Dicas e tratamentos para infertilidade pós-diretriz da OMS em 2025
A OMS (Organização Mundial da Saúde) marcou um ponto crucial na saúde reprodutiva global ao publicar, no final de novembro de 2025, sua primeira diretriz mundial sobre infertilidade. Este marco representa um avanço significativo, especialmente por sua abordagem inovadora que eleva o acesso ao tratamento da infertilidade à categoria de direito humano fundamental. Conforme destacado por especialistas da área, essa diretriz estabelece que o acesso ao tratamento da infertilidade deve ser, fundamentalmente, um direito humano, promovendo uma visão de equidade no cuidado reprodutivo em escala global.
Essa nova perspectiva da OMS reconhece que a infertilidade não é apenas uma questão médica, mas também um desafio de saúde pública e uma barreira à realização de direitos básicos. Ao classificar o tratamento da infertilidade como um direito humano, a organização busca garantir que indivíduos e casais, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica, tenham acesso a diagnósticos precisos e opções de tratamento adequadas. A infertilidade, que afeta uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva globalmente, tem profundas implicações sociais e psicológicas, tornando essa declaração ainda mais relevante para milhões de famílias em busca da paternidade e maternidade.
A diretriz da OMS é abrangente, apresentando 40 recomendações detalhadas que visam orientar sistemas de saúde em todo o mundo na prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade. Este alinhamento busca solidificar a infertilidade no radar das políticas de saúde pública, assegurando que os cuidados reprodutivos sejam acessíveis e equitativos. A iniciativa tem o potencial de transformar a forma como a infertilidade é percebida e gerenciada globalmente, promovendo a inclusão e o suporte necessários para quem enfrenta dificuldades para engravidar.
Prevenção da infertilidade
A prevenção da infertilidade emerge como um pilar fundamental nas recentes diretrizes da OMS, que enfatizam a importância de um estilo de vida e hábitos saudáveis para a preservação da capacidade reprodutiva. Segundo especialistas, a adoção de práticas conscientes pode significativamente impactar as chances de concepção, tanto para homens quanto para mulheres. Este enfoque proativo visa mitigar os fatores de risco conhecidos, promovendo um ambiente corporal ideal para a fertilidade e aumentando as probabilidades de uma gestação natural.
Uma alimentação balanceada é crucial para a saúde reprodutiva. Dietas ricas em nutrientes, com abundância de frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, contribuem para o equilíbrio hormonal e a saúde dos órgãos reprodutivos. É recomendável evitar alimentos processados, açúcares refinados e gorduras trans, que podem influenciar negativamente a qualidade dos óvulos e espermatozoides. Paralelamente, a prática regular e moderada de exercícios físicos ajuda a manter um peso corporal saudável, essencial para a função reprodutiva, e melhora a circulação sanguínea, impactando positivamente a saúde geral e a fertilidade. O sedentarismo, por outro lado, é um fator de risco a ser combatido para otimizar as chances de concepção.
A eliminação de hábitos prejudiciais é indispensável na prevenção da infertilidade. O tabagismo, ativo ou passivo, é um potente agressor da fertilidade, comprometendo a qualidade espermática masculina e a reserva ovariana feminina, além de elevar o risco de abortos espontâneos. O consumo excessivo de álcool também está associado a disfunções reprodutivas em ambos os sexos, afetando a produção hormonal e a qualidade dos gametas. Outro ponto crítico é a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), que, se não tratadas prontamente, podem causar danos irreversíveis aos órgãos reprodutores, como obstrução das tubas uterinas e epididimite, levando à infertilidade. Práticas sexuais seguras e exames regulares são essenciais para proteger a saúde reprodutiva a longo prazo.
Diagnóstico precoce
A jornada para a concepção pode ser complexa, e as novas diretrizes da OMS para infertilidade reiteram a importância crucial do diagnóstico precoce e da exploração de alternativas de tratamento antes de recorrer a métodos mais complexos como a FIV (Fertilização In Vitro). Entender os primeiros passos no processo de avaliação e as opções disponíveis pode otimizar as chances de sucesso e proporcionar um caminho mais acessível e menos invasivo para casais que buscam realizar o sonho de ter filhos.
A OMS estabelece critérios claros para a busca por assistência médica especializada. Casais que mantêm relações sexuais regulares e desprotegidas por 12 meses sem sucesso na concepção devem procurar um especialista. Para mulheres com mais de 35 anos, esse período é reduzido para seis meses, um reconhecimento da diminuição da reserva ovariana com a idade. O processo de diagnóstico inicial é abrangente, envolvendo avaliações para ambos os parceiros. Para a mulher, são comuns exames hormonais, ultrassonografias pélvicas detalhadas e testes para verificar a permeabilidade das trompas, buscando identificar condições como SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos), endometriose ou obstruções. No homem, a análise seminal é fundamental para avaliar a qualidade e quantidade dos espermatozoides. Esta investigação aprofundada é essencial para uma identificação precisa da causa da infertilidade, permitindo a seleção do tratamento mais direcionado e eficaz.
