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26 de October de 2026

A persistência do voto: Idosa de 89 anos celebra a democracia brasileira

Araçatuba
24/10/2026 20:02
Redacao

Em um cenário nacional onde a abstenção eleitoral frequentemente levanta debates sobre o engajamento cívico, a história de Else Pazin, uma moradora de Urupês, no interior de São Paulo, ressoa como um potente lembrete do valor inerente ao sufrágio. Aos 89 anos, Dona Else não apenas faz questão de comparecer às urnas, mas considera o ato de votar um imperativo de sua cidadania, um privilégio construído após décadas de transformações políticas no Brasil.

Sua determinação em exercer o direito democrático é particularmente notável para quem testemunhou períodos de repressão e a posterior redemocratização do país. Para Else Pazin, ir às urnas não é apenas cumprir um dever, mas celebrar uma liberdade que já foi cerceada. Em um momento em que milhões de eleitores optam por não participar, sua voz se ergue como um testemunho vivo da importância de cada voto.

Conforme revelado ao g1, Dona Else demonstrou sua convicção no primeiro turno das eleições e aguardava ansiosamente pelo segundo, ciente do peso de sua contribuição. Sua postura é um contraponto direto à alta taxa de abstenção observada no último pleito, que superou os 33,4 milhões de eleitores — representando 21,08% do eleitorado apto, o nível mais elevado desde 1998. Em São Paulo, esse percentual atingiu 22,56%, com mais de 7,6 milhões de cidadãos ausentes.

A voz da experiência nas urnas

A fala de Else Pazin é um manifesto de comprometimento cívico. “Eu acho isso importante, por quê? Nós somos cidadãos, nós precisamos tomar uma atitude sobre as eleições”, comenta a eleitora. Essa perspectiva é forjada por uma vida que atravessou os 21 anos do regime autoritário no Brasil, entre 1964 e 1985, culminando na conquista da redemocratização. Para ela, negligenciar o voto nos dias atuais é uma atitude incompreensível.

Sua vivência durante o período ditatorial confere uma profundidade ímpar à sua visão sobre o voto. Ela pontua as dificuldades enfrentadas pela população, os anos em que a participação política ativa era uma utopia para muitos. “Poder votar é uma coisa maravilhosa. É possível ajudar o Brasil a melhorar e ser mais forte. Tenho coragem e aconselho minhas amigas a também terem a mesma iniciativa”, pontua Pazin, transformando sua experiência em um incentivo para outros.

Essa convicção se alinha a um movimento crescente de valorização do voto entre as gerações mais experientes. A participação dos eleitores idosos tem se fortalecido, sublinhando a percepção de que a experiência de vida e o testemunho histórico são ativos valiosos no processo democrático. A cada pleito, a figura de Dona Else, e de tantos outros como ela, reafirma a perenidade da luta pela democracia.

O compromisso cívico do eleitor idoso

Os dados do Senado Federal corroboram a relevância da participação da terceira idade no cenário político. O número de eleitores idosos cresceu cerca de 14% desde as eleições de 2022, alcançando neste ano 37,5 milhões de aptos a votar. Atualmente, as pessoas idosas representam 23,6% de todo o eleitorado nacional, uma parcela significativa que demonstra um crescente protagonismo.

Else Pazin desmistifica a ideia de que a idade seria um impedimento para o exercício da cidadania plena. “Não adianta dizer assim: 'Não vou votar não, porque eu já tenho idade'. Idade não interessa, o que interessa é a cabeça. Então, eu estou boa da cabeça, lembro dos meus candidatos e eu vou votar”, argumenta, com a clareza de quem entende que o discernimento não envelhece.

Redução da abstenção na terceira idade

Um levantamento do Movimento Voto 70+, em colaboração com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elucida essa tendência positiva. O percentual de eleitores nessa faixa etária que se absteve de votar apresentou uma queda notável, passando de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno da eleição atual. Esses números reforçam a tese de que a experiência histórica e a valorização da democracia impulsionam a participação consciente entre os mais velhos.

A Justiça Eleitoral, por sua vez, sempre busca facilitar o processo para todos, recomendando, por exemplo, que os eleitores levem os números dos candidatos anotados em um papel. Tais medidas auxiliam especialmente aqueles que podem ter alguma dificuldade, garantindo que o direito ao voto seja acessível e desburocratizado para todas as faixas etárias.

Legado e inspiração democrática

Prestes a completar 90 anos em 8 de novembro, Else Pazin se tornou uma figura de inspiração em sua comunidade. Ela relata com orgulho que, ao chegar à Escola Municipal Maria da Gloria Robert Lima de Almeida para votar, é frequentemente parabenizada por mesários e outros eleitores. “Quando eu chego aos lugares para votar, as pessoas se levantam e me dão os parabéns”, finaliza a aposentada, um sorriso no rosto que reflete a satisfação de um dever cívico cumprido com paixão.

A história de Dona Else é um poderoso lembrete de que o voto transcende a mera formalidade eleitoral; ele é a materialização de uma luta por direitos, a voz de uma nação em busca de seu destino. A persistência de eleitores como ela, que carregam a memória de um passado de restrições, serve de bússola para as novas gerações, reafirmando que a democracia é um bem precioso que exige vigilância e participação contínua de todos os cidadãos.

Sua atitude inspira uma reflexão profunda sobre o impacto individual na coletividade e a responsabilidade que cada um tem na construção de um país mais justo e transparente. Em Urupês e em todo o Brasil, a voz de Else Pazin ecoa, incentivando o engajamento e a valorização do sagrado direito de escolher os rumos da nação. <a href="[LINK_INTERNO_RELACIONADO]" target="_blank" rel="noopener">Confira outras notícias sobre a participação eleitoral de idosos.</a>

Para aprofundar-se no tema e entender mais sobre o contexto da ditadura militar no Brasil e o processo de redemocratização, <a href="https://www.gov.br/arquivonacional/pt-br/assuntos/acesso-a-informacao/comissao-nacional-da-verdade/documentos/memoria-do-regime-militar.pdf" target="_blank" rel="noopener">leia o relatório da Comissão Nacional da Verdade.</a>



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