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13 de March de 2026

Golpe em garagem de veículos em Rio Preto gera prejuízo milionário e une vítimas

Araçatuba
13/03/2026 08:01
Redacao
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São José do Rio Preto, no interior paulista, tornou-se palco de um esquema de estelionato que causou prejuízo a dezenas de proprietários de veículos. Um empresário do ramo de garagens é o principal suspeito de aplicar golpes que, segundo a Polícia Civil, já lesaram ao menos 30 pessoas oficialmente, mas o número pode ser muito maior. O <i>modus operandi</i> envolvia o financiamento de veículos sem autorização dos legítimos proprietários e a falsificação de assinaturas para a transferência irregular dos automóveis, gerando uma complexa teia de fraudes que atinge tanto vendedores quanto compradores.

O golpe foi descoberto quando vítimas, como Carlos Miguel Rós, de Bady Bassitt (SP), começaram a perceber que o valor da venda de seus carros não era repassado. Carlos, que deixou um veículo avaliado em R$ 36 mil em consignação na garagem do suspeito em 16 de janeiro, não recebeu o pagamento meses após a suposta venda. Esta situação é um exemplo da gravidade e da extensão do problema que agora se desenrola na região.

O esquema de fraudes e as primeiras vítimas

A mecânica do golpe era Engenhosa. O dono da garagem supostamente utilizava a confiança depositada pelos proprietários para financiar seus veículos em nome de terceiros, ou mesmo vendê-los sem a devida autorização. Para formalizar as transações fraudulentas, assinaturas eram falsificadas em cartório, permitindo a transferência dos carros de forma ilícita. Enquanto isso, o dinheiro das vendas não chegava aos bolsos dos verdadeiros donos dos veículos. Consequentemente, os compradores dos automóveis, também enganados, ficavam impossibilitados de regularizar a documentação, pois os proprietários originais jamais haviam recebido o pagamento, tornando as transações nulas.

Carlos Miguel Rós, proprietário de uma oficina em Bady Bassitt, relatou ao g1 a frustração e o desamparo. Após a venda de seu carro de R$ 36 mil e o não repasse do valor, ele buscou a garagem no bairro Vila Maceno, em 11 de março, apenas para encontrá-la abandonada. "Eu fui o primeiro a chegar, por volta das 8h, para tentar receber o dinheiro, mas a loja estava fechada. Perguntei ao pessoal da oficina ao lado e eles disseram que já era para estar aberta. Depois, mais pessoas começaram a chegar e, aí, percebemos que era um golpe", contou Miguel, evidenciando o momento em que a verdade começou a vir à tona.

O relato de Miguel não era isolado. Outras vítimas compartilharam experiências semelhantes, mencionando que o suspeito marcava encontros para efetuar os pagamentos, mas desaparecia, deixando-os diante de estabelecimentos fechados e com a certeza de que haviam sido enganados. A cada novo depoimento, a dimensão do golpe se tornava mais clara, revelando a audácia do empresário e o impacto devastador em suas vítimas.

A união dos lesados e a busca por justiça

Diante da evidência de um golpe em larga escala, as vítimas rapidamente se uniram. Em pouco tempo, um grupo de mais de 30 pessoas se comunicou e formou uma força-tarefa por meio de um aplicativo de conversas, buscando justiça e maneiras de reaver seus bens e prejuízos. Até a última atualização desta reportagem, o grupo já contava com mais de 120 integrantes, com novas denúncias surgindo constantemente, o que demonstra a amplitude ainda desconhecida do esquema. Veja mais sobre casos semelhantes em <a href="#" target="_blank" rel="noopener">outras cidades</a>.

Miguel, que conheceu o suspeito por indicação de um cliente que já havia realizado vendas bem-sucedidas com o empresário, jamais imaginou que seria alvo de um esquema tão elaborado. A confiança no "novo no mercado, mas profissional de confiança", como descrevia o conhecido, foi traída. A experiência do cliente anterior serviu como uma falsa garantia de credibilidade, permitindo que o golpista agisse com maior liberdade e persuadisse mais vítimas a consignar seus bens.

O carro de Carlos foi, posteriormente, localizado em Fernandópolis (SP), de onde o novo comprador entrou em contato, tentando, sem sucesso, transferir a documentação. "O comprador me ligou dizendo que não conseguia transferir o carro. Eu expliquei que não seria possível, porque eu também não recebi o pagamento. Falei que a gente caiu em um golpe e que agora está resolvendo tudo com advogados", detalhou Miguel, revelando o nó jurídico e financeiro criado pelo empresário.

Além das vendas fraudulentas, Miguel contou que o suspeito usava uma tática de "despiste": quando algum cliente reclamava, ele deixava o carro de outra pessoa para trás, alegando que o veículo era dele, quando, na verdade, pertencia a terceiros. Com a revelação do golpe, diversas vítimas agora se veem em posse de carros que não são legalmente delas, adicionando mais uma camada de complexidade e prejuízo à situação.

A investigação policial e os próximos passos

O caso está sob investigação da Polícia Civil, que instaurou um inquérito por estelionato. O delegado responsável, Jonathan Marcondes, esclareceu que o suspeito está incomunicável desde o início das denúncias, o que reforça a tese de um golpe planejado. "Dado o número expressivo de vítimas, nós estamos tratando com a ideia inicial de que ele [investigado], desde o começo, já planejava esse tipo de golpe… Nós temos 30 pessoas que já procuraram a delegacia, porém há outras que fazem boletim de ocorrência em outras delegacias ou pela internet nas suas cidades. Nós acreditamos que possa vir pelo menos o dobro de vítimas", afirmou o delegado, indicando que o esquema pode ter ramificações em outros municípios e um número final de lesados muito superior aos 30 inicialmente registrados. Para mais detalhes sobre investigações policiais, acesse o site da <a href="https://www.policiacivil.sp.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">Polícia Civil de São Paulo</a>.

Como parte das ações para mitigar os prejuízos e reaver os bens, os documentos dos veículos envolvidos nas fraudes estão sendo bloqueados. Essa medida visa evitar novas transferências ilegais e possibilitar a recuperação dos automóveis pelos seus legítimos donos, ao mesmo tempo em que a Polícia Civil trabalha para calcular o prejuízo total causado pelo esquema. A apuração continua para desvendar todos os detalhes e responsabilizar o autor das fraudes, trazendo um alento às famílias e indivíduos afetados.

O caso de São José do Rio Preto ressalta a importância da cautela nas transações comerciais de veículos e a necessidade de verificar a idoneidade dos intermediários. Enquanto a Polícia Civil avança na investigação, as vítimas continuam unidas, buscando uma resolução para o prejuízo material e a quebra de confiança. A expectativa é que a justiça seja feita e que o responsável pelas fraudes seja devidamente punido, servindo de alerta para o mercado e para os consumidores. Leia também: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Como se proteger de golpes na compra e venda de carros</a>.



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