Conforme as recomendações da OMS, a prioridade é sempre dada a abordagens terapêuticas de menor complexidade antes da indicação da FIV. Entre estas, destaca-se o ‘manejo expectante’, um período de observação ativa de três a seis meses, acompanhado de orientações sobre o ciclo menstrual e o timing ideal para relações sexuais, especialmente em casos de infertilidade sem causa aparente ou quando não há evidências de doenças graves impeditivas.
Outra opção significativa é a Inseminação Intrauterina (IIU), um procedimento onde espermatozoides selecionados e otimizados são depositados diretamente no útero da mulher durante o período ovulatório. A IIU é particularmente indicada em situações de infertilidade inexplicada ou quando o fator masculino apresenta leve comprometimento. Essas intervenções preliminares não apenas oferecem caminhos menos invasivos e, frequentemente, mais acessíveis, mas também alinham o cuidado reprodutivo com a perspectiva global de um direito humano, buscando a solução mais simples e eficaz para cada caso.
Fertilização In Vitro
A Fertilização In Vitro (FIV) emerge como um dos pilares mais significativos da medicina reprodutiva, oferecendo uma esperança concreta para milhões de casais que enfrentam o desafio da infertilidade, uma condição que, segundo a OMS, afeta uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva. Este procedimento complexo, que envolve a fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório e a posterior transferência do embrião para o útero, tem sido a chave para a realização do sonho da parentalidade em diversas famílias. Os avanços contínuos na técnica e na compreensão da biologia reprodutiva têm elevado exponencialmente suas taxas de sucesso, tornando-a uma opção crucial onde outros tratamentos falharam.
Ao longo das décadas, a FIV passou por uma notável evolução, transformando-se de um procedimento experimental em uma terapia robusta e acessível. As inovações abrangem desde a otimização dos protocolos de estimulação ovariana, que permitem a coleta de óvulos de melhor qualidade e em maior número, até o aprimoramento das técnicas de cultura embrionária.
A introdução da Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI) revolucionou o tratamento da infertilidade masculina severa, enquanto a biópsia embrionária para diagnóstico genético pré-implantacional (PGD/PGS) oferece maior segurança ao permitir a seleção de embriões saudáveis. Além disso, as técnicas de vitrificação de óvulos e embriões ampliaram as possibilidades de planejamento familiar, oferecendo flexibilidade e melhores resultados acumulados.
As histórias de sucesso da FIV são inúmeras e inspiradoras, muitas vezes representando a superação de longos períodos de tentativas frustradas e desafios complexos. Um exemplo comovente é o de Roberta de Castro Menezes Leão, de 43 anos, de Parapuã (SP), que após seis anos lidando com a síndrome dos ovários policísticos, conseguiu engravidar por meio da FIV aos 41 anos. Seu ‘bebê milagre’, nascido em 2023, é um testemunho da perseverança e da eficácia do tratamento, apesar de o processo ser reconhecidamente longo e emocionalmente desafiador. Casos como o de Roberta reforçam a importância da FIV como um caminho transformador para a construção familiar, concretizando o desejo de ser pai e mãe para muitos casais que já haviam perdido a esperança.

Desafios específicos
No cenário da infertilidade, a compreensão das causas específicas é fundamental para a eficácia do tratamento. Longe de ser uma condição homogênea, a dificuldade de engravidar muitas vezes reside em desafios particulares que afetam homens e mulheres, exigindo abordagens diagnósticas e terapêuticas altamente especializadas. Abordar esses fatores específicos, como os masculinos, a endometriose e a importância da preservação da fertilidade, é crucial para oferecer esperança e soluções personalizadas, alinhando-se com as diretrizes mais recentes que defendem um cuidado reprodutivo abrangente e equitativo.
Historicamente subestimada, a infertilidade masculina é hoje reconhecida como um fator contribuinte em cerca de 50% dos casos de casais que buscam auxílio. As causas são diversas, incluindo baixa contagem de espermatozoides (oligozoospermia), motilidade reduzida (astenozoospermia) ou morfologia anormal (teratozoospermia). Condições como varicocele, desequilíbrios hormonais, infecções ou escolhas de estilo de vida (tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse e exposição a toxinas ambientais) podem impactar severamente a qualidade do sêmen.
