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15 de June de 2026

Câmara de Marília avança em projetos ambientais e urbanísticos

Marília
15/06/2026 10:31
Redacao
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Em um passo decisivo para o futuro sustentável e o ordenamento territorial, a Câmara Municipal de Marília realizou nesta segunda-feira (15) uma sessão ordinária com uma pauta robusta, focada em propostas que prometem moldar a relação da cidade com seu ambiente e a qualidade de vida de seus habitantes. Quatro projetos, que abrangem desde a proteção de recursos hídricos até o reconhecimento da natureza como entidade de direitos, foram colocados em discussão, refletindo um crescente interesse legislativo em temas de grande relevância social e ecológica.

A sessão, que começou às 16h, reuniu vereadores para debater e votar proposituras de autoria tanto do Executivo quanto do próprio Legislativo. A Ordem do Dia demonstrou uma clara inclinação para questões ambientais e urbanísticas, com três dos quatro projetos abordando diretamente a sustentabilidade e o planejamento da cidade. Complementarmente, uma justa homenagem póstuma a uma educadora de destaque na comunidade mariliense também esteve em pauta, adicionando um toque humano à agenda política.

A relevância desses debates transcende o âmbito municipal, inserindo Marília em um contexto de discussões contemporâneas sobre desenvolvimento equilibrado e respeito ao meio ambiente. Os resultados das votações prometem impactar diretamente a paisagem urbana, a preservação de biomas locais e a forma como a cidade se posiciona diante dos desafios climáticos e sociais do século XXI.

Ampliação da preservação hídrica

O primeiro item em análise foi o projeto de lei complementar 23/2026, de autoria da Prefeitura de Marília, que propõe alterações significativas na Lei Complementar 54/1992, legislação que rege o parcelamento do solo urbano no município. A medida visa, primordialmente, reforçar a proteção dos córregos locais, um ponto crucial para a saúde ambiental da cidade. A propositura, aguardando a maioria absoluta dos votos dos vereadores, representa um esforço para adaptar a legislação municipal às crescentes demandas de conservação.

A mudança mais impactante prevista no projeto é a ampliação da faixa não edificável nos fundos dos lotes lindeiros aos córregos Itambés. A área de preservação passará de 50 metros para 100 metros, duplicando a zona de proteção e, consequentemente, fortalecendo a segurança ambiental nas proximidades desses importantes cursos d’água. Esta iniciativa sublinha o compromisso da administração municipal com a conservação dos recursos hídricos e a biodiversidade local.

A proposta também contempla a revogação da Lei Complementar 402/2004, simplificando e atualizando o arcabouço legal. De acordo com a prefeitura, a elaboração do projeto atende a uma sugestão do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), buscando adequar a legislação local às diretrizes e normas federais de proteção ambiental. Essa sinergia entre os poderes municipal e estadual é fundamental para a efetividade das políticas de conservação.

Em sua justificativa, o Executivo municipal enfatiza que a medida é um pilar para fortalecer a política ambiental da cidade, contribuindo ativamente para a preservação dos recursos naturais. O objetivo é criar um equilíbrio entre a proteção ambiental e o desenvolvimento urbano sustentável, garantindo que o crescimento da cidade ocorra de forma responsável e consciente. A aprovação deste projeto exige o voto favorável de nove vereadores.

Reclassificação de área urbana

Na sequência da pauta, os vereadores debateram e votaram o projeto de lei 118/2026, também de iniciativa do Poder Executivo. Esta propositura trata da alteração da destinação de uma área pública específica, de 2.589,77 metros quadrados, localizada na quadra E do bairro Villa Flora Aquarius. A iniciativa busca uma reorganização no planejamento urbanístico da região, visando otimizar o uso do espaço público para a comunidade.

O texto sugere a desafetação da área, anteriormente classificada como área verde, e sua reclassificação para sistema de lazer. O objetivo central é a regularização do loteamento existente, assegurando que a composição das áreas públicas esteja em conformidade com as exigências ambientais e urbanísticas estipuladas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Essa adequação é vital para a legalidade e funcionalidade dos espaços comunitários. <a href="https://www.gov.br/cetesb/pt-br/" target="_blank" rel="noopener">Saiba mais sobre as normativas da Cetesb.</a>

A reclassificação visa aprimorar a infraestrutura e os recursos de lazer disponíveis para os moradores do bairro, transformando uma área de preservação passiva em um espaço ativo para a recreação e convivência social. Esse tipo de ajuste é comum em projetos urbanísticos que buscam conciliar as necessidades de preservação com as demandas por espaços públicos de qualidade.

