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09 de March de 2026

Antigo ônibus do América-SP ganha nova vida em restauração histórica

Araçatuba
09/03/2026 08:02
Redacao
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Um pedaço da história do futebol paulista, o antigo ônibus Marcopolo III de 1982 que por quase uma década transportou os jogadores do América Futebol Clube de São José do Rio Preto (SP) para suas partidas fora de casa, está a caminho de uma nova vida. Imagens do veículo sendo guinchado do Estádio Benedito Teixeira, conhecido como Teixeirão, onde permaneceu parado por nove anos, geraram comoção e preocupação nas redes sociais, com muitos temendo que seu destino fosse a sucata. Contudo, os 316 quilômetros percorridos entre Rio Preto e Artur Nogueira (SP) representam, na verdade, o início de um projeto de restauração ambicioso e comovente.

O comprador, o empresário Leonardo Capatto, de Artur Nogueira, é a força motriz por trás dessa iniciativa. Sua motivação transcende o valor comercial: ele busca um tributo especial ao seu pai e ao legado familiar no setor de transportes. Capatto, que cresceu em meio a ônibus, pois sua família possui uma pequena empresa no ramo, buscava há tempos um exemplar desse modelo específico para restaurar, uma vez que os veículos que pertenceram à sua própria família já foram, infelizmente, desmanchados.

A paixão de Leonardo por esses veículos é profunda. Ele próprio, além de empresário, atua como motorista e eletricista na empresa familiar, que já se encontra na terceira geração. A busca por um Marcopolo III em bom estado de conservação era uma jornada pessoal e sentimental, impulsionada pela nostalgia e pelo desejo de preservar a memória de seu pai e do início dos negócios da família, que remonta a 1966 com seu avô, Acácio.

A procura de Capatto por um exemplar para essa restauração histórica terminou quando ele "descobriu" o ônibus do América-SP por meio de fotos em um site especializado. As imagens mostravam o veículo visivelmente fora de uso no pátio do estádio, com sua última foto em atividade datando de 2017. Leonardo notou que, apesar do tempo parado, o ônibus preservava muitas de suas características originais, um detalhe crucial para o sucesso de um projeto de restauração tão complexo.

A reposição de peças é um dos maiores desafios na restauração de veículos antigos, especialmente modelos como o Marcopolo III, para os quais não há sobressalentes novos comercializados. Nesse quesito, Leonardo Capatto teve sorte. O interior do ônibus do América-SP está surpreendentemente completo, com todos os bancos, luminárias, luzes de leitura, maleiros e outros acessórios originais, facilitando o trabalho de reconstrução e preservação.

Um legado sobre rodas

A sorte na conservação do interior é um ponto de grande alívio para os restauradores. Capatto explica que muitos ônibus antigos são transformados em motorhomes, o que geralmente implica a destruição completa do interior. "Exatamente o que a gente quer é achar preservado", comenta o empresário, ressaltando a dificuldade de encontrar acabamentos originais, que eram mais frágeis. A integridade do veículo do América-SP é, portanto, um achado raro e valioso, garantindo a autenticidade da futura restauração. [link interno sobre história do transporte no Brasil]

O custo da restauração é estimado em pelo menos três vezes o valor pago pelo ônibus, uma projeção que pode aumentar caso surjam surpresas inesperadas. O motor Volvo B58, por exemplo, ainda não foi testado. Antes de ligá-lo pela primeira vez após tantos anos, será realizada uma troca completa de filtros e óleo, uma medida preventiva essencial para evitar riscos de travamento ou fusão, garantindo a segurança e longevidade do componente principal.

Todo o investimento e esforço de Leonardo Capatto são dedicados a homenagear as três gerações de sua família que se dedicaram ao transporte. Desde o avô, Acácio, que iniciou o negócio com uma Kombi em 1966, passando pelo pai, Jorge, e pelo tio, Leandro, a paixão por rodas e estradas faz parte do DNA da família. A restauração, por isso, seguirá as cores da primeira empresa familiar, resgatando a memória visual do legado de Acácio.

Contudo, o empresário garante que a história do América-SP não será esquecida. "Vamos encontrar um cantinho nele para colocar uma placa registrando que ele pertenceu ao clube e fez o transporte dos jogadores, com alguma foto simbólica de um jogo", adianta Capatto, assegurando que o ônibus carregará consigo não apenas a memória familiar, mas também as recordações de sua contribuição para o futebol. Antes de servir ao time, o veículo também foi parte das frotas da Viação Itamarati e da Viação Rio Preto.

A alma de um clube

Do ponto de vista do América-SP, a venda do ônibus também representa um passo importante. O presidente do clube, Marcos Vilela, que assumiu a gestão em outubro de 2024, tem como prioridade a recuperação da imagem da instituição e a melhoria das condições do Estádio Teixeirão. A decisão de vender o veículo não foi tomada de forma leviana, mas após uma avaliação minuciosa.

Após orçar o conserto do ônibus com três mecânicos diferentes, a diretoria do clube concluiu que a restauração não seria viável financeiramente. O valor seria muito alto e os mecânicos alertaram sobre a possibilidade de problemas constantes após o reparo, transformando o investimento em um gasto recorrente. Diante desse cenário, a venda se tornou a opção mais sensata para o clube, que busca sanar suas finanças e investir em outras áreas.

Marcos Vilela enfatiza que a intenção do América-SP jamais foi destinar o ônibus para a sucata. O segundo objetivo do clube, após a constatação da inviabilidade do reparo, foi encontrar alguém que pudesse adquiri-lo para uma restauração. "Graças a Deus conseguimos negociar e chegar num valor que era interessante para o América e para esta empresa", revela o presidente, expressando alívio por ter encontrado um destino honroso para o histórico veículo. [link interno para outras matérias do América-SP]

Atualmente, o ônibus já se encontra no pátio da empresa de Leonardo Capatto em Artur Nogueira. O próximo passo é aguardar uma vaga na funilaria para iniciar o processo de restauração propriamente dito. Com a expectativa de preservar o máximo de características originais possível, Leonardo finaliza com confiança: "Tenho certeza que ele vai ficar bem bonito e nós vamos fazer ele preservando o máximo de características originais que conseguirmos."

Este projeto de restauração não é apenas sobre um ônibus antigo; é sobre a intersecção de memórias familiares, a paixão pelo esporte e o respeito pela história. O Marcopolo III, que antes levava sonhos de vitória pelo interior paulista, agora simboliza a persistência de um legado e a promessa de um futuro brilhante, tanto para a família Capatto quanto para os admiradores do futebol e da cultura automobilística brasileira. Acompanhe as próximas etapas desta emocionante jornada de resgate e transformação. [link externo para g1 Rio Preto e Araçatuba]



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