O diagnóstico preciso, geralmente feito através de um espermograma detalhado, é o primeiro passo para o tratamento, que pode variar de mudanças comportamentais e medicamentos a procedimentos cirúrgicos para correção de varicocele ou o uso de técnicas avançadas de reprodução assistida, como a ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide), que revolucionou o tratamento de casos graves de infertilidade masculina.
A endometriose é uma condição debilitante em que o tecido semelhante ao revestimento uterino (endométrio) cresce fora do útero, afetando órgãos pélvicos. Além da dor pélvica crônica, cólicas menstruais intensas (dismenorreia) e dor durante as relações sexuais (dispareunia), a endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina. Ela pode comprometer a fertilidade através de múltiplos mecanismos, como inflamação pélvica, formação de aderências que distorcem a anatomia reprodutiva, impacto na qualidade dos óvulos ou na implantação embrionária.
O diagnóstico envolve uma combinação de histórico clínico, exames de imagem e, frequentemente, laparoscopia. O tratamento para infertilidade associada à endometriose pode incluir cirurgia para remover as lesões e aderências, e frequentemente requer técnicas de reprodução assistida, com a Fertilização In Vitro (FIV) oferecendo taxas de sucesso significativas.
Preservação da fertilidade
A preservação da fertilidade emerge como uma estratégia vital para indivíduos que enfrentam o risco de perder sua capacidade reprodutiva. Esta prática é particularmente relevante para pacientes oncológicos que precisam passar por tratamentos como quimioterapia e radioterapia, que podem ser gonadotóxicos. Além disso, mulheres que desejam postergar a maternidade por razões sociais ou profissionais, ou aquelas com condições médicas que afetam a reserva ovariana, como endometriose avançada ou cirurgias ovarianas, podem se beneficiar imensamente.
As técnicas incluem a criopreservação de óvulos (congelamento de óvulos) para mulheres, criopreservação de sêmen para homens, e, em casos mais específicos, o congelamento de tecido ovariano ou testicular. A preservação oferece a chance de construir uma família no futuro, minimizando o impacto devastador que certas doenças ou escolhas de vida podem ter sobre o sonho da parentalidade.
O papel do especialista em reprodução assistida tornou-se ainda mais central com a publicação da primeira diretriz mundial sobre infertilidade pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Médicos ginecologistas e obstetras com especialização na área são agora a ponte vital entre essas recomendações globais e a aplicação prática, individualizada e ética dos tratamentos. Eles são os guardiões do princípio que defende o acesso ao tratamento da infertilidade como um direito humano fundamental, trabalhando incansavelmente para garantir que a equidade no cuidado reprodutivo se manifeste em todas as etapas, desde a consulta inicial até a concretização do sonho da gestação. Sua expertise é crucial para desmistificar o processo complexo e oferecer um plano de ação claro e sustentável para os casais em busca de realizar a gravidez.
Na prática, o especialista atua como um orientador essencial sobre as estratégias de prevenção da infertilidade, enfatizando a adoção de um estilo de vida saudável, que inclui alimentação balanceada, prática regular de exercícios e a eliminação de fatores de risco conhecidos como tabagismo, consumo excessivo de álcool e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), conforme as diretrizes da OMS.
Além disso, são os responsáveis pelo diagnóstico precoce, recomendando a busca por assistência médica após períodos específicos de tentativas de concepção sem sucesso (12 meses, ou 6 meses para mulheres acima de 35 anos). O especialista também guia o paciente pela hierarquia de tratamentos, priorizando abordagens de menor complexidade, como o manejo expectante ou a inseminação intrauterina (IIU), antes de recorrer a técnicas mais avançadas como a Fertilização In Vitro (FIV), sempre com base em evidências científicas e na individualidade de cada caso.
Olhando para o futuro, o especialista em reprodução assistida continuará a ser o epicentro da inovação e da ética na medicina. A evolução da medicina reprodutiva promete incorporar avanços significativos em inteligência artificial para diagnósticos ainda mais precisos, terapias genéticas para prevenir a transmissão de doenças hereditárias e a personalização extrema dos tratamentos, adaptando-os à biologia única de cada paciente.
Este profissional será desafiado a integrar essas novas tecnologias de forma segura, eficaz e eticamente responsável, ao mesmo tempo em que trabalha para expandir o acesso a esses recursos para populações menos favorecidas. O futuro da reprodução assistida reside na capacidade dos especialistas de adaptar-se, inovar e, acima de tudo, manter o foco no bem-estar e no direito fundamental de cada indivíduo de formar uma família, navegando com maestria pelas complexidades biológicas, tecnológicas e éticas que surgirão.
Com informações de https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/
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