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06 de March de 2026

Mural de Mestre Zé Olhinho é apagado e motiva debate sobre a cultura

Regional
04/01/2026 09:46
Redacao
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José de Jesus Figueiredo, amplamente conhecido como Mestre Zé Olhinho, representa uma das mais proeminentes referências do Bumba Meu Boi do Maranhão. Aos 82 anos, este mestre, originário do povoado de Tabocas, personifica uma manifestação cultural de magnitude inquestionável. O Bumba Meu Boi não é apenas um folguedo; ele é reconhecido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como Patrimônio Cultural do Brasil e, internacionalmente, está inscrito na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, evidenciando a riqueza e a relevância da tradição que Mestre Zé Olhinho mantém viva.

A figura de Mestre Zé Olhinho transcende o simples papel de cantador, tornando-se um verdadeiro símbolo cultural. Versos de toadas como “Eu sou guerreiro, eu sou valente, eu venho de São Vicente, minha aldeia é no Tabocá” não apenas narram sua história, mas também encapsulam o espírito de resistência e a profundidade das raízes culturais maranhenses. Sua arte é uma celebração da identidade local, transmitindo de geração em geração os ritmos, as lendas e a vivacidade do Bumba Meu Boi, reforçando a importância de honrar e preservar mestres que são pilares da memória coletiva e da cultura brasileira.

O mural apagado em Rio Preto era uma eloquente homenagem a este ícone cultural, parte de um projeto maior intitulado “Amo, Poeta e Cantador”, idealizado pelo artista maranhense Gil Leros. Este projeto visa justamente celebrar, através da arte urbana do grafite, figuras marcantes da cultura popular do Maranhão, sendo Mestre Zé Olhinho o primeiro entre mais de 30 personalidades já grafitadas e homenageadas. A escolha de Zé Olhinho para inaugurar essa série destaca sua importância fundamental para a cultura brasileira e a necessidade de reconhecimento contínuo de seu legado, que reverberam muito além das fronteiras maranhenses.

Fato e repercussão

O cenário cultural de Rio Preto foi palco de uma ação controversa recentemente, com o apagamento de um mural grafitado sob o viaduto Jordão Reis, na avenida Philadelpho Gouveia Neto. A obra, que reverenciava o Mestre Zé Olhinho, uma das maiores referências do Bumba Meu Boi do Maranhão – manifestação cultural reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan e inscrita na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco –, foi removida pelo poder público local. A medida, realizada sem qualquer aviso prévio ou cerimônia, transformou a vibrante homenagem em uma superfície cinzenta, gerando imediato questionamento sobre a valorização da arte urbana e do patrimônio cultural imaterial.

O mural era de autoria de Gil Leros, artista plástico e grafiteiro conterrâneo de Mestre Zé Olhinho, conhecido por estampar muros pelo Brasil com sua arte inspirada nas ricas tradições culturais maranhenses. A remoção da peça pegou o artista de surpresa, que, em entrevista, expressou profundo lamento pela eliminação abrupta de sua obra. “Usar recurso e poder público para apagar arte, não me parece algo muito inteligente de ser feito”, declarou Leros, criticando a destinação de verba pública para uma ação que, segundo ele, distancia a cultura da paisagem urbana. A intervenção municipal deixou o local, que antes celebrava uma genuína expressão folclórica brasileira, agora desprovido de cor e significado artístico, substituído pelo branco e cinza do concreto.

Para Gil Leros, o mural em Rio Preto possuía um significado especial, sendo o primeiro de uma série de obras que compõem o projeto “Amo, Poeta e Cantador”. Este projeto foi criado para celebrar, por meio do graffiti, figuras marcantes da cultura popular maranhense, incluindo mestres do Bumba Meu Boi. A homenagem a Mestre Zé Olhinho inaugurou este projeto, que já contabiliza mais de 30 personalidades agraciadas até o momento. O apagamento da obra não representa apenas a perda de uma peça artística, mas também a interrupção de um diálogo entre a arte urbana, a memória cultural e o espaço público, suscitando um debate ampliado sobre o papel das cidades na preservação e promoção de suas heranças imateriais e visuais.

Projeto ‘Amo, Poeta e Cantador’

Gil Leros, artista plástico e grafiteiro maranhense, foi o criador do mural que homenageava Mestre Zé Olhinho sob o viaduto Jordão Reis em Rio Preto, recentemente apagado pelo poder público. Conterrâneo do mestre do Bumba Meu Boi, Leros expressou profundo lamento pela eliminação abrupta da obra. Em entrevista concedida de São Luís, o artista criticou a ação, afirmando que “usar recurso e poder público para apagar arte, não me parece algo muito inteligente de ser feito”. Sua arte urbana, que decora muros em São Luís e outras cidades brasileiras, é fortemente inspirada pelas ricas tradições culturais de seu estado, como o Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula, buscando eternizar figuras e manifestações populares.

Antes o mural pintado pelo artista plástico Gil Lero em homenagem ao Mestre Zé Olhinho. Foto/Toninho Cury
Antes o mural pintado pelo artista plástico Gil Lero em homenagem ao Mestre Zé Olhinho. Foto/Toninho Cury

O mural de Rio Preto, agora desaparecido, possuía um significado especial para Gil Leros, pois marcava o início de um ambicioso projeto cultural intitulado “Amo, Poeta e Cantador”. Esta iniciativa foi concebida exatamente para celebrar, por meio da arte do graffiti, as figuras mais emblemáticas da cultura popular maranhense. Mestre Zé Olhinho foi o primeiro dos homenageados neste projeto, que visa eternizar mestres e mestras da cultura popular, especialmente do Bumba Meu Boi, tornando a memória desses guardiões acessível e visível na paisagem urbana.