Marília abraça direitos da natureza

Um dos pontos altos da sessão foi a discussão sobre o projeto de emenda à Lei Orgânica 1/2026, uma iniciativa do vereador Galdino da Unimar (Cidadania), que contou com o apoio e a subscrição de outros sete parlamentares. A proposta visa à inclusão de dispositivos na Lei Orgânica do Município que reconheçam e protejam os direitos inerentes à natureza, um conceito que ganha cada vez mais força no cenário jurídico global.

Conforme a justificativa do projeto, a intenção é alinhar Marília a um movimento mundial que preconiza o fortalecimento da relação entre a sociedade e o meio ambiente. Ao conceder direitos à natureza, a cidade ampliaria a responsabilidade tanto do poder público quanto da população na conservação dos recursos naturais, elevando o patamar de comprometimento com a ecologia local e global.

O texto ressalta a importância estratégica de Marília como um polo de preservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do Brasil. O reconhecimento dos direitos da natureza poderia, inclusive, abrir portas para a ampliação de investimentos voltados ao setor ambiental, consolidando a cidade como referência em sustentabilidade. Para a aprovação desta emenda, é necessário um quórum qualificado, que também corresponde a nove votos favoráveis.

Homenagem à educadora Marilú Bíscaro

Encerrando a Ordem do Dia, os vereadores analisaram o projeto de lei 107/2026, de autoria do vereador Wilson Damasceno (PL). A proposta é uma homenagem póstuma que busca alterar a denominação da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Meu Anjo para Emei Professora Marilú Bonatto Bíscaro – Meu Anjo. Uma iniciativa que celebra a memória e o legado de uma profissional dedicada à educação e à comunidade.

Marilú Bonatto Bíscaro, natural de Marília e nascida em 13 de setembro de 1952, deixou um legado notável na rede estadual de ensino, onde atuou por mais de 25 anos. Sua formação em Pedagogia e Estudos Sociais demonstrava um profundo comprometimento com o desenvolvimento humano e educacional, deixando uma marca indelével na vida de muitos estudantes e colegas.

Além de sua carreira na educação, Marilú foi uma figura ativa na comunidade mariliense. Participou da criação da Feira Noturna Pôr do Sol, um evento que se tornou um importante ponto de encontro e comércio local. Ela também dedicou esforços à Associação de Combate ao Câncer (ACC), mobilizando recursos e apoio para ampliar a oferta de equipamentos de radioterapia, beneficiando pacientes de Marília e região em um momento de grande vulnerabilidade. Marilú faleceu em 24 de abril de 2021, aos 68 anos, deixando saudades e um exemplo de serviço e dedicação.

A homenagem, ao nomear uma instituição de ensino com seu nome, é um reconhecimento perene de sua contribuição inestimável para a educação e o bem-estar social de Marília, garantindo que sua memória e seus valores continuem a inspirar futuras gerações.

O impacto das decisões legislativas

A pauta da sessão ordinária da Câmara de Marília desta segunda-feira evidencia uma tendência clara e positiva: o avanço de temas cruciais relacionados à sustentabilidade e ao planejamento urbano no âmbito do Legislativo municipal. A predominância de propostas com impacto direto sobre questões ambientais, desde a ampliação de áreas de preservação permanente até a revisão de instrumentos urbanísticos e o reconhecimento dos direitos da natureza, sinaliza uma conscientização crescente sobre a urgência de tais pautas.

As decisões tomadas pelos vereadores nesta sessão terão implicações de longo alcance para a cidade, moldando não apenas o futuro de seus ecossistemas, mas também a forma como Marília se desenvolve e como seus cidadãos interagem com o espaço urbano. A busca por um equilíbrio entre o crescimento e a conservação é um desafio constante, e a legislação local desempenha um papel fundamental nesse processo.

Para aqueles que desejam acompanhar de perto os desdobramentos dessas importantes votações, a sessão ordinária foi transmitida ao vivo pela TV Câmara de Marília, no canal aberto 31.2, pelo canal 21 das operadoras de TV por assinatura, e pelos perfis oficiais da Câmara no YouTube e no Facebook. <a href="/noticias/outras-materias-relacionadas-marilia/" target="_blank" rel="noopener">Confira também outras notícias e análises sobre a política em Marília.</a>



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