festa junina em hospital humaniza tratamento renal e renova esperança de pacientes

Araçatuba
15/07/2026 08:01
Redacao
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A rigidez do ambiente hospitalar e a rotina exaustiva de um tratamento renal complexo foram quebradas de forma lúdica e sensível na Santa Casa de Votuporanga, interior de São Paulo. Pacientes da ala de diálise foram surpreendidos por uma festa junina, um “arraiá” completo com decoração caipira, sanfoneiros ao vivo e comidas típicas cuidadosamente adaptadas às restrições médicas.

Realizada no início de julho, a iniciativa, fruto de uma parceria com a Associação dos Pacientes Renais de Votuporanga (Aprevo), trouxe um sopro de alegria e leveza para dezenas de pessoas que dependem da hemodiálise. Mais do que um evento festivo, a ação simboliza um esforço contínuo para humanizar o cuidado em saúde, reconhecendo as necessidades emocionais e sociais dos pacientes.

O tratamento dialítico é vital, mas impõe uma dedicação intensa e um custo físico e emocional considerável. Muitos pacientes passam horas conectados às máquinas várias vezes por semana, o que frequentemente resulta em um desgaste contínuo, permeado por sentimentos de cansaço e isolamento.

Para mitigar essa rotina exaustiva, voluntários e profissionais de saúde da unidade hospitalar se uniram, vestindo trajes caipiras e levando a música e o clima festivo para dentro da ala médica, onde as sessões de diálise são realizadas.

Gilberto Rezende da Silva, de 42 anos, é um desses pacientes. Ele se desloca três vezes por semana de Valentim Gentil a Votuporanga para realizar o tratamento. Em depoimento, Gilberto compartilhou a dificuldade de sua rotina: “A gente sabe que depende disso para poder ter uma vida normal. Só que é muito cansativo e demorado. O dia a dia se torna algo exaustivo”.

Rotina aliviada

Seis meses após o início das sessões de diálise, Gilberto enfatiza o impacto positivo de ações como o arraiá. Segundo ele, iniciativas desse tipo são fundamentais para elevar a autoestima dos pacientes e suavizar a seriedade do ambiente hospitalar, promovendo um bem-estar que transcende o tratamento clínico.

“Quando a gente não faz o tratamento, o resultado é bem pior. Esse tipo de iniciativa deixa a gente mais alegre. O evento deixou o dia bem melhor do que os dias normais”, complementou Gilberto, destacando a importância de momentos de descontração para sua saúde mental.

Além da música e da comida adaptada, a decoração típica e os trajes caipiras foram elementos cruciais para criar um clima de pertencimento e aconchego. Para muitos pacientes, a festa junina na ala de diálise resgatou memórias afetivas, proporcionando a sensação de estar em casa, mesmo em meio ao tratamento.

Dimas Geraldo, presidente da Aprevo, reforçou a missão da associação e a relevância da parceria. “A nossa missão é apoiar o paciente renal em todas as suas necessidades, e cuidar do sorriso e da autoestima deles faz parte disso. Ver a alegria nos olhos de cada um ao ouvir a sanfona e celebrar o Arraiá nos mostra que estamos no caminho certo”.

Ele acrescentou que “essa parceria é fundamental para humanizar o tratamento e mostrar que a vida continua cheia de momentos felizes”, evidenciando o compromisso com o cuidado integral e o conforto emocional dos assistidos pela instituição.

Vínculos e saúde

A psicóloga da unidade, Luciana Maranho, salienta que o ambiente festivo tem um papel direto na adesão ao tratamento e no alívio do estresse hospitalar. “O tratamento dialítico exige muito do paciente, tanto física quanto emocionalmente, mudando drasticamente a sua rotina”, explicou a profissional.

Luciana Maranho detalhou ainda que “quando trazemos o arraiá para dentro da sala de diálise, nós quebramos a rigidez do ambiente hospitalar e resgatamos memórias afetivas, vínculos e a sensação de pertencimento. Esse acolhimento humanizado fortalece a saúde mental deles, transformando o espaço da terapia em um lugar de vida, celebração e esperança”.

Os detalhes da festa, como a música dos sanfoneiros ao vivo e os pratos típicos adaptados, demonstram o cuidado em harmonizar a celebração com as necessidades médicas, garantindo que o momento de lazer seja seguro e prazeroso para todos os participantes.

O engajamento de toda a equipe, desde voluntários a profissionais de saúde, que se vestiram a caráter, foi essencial para criar a atmosfera acolhedora e festiva, quebrando a monotonia e a seriedade do cotidiano de um hospital. Este tipo de ação minimiza o impacto psicológico do tratamento crônico e melhora a qualidade de vida.

A iniciativa da Santa Casa de Votuporanga serve como um valioso exemplo de como a criatividade e a empatia podem transformar a experiência do paciente, estendendo o cuidado para além da dimensão clínica e abraçando o ser humano em sua totalidade, com suas complexas necessidades emocionais e sociais.

Humanização essencial

A festa junina na ala de diálise da Santa Casa de Votuporanga é um testemunho poderoso da humanização hospitalar, mostrando que a parceria entre instituições e a sensibilidade de suas equipes podem fazer uma diferença substancial na vida de pessoas em tratamento intensivo. <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2023/07/28/de-office-boy-a-diretor-veja-as-funcoes-exercidas-pelo-funcionario-numero-1-de-empresa-ao-longo-de-76-anos-de-carreira-no-interior-de-sp.ghtml" target="_blank" rel="noopener">Leia também: De office boy a diretor: a trajetória de um funcionário número 1</a>.

Iniciativas como essa não só aliviam o sofrimento e o estresse inerentes a longos tratamentos, mas também reafirmam a dignidade dos pacientes, demonstrando que, mesmo diante de graves desafios de saúde, a vida pode e deve ser celebrada com alegria, esperança e um profundo senso de comunidade. <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/kidney-diseases" target="_blank" rel="noopener">Saiba mais sobre doenças renais na OMS</a>.



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