Gerente de garagem é preso em Rio Preto por esquema milionário de golpes com veículos
A Polícia Civil de São José do Rio Preto (SP) prendeu na tarde da última sexta-feira (17) Emmanuel Benetiz, gerente de uma garagem de veículos, sob a acusação de envolvimento em um elaborado esquema de fraudes contra clientes. A prisão ocorre após a Justiça expedir um mandado, em um caso que já aponta para um prejuízo total estimado em R$ 2 milhões e que lesou dezenas de vítimas.
Benetiz se apresentou voluntariamente à delegacia para cumprir a ordem judicial e, em seguida, foi encaminhado à carceragem da cidade. A medida cautelar de prisão preventiva havia sido determinada pela Justiça na quinta-feira (16), reforçando a gravidade das acusações que pesam contra ele e outros envolvidos no esquema.
O gerente é apontado como um dos principais articuladores do golpe ao lado do proprietário da garagem, Rodrigo Junior Veronezi, que também está sob investigação. Veronezi já havia sido preso anteriormente, em 23 de março, na cidade de Goiânia (GO), a mais de 500 quilômetros de São José do Rio Preto, evidenciando a abrangência territorial do esquema criminoso.
Ambos, Rodrigo e Emmanuel, são identificados pelas autoridades como os autores intelectuais e operacionais de uma série de golpes que causaram danos financeiros consideráveis a consumidores que buscavam negociar seus veículos. O <i>g1 Rio Preto e Araçatuba</i>, responsável pela apuração inicial, informou estar tentando contato com a defesa dos investigados para obter um posicionamento oficial.
Entre os casos noticiados, uma vítima de São José do Rio Preto (SP) relatou um prejuízo individual de R$ 36 mil, uma cifra que ressalta o impacto devastador das fraudes na vida de cada lesado. O somatório dos prejuízos estimados já atinge a marca dos dois milhões de reais, revelando a dimensão do crime.
A mecânica do golpe
A investigação detalha que Emmanuel Benetiz tinha um papel crucial na captação de novas vítimas para o esquema. Ele utilizava plataformas na internet para oferecer a consignação de veículos na loja, convencendo os proprietários de que a modalidade traria bons retornos financeiros e agilidade na venda. Além disso, Benetiz participava ativamente, em conjunto com Rodrigo, das reuniões presenciais que selavam os acordos e induziam as pessoas a acreditar na lisura e na lucratividade das propostas apresentadas.
Por sua vez, Rodrigo Junior Veronezi, o proprietário da garagem, era o responsável pelas manobras mais graves e ilegais, atuando diretamente na parte documental e financeira das fraudes. Ele financiava os veículos dos clientes sem qualquer autorização ou consentimento dos verdadeiros donos. Para isso, falsificava assinaturas em cartório, permitindo a transferência irregular dos automóveis para terceiros de boa-fé, que desconheciam a origem ilícita da documentação.
Após a falsificação e a transferência fraudulenta, Veronezi vendia os carros no mercado, mas jamais repassava os valores correspondentes aos proprietários originais. Este ciclo de engano criava uma situação complexa e lesiva para todas as partes envolvidas, deixando vendedores sem seu dinheiro e compradores com problemas jurídicos.
Como resultado dessa cadeia de ilegalidades, os compradores que adquiriam os veículos da garagem encontravam dificuldades intransponíveis para regularizar a documentação. Isso ocorria porque os antigos proprietários, que nunca recebiam o pagamento prometido pela venda de seus bens, se recusavam a assinar a documentação final de transferência, mantendo os veículos em um limbo jurídico e financeiro, prejudicando a todos os envolvidos de forma direta.
Os indícios contra a dupla culminaram com o indiciamento formal pela Polícia Civil em 8 de abril. Durante o processo investigativo, os policiais conseguiram identificar 37 vítimas cujos casos fundamentaram o indiciamento da dupla por estelionato e outros crimes. Contudo, o delegado Jonathan Marcondes, responsável pelo inquérito, estima que o número real de pessoas lesadas seja significativamente maior, atingindo pelo menos 134 indivíduos afetados pelo esquema.
O caminho da justiça
A fala do delegado Marcondes sublinha a amplitude do problema e a dificuldade em quantificar todas as ramificações do crime, que se estendeu por um período considerável. A Polícia cumpriu diversos mandados em endereços ligados a Rodrigo Veronezi e à própria garagem, buscando mais provas e elucidando a extensão exata das operações fraudulentas da dupla e de possíveis outros envolvidos.
Após a conclusão da fase de indiciamento, o inquérito policial foi devidamente encaminhado à Justiça, onde terá prosseguimento o processo penal contra Emmanuel Benetiz e Rodrigo Junior Veronezi. A expectativa é que, com a prisão do gerente, novas informações surjam e ajudem a solidificar as provas contra os investigados, garantindo a devida responsabilização legal.
Este caso serve como um alerta importante para a população, especialmente para aqueles que buscam vender ou comprar veículos por meio de consignação ou intermediários. A necessidade de verificar a idoneidade das empresas, a reputação dos vendedores e de todos os documentos envolvidos em transações de alto valor é crucial para evitar cair em armadilhas semelhantes, que podem gerar grandes prejuízos e dores de cabeça.
A prisão de um dos principais nomes por trás do esquema de golpes em São José do Rio Preto representa um passo significativo na busca por justiça para as dezenas de vítimas lesadas. A sociedade aguarda agora os próximos desdobramentos judiciais para que os responsáveis sejam devidamente penalizados e para que episódios como este sejam cada vez mais prevenidos no futuro.
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