Até o momento, o projeto “Amo, Poeta e Cantador” já contemplou cerca de 30 personalidades da cultura popular, solidificando seu papel como um importante veículo de preservação e difusão cultural. A relevância do trabalho de Gil Leros transcende a estética, transformando-se em um registro visual da identidade maranhense. O primeiro documentário sobre o projeto, inclusive, destaca o mural de Rio Preto, o que amplifica a lamentação sobre seu apagamento, ressaltando o valor não apenas artístico, mas também documental e cultural da obra removida.

Debate necessário

A intersecção entre arte urbana e patrimônio imaterial é um campo fértil para a celebração e a disseminação de narrativas culturais, mas também um palco frequente para debates acalorados sobre reconhecimento, efemeridade e preservação. Grafites e murais frequentemente servem como poderosos veículos para homenagear figuras, ritos e manifestações que compõem o legado imaterial de uma nação, conferindo visibilidade e contemporaneidade a tradições ancestrais. No entanto, a natureza muitas vezes espontânea e a falta de salvaguarda institucional para essas obras artísticas na esfera pública colocam-nas em uma posição vulnerável, gerando conflitos quando decisões administrativas se sobrepõem ao valor cultural inerente.

O recente apagamento do mural que reverenciava Mestre Zé Olhinho, um ícone do Bumba Meu Boi do Maranhão – manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco –, exemplifica essa tensão. A obra do grafiteiro Gil Leros não era apenas uma peça de arte; era um tributo visual a um guardião de uma tradição viva, elevando sua figura para o conhecimento público em um espaço urbano. A remoção sumária pela administração local, sem aviso prévio ou diálogo, levanta questões fundamentais sobre como o poder público compreende e valora as expressões artísticas que buscam dar voz e imagem ao patrimônio imaterial.

Este episódio sublinha a urgência de um debate estruturado sobre o status e a proteção da arte urbana, especialmente quando ela se conecta diretamente ao patrimônio imaterial. Não se trata apenas de estética ou da alocação de recursos públicos para apagar uma obra, mas da perpetuação da memória cultural e do reconhecimento da relevância de manifestações que são pilares da identidade brasileira. É imperativo que gestores públicos, artistas, comunidades e instituições culturais dialoguem para estabelecer diretrizes claras que equilibrem a dinâmica da cidade com a preservação do valor simbólico e artístico. A valorização da arte urbana como ferramenta de salvaguarda do patrimônio imaterial é um caminho para fortalecer a identidade cultural e enriquecer o tecido social.

Proteção da arte

O Poder Público detém um papel insubstituível e constitucionalmente estabelecido na curadoria e salvaguarda do patrimônio cultural e artístico de uma nação. Sua responsabilidade transcende a mera gestão; é um dever ativo de promover a produção artística e, igualmente crucial, proteger as obras existentes, especialmente aquelas que se inserem no espaço público e na memória coletiva. A Constituição Federal, em seu artigo 215, afirma o pleno exercício dos direitos culturais, enquanto o artigo 216 estabelece a proteção do patrimônio cultural brasileiro, material e imaterial. A ausência ou a falha neste compromisso não apenas empobrece o tecido cultural, mas também erode a identidade de uma comunidade e sua relação com a própria história e expressão.

A promoção da arte exige políticas públicas robustas que incentivem a criação, o acesso e a difusão cultural. Isso implica em investimentos em escolas de arte, manutenção de espaços culturais, fomento a projetos independentes e a valorização de artistas locais e suas manifestações. É através destas ações que o Estado não só estimula o florescimento de novas expressões, mas também garante que a cultura seja um direito acessível a todos os cidadãos, fortalecendo laços comunitários e o senso de pertencimento. Programas de incentivo e editais públicos são ferramentas essenciais para oxigenar o cenário artístico e dar visibilidade a talentos emergentes e consolidados.

Gil Leros: "O uso de dinheiro público pra apagar arte e distanciar a cultura da paisagem das cidades é um erro muito grande" – Foto/Redes Sociais
Gil Leros: “O uso de dinheiro público pra apagar arte e distanciar a cultura da paisagem das cidades é um erro muito grande” – Foto/Redes Sociais

No que tange à proteção, a responsabilidade estatal é ainda mais latente. Obras de arte, especialmente murais e graffitis que adornam o ambiente urbano, muitas vezes se tornam marcos identitários, pontos de referência e representações da alma de uma cidade. O apagamento de um mural, como o que homenageava Mestre Zé Olhinho, é um ato que vai de encontro a essa prerrogativa, revelando uma incompreensão sobre o valor intrínseco e extrínseco da arte pública. A conservação exige um mapeamento, uma catalogação, um diálogo constante com a sociedade civil e, acima de tudo, um respeito institucional que deve preceder qualquer intervenção, evitando a perda irreparável de patrimônios que contam histórias e celebram identidades.

A inação ou a ação destrutiva do poder público em relação à arte e ao patrimônio cultural não é apenas um descuido administrativo; é uma falha na sua função de guardião da memória e da identidade coletiva. Ao invés de apagar, o Estado deveria ser o principal agente na valorização, divulgação e preservação dessas manifestações que contribuem para a riqueza cultural e a qualidade de vida nas cidades, garantindo que as futuras gerações possam fruir e aprender com o legado artístico de seu tempo.

Com informações de https://www.folha2.com.br

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