Fotos de corpos colocam em xeque versão policial de emboscada que matou quatro em Icaraíma
Quase um ano após a emboscada que resultou na morte de quatro homens em Icaraíma, no Paraná, uma nova reviravolta no caso levanta sérias dúvidas sobre a versão policial. A advogada Josiane Monteiro, que representa os parentes de três das vítimas, revelou que fotografias dos corpos, anexadas ao processo judicial, apresentam indícios que contestam a dinâmica inicial do crime. As imagens sugerem possíveis sinais de tortura e uma cronologia diferente dos eventos, colocando em xeque a narrativa das autoridades de que os falecimentos foram instantâneos e sem cativeiro.
A trágica viagem para cobrar uma dívida
A história começou em agosto de 2025, quando Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso partiram de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. O destino era Icaraíma, no Paraná, onde se encontrariam com Alencar Gonçalves de Souza, que os havia contratado para uma cobrança de dívida. Os quatro homens foram vistos pela última vez em 5 de agosto, iniciando um período angustiante de 44 dias de desaparecimento.
A busca pelos desaparecidos chegou ao fim em 18 de setembro, quando seus corpos foram encontrados. As vítimas estavam enterradas em uma propriedade rural particular na cidade paranaense, apresentando diversas marcas de tiros. O achado dos corpos confirmou a tragédia e abriu uma complexa e sensível investigação sobre as circunstâncias das mortes.
Os principais suspeitos de envolvimento nas mortes são Antônio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22. Ambos são considerados foragidos da Justiça desde 9 de agosto de 2025, poucos dias após o último avistamento das vítimas. A defesa dos Buscariollo tem afirmado acreditar na inocência de seus clientes, aguardando os desdobramentos do inquérito e do processo judicial.
Contestações à versão da polícia
A versão inicial da Polícia Civil do Paraná apontava que as vítimas foram baleadas logo ao chegar à propriedade, em um ataque coordenado que teria envolvido pelo menos cinco armas de fogo de calibres variados, disparadas de três pontos distintos. Os laudos periciais indicaram, inclusive, a utilização de um fuzil no crime, caracterizando uma emboscada violenta.
Segundo a investigação policial, a picape utilizada pelos homens foi atingida em diferentes partes – lado esquerdo, traseira e frente. Essa linha de investigação concluiu que os quatro homens não foram sequestrados, nem mantidos em cativeiro ou torturados, e que as mortes ocorreram de forma instantânea devido à gravidade dos ferimentos, em conformidade com o relatório da Polícia Civil divulgado anteriormente.
Após serem assassinados, ainda de acordo com a tese policial, os corpos foram transportados dentro do próprio veículo até uma cova onde foram enterrados. O carro, por sua vez, teria sido levado para um bunker e também sepultado, numa tentativa de ocultar as provas e o crime por completo, consolidando a narrativa oficial que norteava as ações das autoridades.
Imagens que desafiam o relatório oficial
Contudo, a advogada Josiane Monteiro apresenta uma perspectiva divergente, baseada em evidências fotográficas dos corpos que foram anexadas ao processo. Segundo ela, essas imagens indicam que os homens não teriam sido mortos dentro da caminhonete, como divulgado inicialmente pela polícia, e reforçam a teoria de que foram torturados. As fotos mostram ferimentos compatíveis com tentativas de defesa e cortes pelo corpo, sugerindo uma luta ou agressões prévias.
Um dos detalhes mais chocantes revelados pelas fotografias é a imagem de uma das vítimas amarrada e sem uma das orelhas. Este achado, em conjunto com a declaração de óbito que apontou traumatismo craniano, fortalece a tese da advogada de que houve tortura antes das mortes, contradizendo diretamente a conclusão policial de que os falecimentos foram instantâneos e sem cativeiro.
“São elementos que precisam ser esclarecidos. As imagens levantam questionamentos importantes sobre a forma como essas mortes aconteceram”, afirmou a advogada, ressaltando a urgência de reavaliar a dinâmica dos acontecimentos. Josiane Monteiro também informou que precisou recorrer à Justiça para ter acesso às fotografias que embasam suas alegações. Para mais detalhes sobre o acesso a informações em investigações criminais, <a href="https://www.exemplo.com.br/materia/acesso-a-informacao-justica" target="_blank">leia esta reportagem</a>.
O posicionamento da Polícia Civil
Procurado pela reportagem e questionado sobre as novas evidências, o delegado Thiago Andrade Inacio, responsável pela investigação, informou que, até o momento, não existem elementos novos que justifiquem qualquer alteração nas informações já oficialmente divulgadas pela Polícia Civil do Paraná. A corporação mantém a sua linha de investigação inicial.
De acordo com o delegado, as evidências periciais reunidas até o momento continuam a indicar que as vítimas morreram instantaneamente em razão dos disparos em regiões vitais do corpo, como a orelha, o que afastaria a ocorrência de cativeiro ou tortura antes dos óbitos. Essa reafirmação mantém a linha de investigação original, sem reconhecer as novas interpretações das fotografias como elementos que alterem o curso da apuração.
“Reafirmo que, até o presente momento, não há qualquer elemento novo na investigação que justifique a alteração, complementação ou retificação das informações já oficialmente divulgadas pela Polícia Civil do Paraná”, reiterou o delegado Inacio. A polícia também se manifestou sobre a corda encontrada junto a uma das vítimas, um dos pontos de discórdia.
A investigação policial sugere que a corda pode ter sido utilizada para arrastar o corpo até a cova clandestina, que estava localizada em uma área de difícil acesso e cercada por densa vegetação. Conforme a polícia, não há provas que indiquem que a corda tenha sido usada para restringir a liberdade da vítima ou para a prática de tortura, mantendo a versão de que os homens não foram submetidos a sofrimento prolongado antes da morte. Para acompanhar outras notícias sobre crimes de grande repercussão, <a href="https://www.exemplo.com.br/categoria/policia-e-justica" target="_blank">confira outras matérias aqui</a>.
A divergência entre as alegações da advogada das famílias e o posicionamento da Polícia Civil do Paraná lança uma nova luz sobre a emboscada que vitimou os quatro homens em Icaraíma. Enquanto as autoridades mantêm a tese de mortes instantâneas e sem tortura, as fotografias dos corpos, com indícios de ferimentos e amarrações, exigem um olhar atento e um aprofundamento das análises para que a verdade dos fatos seja plenamente estabelecida. A busca por justiça para Robishley, Rafael, Diego e Alencar permanece em aberto, dependendo da elucidação de cada um desses elementos conflitantes que permeiam o processo judicial. O caso continua a ser um ponto de grande atenção para as autoridades e para a comunidade local.
Mais Recentes
Leia Também
-
Seis funcionários do Banco do Brasil são feitos reféns durante assalto em Bauru
-
Posto é lacrado por vender gasolina adulterada e caso vai parar na delegacia
-
DIG esclarece homicídio com corpo carbonizado em Porsche incendiado
-
Três pessoas são presas com mais de 800 kg de drogas em condomínio na região de Bauru
Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.









