Operação da PM em Araçatuba prende três por tráfico e apreende arsenal
Uma operação da Polícia Militar (PM) na noite da última segunda-feira, dia 31, culminou na prisão em flagrante de três pessoas no bairro Jussara, em Araçatuba. A ação resultou na desarticulação de um ponto de tráfico de drogas e na apreensão de um vasto arsenal, incluindo armas de fogo, munições de diversos calibres e quase uma centena de porções de cocaína.
O incidente, registrado na rua Antônio Floriano Petia, destaca a persistência das forças de segurança no combate ao crime organizado na região. As investigações iniciais apontam para uma rede de atividades ilícitas, com desdobramentos que prometem esclarecer ainda mais o cenário do tráfico local. A credibilidade do trabalho policial é reforçada pela quantidade e diversidade do material apreendido, indicando a complexidade da operação.
A incursão teve início quando policiais realizavam patrulhamento rotineiro. A atenção dos agentes foi despertada por um homem de 46 anos, que, ao avistar a viatura, teria dispensado um objeto sobre um muro e ingressado rapidamente em um imóvel. Esta residência já era conhecida no meio policial como um ponto ativo de venda de entorpecentes, o que reforçou a suspeita.
A abordagem foi realizada no interior do imóvel. Lá, além do homem de 46 anos, foram encontrados um indivíduo de 51 anos e uma mulher, também de 46 anos, que era moradora da residência. A revista pessoal no homem de 46 anos revelou a quantia de R$ 150 em dinheiro, levantando questionamentos sobre a origem do valor.
Na sequência, os policiais verificaram o local onde o primeiro abordado havia dispensado o objeto. Ali, foi encontrada uma sacola plástica contendo 64 eppendorfs preenchidos com substância análoga à cocaína. Essa descoberta inicial já indicava a natureza da atividade ilícita que ocorria no local.
Apreensão detalhada
As buscas foram estendidas para o interior da residência, aprofundando a investigação. Em uma gaveta de cômoda, os agentes localizaram outra sacola com 32 eppendorfs da mesma substância, totalizando 96 porções de cocaína prontas para a comercialização. A quantidade reforça a tese de tráfico em larga escala, caracterizando o local como um centro de distribuição.
A operação não se limitou apenas aos entorpecentes. O boletim de ocorrência detalha que, em um veículo indicado pelo homem de 51 anos como sendo de sua propriedade, foi encontrada uma espingarda de pressão calibre 5,5 mm, que se assemelhava a uma réplica de fuzil de origem chinesa, acompanhada de uma luneta. Este achado acendeu um alerta sobre a presença de armamento no contexto do tráfico.
A verificação do celular do homem de 51 anos trouxe uma nova pista. Os policiais encontraram uma fotografia em que ele aparecia manuseando uma arma de fogo, aparentemente uma carabina. Questionado sobre a imagem, ele afirmou que a arma pertenceria a um amigo e autorizou a realização de buscas em sua própria residência, indicando o endereço aos agentes.
Arsenal oculto
Na residência do homem de 51 anos, o que se revelou foi um verdadeiro arsenal. No quarto por ele utilizado, foram apreendidas 39 munições intactas calibre .44, da marca CBC, além de um carregador de pistola calibre 9 mm contendo 15 munições intactas. A diversidade de calibres e a quantidade de munição sugerem um planejamento ou envolvimento com atividades que demandam poder de fogo, superando a mera autodefesa.
O ambiente também continha outros itens de alto risco: cinco cartuchos intactos calibre .28 e dois cartuchos deflagrados do mesmo calibre. A presença de munições deflagradas pode indicar uso prévio das armas ou testes. Em um cômodo nos fundos da propriedade, a descoberta continuou, revelando ainda mais itens de interesse criminal.
Lá foram encontradas mais uma espingarda de pressão calibre 5,5 mm, também com luneta, e uma carabina calibre .44, marca Winchester, que estava desmuniciada. A mais preocupante das apreensões foi uma pistola calibre 9 mm, da marca Sarsilmaz, com a numeração de série suprimida. Este tipo de adulteração é comum em armas utilizadas para fins criminosos, dificultando sua rastreabilidade. A pistola estava municiada com 15 cartuchos no carregador e um cartucho na câmara, pronta para uso, conforme o boletim de ocorrência.
Versões apresentadas
Após as apreensões, os três envolvidos foram conduzidos ao plantão da Polícia Civil para as providências cabíveis. As prisões em flagrante foram formalizadas, e todos os objetos, armas, munições e entorpecentes foram encaminhados para perícia, um passo crucial para a comprovação da materialidade dos crimes e a condução adequada do processo penal.
Em seus depoimentos, a mulher de 46 anos negou qualquer conhecimento ou propriedade das drogas. Ela alegou não comercializar entorpecentes atualmente e afirmou que a cômoda onde parte da droga foi encontrada era utilizada principalmente pelo homem de 46 anos. No entanto, admitiu ter se envolvido com o tráfico de drogas anos atrás, mas declarou ter abandonado a atividade há aproximadamente sete anos.
O homem de 46 anos também apresentou sua versão dos fatos, negando ter colocado qualquer objeto sobre o muro e afirmando desconhecer a existência das drogas. Ele se declarou usuário de entorpecentes e justificou que o dinheiro encontrado com ele seria proveniente do PIS. Assim como a mulher, admitiu já ter sido preso anteriormente por tráfico de drogas, o que pode influenciar a percepção de seu histórico perante a justiça.
Por sua vez, o homem de 51 anos optou por exercer seu direito constitucional ao silêncio. Ele informou não possuir advogado constituído naquele momento e declarou que só prestará esclarecimentos em juízo. Essa postura é comum em casos complexos e pode ser uma estratégia legal para aguardar a análise das provas e a manifestação da defesa.
Investigação continua
Os três permanecem à disposição da Justiça, aguardando as próximas etapas do processo legal. A Polícia Civil requisitou os exames periciais necessários para a análise das drogas e armas, fundamentais para a instrução do inquérito e eventual denúncia pelo Ministério Público. As providências relacionadas ao flagrante continuam, e o caso segue em aberto para investigações adicionais, que podem revelar outros elos criminosos.
A ação da PM em Araçatuba reforça o compromisso das autoridades com a segurança pública e o combate intransigente ao crime, especialmente o tráfico de drogas e a posse ilegal de armas. Operações como essa são cruciais para desmantelar redes criminosas e garantir maior tranquilidade à população. É um trabalho contínuo que exige perspicácia e dedicação dos agentes de segurança, impactando diretamente a qualidade de vida da comunidade.
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