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19 de August de 2026

Pai e filho presos: desfecho de um ano de fuga por mortes de quatro pessoas no Paraná

Araçatuba
18/08/2026 13:34
Redacao
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Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, foram presos pela Polícia Civil do Paraná na manhã desta terça-feira (18/9), após passarem mais de um ano foragidos. Eles são apontados como suspeitos de envolvimento nas brutais mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, um caso que chocou o estado e envolveu uma dívida considerável.

A localização dos foragidos ocorreu em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, interior de São Paulo. A operação, resultado de extensos levantamentos de inteligência policial e monitoramento contínuo, demonstra a persistência das autoridades em buscar a justiça para as vítimas e seus familiares.

Além do pai e filho, outros dois integrantes da família Buscariollo foram alvo das autoridades. Carlos Henrique Buscariollo, outro filho de Antônio, foi detido em Santa Bárbara do Oeste, também em São Paulo. O quarto alvo, Carlos Eduardo Buscariollo, já se encontrava preso por tráfico de drogas em São Bernardo do Campo, evidenciando um complexo enredo familiar e criminal.

A Polícia Civil suspeita que há outros envolvidos no crime, embora os nomes não tenham sido divulgados até o momento. O delegado Thiago Teixeira informou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que os detidos serão encaminhados para Umuarama, no Noroeste do Paraná, onde o caso principal está sendo investigado.

O desaparecimento dos quatro amigos foi registrado em 4 de agosto de 2025, quando Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto, em São Paulo, até Icaraíma, no Paraná, para se encontrar com Alencar. O objetivo da viagem era cobrar uma dívida de R$ 255 mil da família Buscariollo, um montante que se tornaria o pivô de uma tragédia.

Trama da dívida

As vítimas foram vistas pela última vez um dia após o encontro, em 5 de agosto de 2025, e passaram a ser consideradas desaparecidas, gerando uma onda de apreensão. Mais de um mês depois, seus corpos foram encontrados enterrados em um bunker, confirmando o desfecho mais temido.

A investigação policial apurou que a dívida estava relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento foi acordado em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela havia sido quitada. Os cobradores, por sua vez, receberiam metade do valor arrecadado caso a negociação fosse bem-sucedida.

Ainda no dia 4 de agosto, as quatro vítimas se dirigiram ao distrito de Vila Rica para o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, os Buscariollo teriam tentado ceder uma casa na área urbana da cidade como forma de pagamento, mas as partes não chegaram a um acordo, intensificando a tensão entre os envolvidos.

A última imagem dos quatro homens com vida foi capturada por uma câmera de segurança de uma panificadora em Icaraíma, na manhã de 5 de agosto. Por volta das 12h daquele mesmo dia, as vítimas conversaram com suas famílias pela última vez, um momento que antecedeu o que a polícia acredita ter sido uma emboscada fatal.

A Polícia Civil suspeita que os quatro homens foram mortos em uma emboscada assim que retornaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30. Essa cronologia sugere um planejamento meticuloso do crime, transformando a tentativa de cobrança em um cenário de violência extrema e sem retorno para as vítimas.

Avanço da investigação

Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia no Estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos, sem ter conhecimento ainda da dimensão dos homicídios. A complexidade do caso se manifesta na demora para a localização dos corpos e na extensão da área de atuação dos suspeitos, que se estendia por diferentes estados, dificultando o trabalho policial.

A ação conjunta da Polícia Civil do Paraná e de São Paulo, utilizando levantamentos de inteligência e monitoramento, foi crucial para rastrear os foragidos e desmantelar a rede de proteção que os mantinha ocultos, culminando nas prisões desta semana. Esta operação evidencia a importância da colaboração interinstitucional em casos de grande repercussão e complexidade.

A apuração sugere que os cobradores desconfiavam do envolvimento dos devedores com o crime organizado, o que adiciona uma camada de risco e brutalidade ao desfecho do encontro fatal. Essa desconfiança prévia pode ter alertado as vítimas para o perigo, mas não foi suficiente para evitar a tragédia que se seguiu.

Embora as prisões dos principais suspeitos representem um avanço significativo, a polícia não descarta a participação de outros indivíduos, indicando que a investigação permanece aberta para desvendar todos os envolvidos na chacina e garantir que todos os responsáveis sejam devidamente processados e punidos.

Os familiares das vítimas, por sua vez, aguardam ansiosamente por respostas e justiça, acompanhando de perto cada desdobramento do caso. A prisão dos suspeitos oferece um sopro de esperança de que a verdade sobre o ocorrido venha à tona e que a memória dos quatro amigos seja honrada com a responsabilização dos culpados.

Defesa se manifesta

O advogado Renan Farah, que representa três dos suspeitos, declarou que aguarda a audiência de custódia de seus clientes. Segundo ele, esta etapa processual é fundamental para analisar a legalidade da prisão e verificar se há, de fato, a necessidade de manutenção da custódia dos envolvidos durante o andamento do processo.

Em relação a Carlos Henrique Buscariollo, a defesa afirmou possuir provas concretas de que ele não se encontrava na cidade onde os fatos criminosos foram imputados à família na época dos acontecimentos. Esta alegação pode ser um ponto crucial para a defesa, buscando a desvinculação do suspeito com os assassinatos.

O advogado ressaltou que esses elementos comprobatórios serão apresentados e devidamente comprovados no momento processual adequado, buscando demonstrar a inocência de seu cliente frente às acusações. A audiência de custódia será o primeiro palco para a argumentação da defesa.

A expectativa é que a defesa de Paulo e Antônio Buscariollo também apresente seus argumentos, buscando questionar a necessidade da prisão preventiva e as provas que os vinculam diretamente aos homicídios. O processo agora segue para uma fase de intensos debates jurídicos, onde cada detalhe será minuciosamente examinado.

Com a condução dos presos para Umuarama, espera-se que os próximos passos do processo legal lancem luz sobre as circunstâncias exatas das mortes e a participação de cada envolvido, buscando respostas para as famílias das vítimas e para a sociedade. A justiça, agora, caminha por seus ritos para desvendar por completo este caso.

O desfecho das prisões marca um capítulo importante na busca por justiça para as quatro vítimas. O caso, permeado pela violência decorrente de uma dívida, agora segue para as instâncias judiciais, onde a verdade e a responsabilidade de cada um dos implicados serão rigorosamente apuradas.



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