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09 de October de 2026

Médica de Santa Fé do Sul relata trauma após agressão do namorado

Araçatuba
06/10/2026 08:00
Redacao

A recuperação de traumas profundos é um processo complexo, ainda mais quando a violência parte de um relacionamento íntimo. Mais de um mês após ter os dentes quebrados e sofrer outras lesões em Santa Fé do Sul (SP) devido a agressões do namorado, a médica Maria Eduarda Oliveira, de 25 anos, começa a detalhar a árdua jornada de superação da dor física e emocional. O caso trouxe à tona a urgência do combate à violência doméstica e a resiliência das vítimas em face de cenários tão devastadores.

O episódio brutal ocorreu em 29 de agosto, resultando na internação de Maria Eduarda na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto (SP). Ela foi alvo de uma série de socos, chutes e empurrões, além de ter quatro dentes frontais quebrados, durante uma crise de ciúmes de João Carlos Romero, seu então companheiro. As agressões causaram traumatismo craniano e ferimentos em diversas partes do corpo, necessitando de intervenção médica imediata.

Após cometer o crime, João Carlos Romero empreendeu fuga, chegando a atropelar uma idosa com o carro durante sua evasão. A perseguição culminou em 1º de setembro, quando ele foi localizado em um vagão de um trem em movimento e contido por equipes de segurança em Valentim Gentil (SP). Segundo relatos, Romero foi encontrado sem roupas e em estado de transtorno, circunstâncias que ressaltam a gravidade e o descontrole do incidente.

Maria Eduarda foi inicialmente atendida na Santa Casa de Santa Fé do Sul, mas a gravidade de suas lesões exigiu a transferência para São José do Rio Preto. Em seu depoimento, a médica expressou a profunda diferença entre a teoria e a vivência. "Existe uma diferença enorme entre conhecer, como médica, os procedimentos, os riscos e as etapas de um tratamento e vivenciar tudo isso como paciente", declarou. "Quando estamos do outro lado, percebemos de uma maneira muito concreta a vulnerabilidade, a dependência e o medo que acompanham uma situação grave de saúde. No início, meu foco era sobreviver."

A complexidade do processo de reabilitação odontológica e física é acompanhada de perto por uma equipe multidisciplinar de especialistas. A médica destaca que a reconstrução dentária, por exemplo, transcende a estética, abrangendo aspectos cruciais da vida diária. "Envolve função, alimentação, fala, dor e a relação que a pessoa passa a ter com a própria imagem depois de um trauma", explicou. Ela enfatiza que "a reconstrução física caminha junto com a reconstrução emocional", sublinhando a interconexão indissociável entre o bem-estar do corpo e da mente.

O impacto das agressões e a jornada para a cura

O relacionamento de Maria Eduarda com João Carlos Romero estava prestes a completar quatro meses quando o crime ocorreu. Embora o namorado demonstrasse ciúmes, a médica revelou à reportagem que essa foi a primeira vez que ele manifestou comportamento violento. A agressão, portanto, representou um ponto de ruptura abrupto e devastador em um relacionamento que, até então, não havia escalado para a violência física.

A prisão de João Carlos Romero, que teve a custódia mantida pela Justiça após audiência em 2 de setembro, proporcionou um alívio crucial para Maria Eduarda. Essa segurança permitiu que a vítima direcionasse toda a sua energia e atenção para o longo e complexo processo de recuperação. "Foi um período de muita fragilidade física e emocional", relembrou a médica, sublinhando a dificuldade de conciliar a dor física com o abalo psicológico.

A médica recebeu alta hospitalar em 2 de outubro, mas o processo de recuperação está longe de ser concluído. "Hoje consigo olhar para aquele momento com alguma distância, mas ainda é um processo", ponderou. "A recuperação não terminou quando deixei a UTI ou quando recebi alta. Ela continua acontecendo todos os dias", afirmou, destacando a natureza contínua e desafiadora de reconstruir a vida após um trauma tão intenso.

Fortalecida pelo apoio incondicional da família, de amigos e até mesmo de desconhecidos que expressaram solidariedade nas redes sociais, Maria Eduarda planeja retomar sua rotina e seus projetos profissionais de forma gradual. Contudo, ela reconhece que as marcas físicas e, sobretudo, as emocionais deixadas pela violência, jamais serão totalmente apagadas, permanecendo como lembretes de uma experiência transformadora.

Em meio à sua jornada de cura, Maria Eduarda expressa um desejo firme de não permitir que o episódio de violência defina sua identidade ou seu futuro. "Não quero que a minha história termine no que aconteceu comigo. Quero recuperar minha autonomia, minha saúde e retomar minha vida profissional", declarou. "A medicina continua sendo uma parte muito importante de quem eu sou. Não quero ser definida exclusivamente pelo episódio de violência que vivi", concluiu, reiterando sua determinação em seguir adiante.

Resiliência e o renascimento após a violência

O caso de Maria Eduarda Oliveira serve como um doloroso, mas importante, lembrete da prevalência da violência contra a mulher e das suas profundas consequências. A história da médica evidencia não apenas a necessidade de amparo legal e psicológico às vítimas, mas também a importância do engajamento social na construção de uma cultura de respeito e proteção. A sociedade precisa continuar atenta a esses sinais, oferecendo suporte e combatendo ativamente qualquer forma de abuso. Para aprofundar-se no tema e entender como a legislação brasileira atua, <a href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br" target="_blank" rel="noopener">confira o portal do Ministério da Mulher</a>.

A determinação de Maria Eduarda em reconstruir sua vida, apesar das cicatrizes visíveis e invisíveis, é um testemunho poderoso de resiliência. Sua voz se soma a tantas outras que buscam romper o silêncio e lutar por um futuro livre de violência. O caminho é longo, mas a coragem de compartilhar sua experiência ilumina a jornada de outras pessoas e reforça a urgência de políticas públicas eficazes e de uma rede de apoio robusta para todas as vítimas. <a href="/noticias-regionais" target="_self">Leia também sobre outros casos de violência em nossa região</a>.



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