O voto como marco de autonomia: a experiência de uma paratleta tricampeã e o avanço da cidadania para pessoas com deficiência
Em um momento carregado de significado para a inclusão e a cidadania, a paratleta Ana Beatriz Candeal, de 20 anos, celebrou um marco em sua jornada pessoal e social. Tricampeã paulista e brasileira no paratletismo, Ana Beatriz, que possui deficiência intelectual, exerceu seu direito ao voto pela primeira vez em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.
A iniciativa para a jovem obter o título de eleitor partiu da mãe, Elisete Tatiane da Silva, de 43 anos, e de educadores. O principal motivo inicial foi a necessidade de atualizar a documentação da filha para suas participações em competições internacionais, incluindo a obtenção de passaporte, um passo fundamental para uma atleta de sua envergadura.
Para a paratleta, no entanto, o ato de ir às urnas transcende a burocracia documental. Com uma expectativa palpável, Ana Beatriz expressou sua motivação: “Escolher um governo que ajuda a cidade, as ruas, a escola, tudo para a gente viver na sociedade. Tô muito ansiosa e feliz com essa oportunidade de poder participar.” Sua fala reflete a aspiração de muitos em transformar a comunidade por meio da participação cívica.
Este primeiro voto simboliza não apenas a conquista de um direito individual, mas um passo adiante na ampliação da autonomia para pessoas com deficiência. A experiência de Ana Beatriz ilumina o caminho de uma democracia mais inclusiva, onde todas as vozes têm a chance de serem ouvidas e de influenciar o futuro coletivo.
O engajamento cívico da jovem atleta demonstra a importância da família e da rede de apoio para o desenvolvimento pleno da cidadania. É um exemplo inspirador de como o estímulo e a orientação podem abrir portas para a participação ativa na sociedade, reafirmando que a inclusão é um esforço contínuo e compartilhado por todos.
Primeiro voto
A trajetória de Ana Beatriz no esporte é tão marcante quanto sua recém-conquistada participação eleitoral. Há nove anos, sua vocação no atletismo foi identificada pelos educadores da Associação Renascer, uma instituição sem fins lucrativos em São José do Rio Preto que assiste mais de 1,1 mil crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual e/ou física.
Com um currículo esportivo invejável, Ana Beatriz coleciona seis medalhas de ouro: três no Campeonato Paulista e outras três no Campeonato Brasileiro, ambas na exigente prova dos 1.500 metros. Essas conquistas a consolidam como uma referência no paratletismo nacional.
Segundo Bruno Ramires Valejo, educador físico e técnico esportivo, o talento da atleta se manifestou rapidamente. “Logo nas primeiras competições ela já conseguiu medalhar e teve resultados bacanas, o que a credenciou a ser tricampeã paulista e tricampeã brasileira dos 1.500 metros,” destacou o técnico, ressaltando o sucesso nos Jogos Escolares Paralímpicos do Estado de São Paulo (JESP).
Atualmente, Ana Beatriz integra a equipe de transição de jovens da seleção brasileira paralímpica e participa ativamente do circuito profissional. Ela também é beneficiária do programa Bolsa Atleta, um recurso essencial que a auxilia na aquisição de equipamentos adequados e suplementos necessários para manter seu alto desempenho.
Para o técnico Valejo, o voto de Ana é uma extensão de suas vitórias. “É mais uma conquista, um orgulho para nós aqui, além do esporte, conseguir oferecer essa oportunidade na questão da cidadania e dos direitos. É o direito que ela tem de participar do processo eleitoral e da escolha de quem vai governar nos próximos quatro anos,” pontuou, evidenciando o valor da inclusão para além das pistas.
Voz ativa
A história de Ana Beatriz é um reflexo de um movimento mais amplo de inclusão. Dados da Justiça Eleitoral apontam para um crescimento significativo de 71% no número de eleitores com deficiência em São José do Rio Preto entre as eleições de 2022 e 2026. A cidade passou de 2.284 pessoas nessa condição há alguns anos para 3.911 neste período, um avanço notável na participação cívica.
Para garantir que esses eleitores possam exercer seu direito, a Justiça Eleitoral tem preparado uma série de recursos de acessibilidade. Entre eles, destacam-se fones de ouvido para deficientes visuais, intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para deficientes auditivos e transporte adaptado para pessoas com dificuldade de locomoção.
Em Araçatuba, cidade vizinha, a atenção à inclusão também é prioritária. O suporte em Libras está disponível para auxiliar uma parcela de 1.829 eleitores com deficiência, incluindo 260 eleitores com deficiência visual e 162 com deficiência auditiva, conforme dados compilados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) <a href="https://www.tse.jus.br/" target="_blank" rel="noopener">[link externo para TSE]</a>.
O suporte oferecido, tanto de forma virtual quanto presencial, é crucial para orientar os eleitores sobre o processo de votação. Abrange desde a ordem dos cargos a serem votados e a quantidade de dígitos de cada um até esclarecimentos sobre os cargos disputados, tudo antes mesmo da entrada na cabine de votação, garantindo maior segurança e autonomia.
Essas iniciativas demonstram o compromisso das autoridades eleitorais em tornar o processo democrático acessível a todos os cidadãos, independentemente de suas condições físicas ou intelectuais. O objetivo é remover barreiras e promover uma participação plena e consciente.
Voto consciente
A ordem de votação na urna eletrônica é padronizada e segue uma sequência lógica para as eleições gerais: primeiro, vota-se para deputado federal, com quatro dígitos; em seguida, para deputado estadual ou distrital, no caso do Distrito Federal, com cinco dígitos. Após, aparecem as telas para senador, com três dígitos, votado duas vezes, e, por fim, o governador.
Compreender essa sequência e contar com o auxílio disponível são fundamentais para que todos os eleitores, inclusive aqueles com deficiência, possam exercer seu direito de voto de forma tranquila e assertiva. As campanhas de conscientização e os pontos de apoio são peças-chave nesse processo educativo e facilitador.
A história de Ana Beatriz Candeal ressoa como um poderoso lembrete da importância da inclusão em todas as esferas da vida. Seu primeiro voto transcende o ato individual e se torna um símbolo de esperança e progresso para a cidadania de milhões de pessoas com deficiência no Brasil. É a demonstração de que, com apoio e acessibilidade, barreiras podem ser superadas e direitos, plenamente exercidos.
O avanço na participação de eleitores com deficiência e a constante busca por melhorias na acessibilidade eleitoral reforçam o compromisso com uma democracia verdadeiramente representativa. A vivência de Ana Beatriz Candeal inspira a continuidade desse trabalho, garantindo que o direito ao voto seja, de fato, um direito de todos.
Para aprofundar-se em temas relacionados à inclusão social e política no país, <a href="/link-interno-para-noticias-de-inclusao" target="_self">leia também outras notícias em nosso portal</a>. Mantenha-se informado sobre os progressos e desafios da democracia brasileira e sobre o papel vital da participação cidadã.
Tags:
Mais Recentes
Leia Também
-
Posse do novo Grão-Mestre marca início de nova gestão maçônica em Rio Preto
-
Divulgado resultado do vestibular Famerp 2026 com alta concorrência nacional
-
Bezerro surpreende empresário em General Salgado, ao 'invadir' área de descanso
-
Câmeras flagram descarte irregular de Lixo em frente a escolas de Rio Preto
Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.








