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31 de October de 2026

Professora de Araçatuba alcança destaque nacional com projeto inovador de alfabetização inclusiva

Araçatuba
31/10/2026 14:31
Redacao

A Rede Municipal de Educação de Araçatuba, no interior de São Paulo, celebrou um marco significativo na educação inclusiva do Brasil. A professora Marilda de Jesus Santos, carinhosamente conhecida como Professora Teka, da EMEB Francisca Arruda Fernandes, conquistou o terceiro lugar no renomado IV Prêmio LEGO® Braille Bricks. Seu projeto, intitulado "Protagonizando o Saber", foi reconhecido por transformar a maneira como crianças com e sem deficiência visual aprendem juntas, utilizando uma abordagem pedagógica inovadora e profundamente humana.

A cerimônia de premiação, um momento de celebração para a educação brasileira, aconteceu em 28 de outubro na sede da Fundação Dorina Nowill para Cegos, localizada na vibrante cidade de São Paulo. Este reconhecimento posiciona Araçatuba como um polo de excelência em práticas de alfabetização e acessibilidade, evidenciando o comprometimento da professora Teka com um ensino verdadeiramente inclusivo e impactante.

O cerne do projeto premiado reside na utilização do kit LEGO® Braille Bricks como um recurso pedagógico multifacetado. As peças de encaixe, especialmente desenvolvidas, apresentam pontos em relevo que correspondem diretamente a letras, números e símbolos do sistema Braille, complementados por uma identificação impressa. Essa dualidade permite que o material seja acessível tanto para alunos com deficiência visual quanto para aqueles que enxergam, promovendo uma base comum de aprendizado.

O grande diferencial do "Protagonizando o Saber", e o que o levou ao pódio nacional, é sua capacidade de promover a interação e a aprendizagem colaborativa. Através de jogos e atividades dinâmicas de leitura e escrita, crianças com e sem deficiência visual puderam explorar o universo do Braille em conjunto, derrubando barreiras e fomentando um ambiente de respeito mútuo e cooperação, crucial para a efetiva alfabetização inclusiva.

A iniciativa da professora Teka faz parte do Programa Braille Bricks, uma colaboração estratégica entre a Fundação Dorina Nowill para Cegos e a Fundação LEGO. No Brasil, este programa oferece gratuitamente os kits às instituições educacionais participantes e ainda providencia formação especializada para os educadores, garantindo que o potencial máximo do material seja explorado em sala de aula, otimizando a qualidade da educação oferecida. [link externo para Fundação Dorina Nowill]

Destaque nacional

O IV Prêmio LEGO® Braille Bricks tem como missão identificar e valorizar projetos que, a partir da formação oferecida, transformam-se em práticas inclusivas concretas e com resultados mensuráveis. A avaliação rigorosa considera a inovação da proposta, a eficácia da aplicação pedagógica e os resultados tangíveis alcançados na aprendizagem dos estudantes. A Fundação Dorina Nowill, uma referência nacional e internacional na inclusão de pessoas com deficiência visual, acumula uma trajetória de 80 anos de atuação incansável e de grande impacto, conferindo ainda mais peso à conquista da professora Teka.

O trabalho desenvolvido na escola pública de Araçatuba, com a professora Teka à frente, é agora um exemplo inspirador em todo o país. Sua abordagem demonstra como o uso criativo de recursos, como o kit LEGO® Braille Bricks, pode não apenas promover a aprendizagem do sistema Braille e a acessibilidade, mas também intensificar a participação ativa de todos os alunos, construindo um ambiente escolar mais equitativo e verdadeiramente inclusivo.

Selecionado entre 47 projetos inscritos de diversas regiões do Brasil, o "Protagonizando o Saber" cativou os jurados por uma proposta audaciosa e inovadora: colocar Isabelle, uma estudante cega de 10 anos, no centro do processo de ensino. Em vez de ser a aluna a ser assistida, Isabelle assumiu o papel de guia, ensinando o sistema Braille a seus próprios colegas, o que redefiniu as dinâmicas de sala de aula.

Durante a execução do projeto, Isabelle, que à época cursava o quinto ano e já dominava o sistema Braille, atuou como monitora. Ela conduziu atividades tanto com turmas do primeiro quanto do quinto ano. Sob a cuidadosa mediação da professora Teka, Isabelle desabrochou na função de "par experiente", compartilhando seu conhecimento de forma natural e eficaz, o que é um pilar da educação inclusiva e do aprendizado entre pares.

A transformação nas dinâmicas da sala de aula foi palpável e rapidamente notada. Os colegas do quinto ano, acostumados a auxiliar Isabelle em suas rotinas escolares, passaram a procurá-la para resolver desafios e dúvidas, como durante um jogo de bingo de palavras em Braille. Essa inversão de papéis fortaleceu a autoconfiança da estudante e reforçou a percepção de suas múltiplas habilidades e inteligências.

Inovação pedagógica

Nas turmas do primeiro ano, a aceitação e o entusiasmo foram ainda maiores. As crianças buscavam a orientação de Isabelle com total naturalidade, chegando a pedir por "novas aulas" com ela. Esse engajamento espontâneo demonstra a potência de uma metodologia que valoriza as diferentes formas de conhecimento e a capacidade de cada aluno de ser um agente ativo não apenas no próprio aprendizado, mas também na facilitação do conhecimento para os outros.

Com uma trajetória de cerca de 30 anos dedicados à educação, a professora Teka planejou o projeto com base nos conhecimentos e nas possibilidades de participação de Isabelle. "Isabelle não ocupava o lugar de protagonista porque era cega; ocupava esse lugar porque, naquele conhecimento, era a mais experiente do grupo", explicou a professora. "Meu papel foi observar, planejar, organizar as condições para esses encontros e acompanhar o processo, fazendo as intervenções necessárias e dando espaço para que Isabelle conduzisse aquilo que sabia." Sua visão pedagógica foi essencial para o sucesso do projeto.

Os benefícios do "Protagonizando o Saber" transcenderam as interações diretas com o Braille. A iniciativa alcançou positivamente os demais estudantes e as relações dentro da comunidade escolar. Jogos lúdicos, listas de palavras e desafios envolventes aproximaram todas as crianças da leitura e da escrita em Braille, mas, acima de tudo, as atividades estimularam valores essenciais como a empatia, a cooperação e o profundo respeito às múltiplas formas de aprender e se comunicar, construindo cidadãos mais conscientes. [link interno para matéria sobre inclusão de pessoas com deficiência]

A conquista da professora Teka em Araçatuba é um testemunho poderoso do impacto da alfabetização e acessibilidade quando aliadas à inovação e à sensibilidade pedagógica. Ao colocar o estudante no centro do processo e valorizar suas competências, projetos como "Protagonizando o Saber" não apenas ensinam, mas transformam vidas e constroem um futuro educacional mais inclusivo, equitativo e promissor para todos os envolvidos na comunidade escolar.

Para aprofundar-se em outras iniciativas inspiradoras no campo da educação e acessibilidade, ou para conhecer mais sobre o trabalho da Fundação Dorina Nowill para Cegos, [leia também este artigo sobre a importância da inclusão escolar] e [visite o site da Fundação Dorina Nowill], explorando o vasto material disponível e as possibilidades de engajamento.



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