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12 de August de 2026

Mudança na Câmara de Marília: decisão do TRE-SP altera composição

Marília
12/08/2026 10:31
Redacao
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A Câmara Municipal de Marília está prestes a vivenciar uma nova e significativa alteração em sua composição, um desdobramento direto de uma decisão proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Em um julgamento virtual que se estendeu até esta quarta-feira, a corte formou maioria para manter a anulação dos votos de uma legenda nas eleições municipais de 2024, reacendendo o debate sobre a representação política e a lisura dos pleitos locais.

Com a manutenção da decisão do TRE-SP, o caminho está aberto para que José Carlos Albuquerque (Podemos), ex-vereador de Marília e primeiro suplente de sua sigla, reassuma a cadeira no Legislativo. Essa movimentação implica a saída da atual vereadora Rossana Camacho (PSD), em um cenário que já se desenrolou anteriormente e agora se repete, evidenciando a instabilidade jurídica em torno da composição da Casa de Leis e o impacto direto na governabilidade.

O episódio recente é a mais nova etapa de um imbróglio jurídico que tem mantido a cidade em suspense, refletindo a complexidade da legislação eleitoral brasileira. O caso tem sua origem em uma ação que questionou o cumprimento da cota de gênero pelo partido Mobiliza nas eleições de 2024, levantando questões cruciais sobre a aplicação de suas regras, especialmente no que tange à representatividade feminina nas chapas proporcionais.

O cerne da questão reside na anulação dos votos obtidos pelo Mobiliza, após o reconhecimento de fraude à cota de gênero na chapa proporcional da legenda. A legislação eleitoral, em uma tentativa de promover maior equilíbrio, exige um percentual mínimo de candidaturas de cada gênero. A falha no cumprimento dessa norma resultou na penalidade máxima: a invalidação de todos os votos do partido, alterando o quociente eleitoral e a distribuição das vagas.

Até a noite da última terça-feira (11), quatro dos sete magistrados do plenário do TRE-SP já haviam votado a favor da manutenção da decisão inicial no julgamento do recurso impetrado por Fabiana Lehnhardt, candidata a vereadora derrotada em 2024. Mesmo com a sessão virtual se encerrando nesta quarta-feira (12), a maioria já estava consolidada, tornando a determinação irreversível na esfera estadual, dado que os dois votos restantes não alterariam o placar.

Impacto anterior

Este entendimento já havia sido adotado anteriormente pelo tribunal paulista em julho do ano passado, no processo que reconheceu a fraude à cota de gênero. Naquela ocasião, a Justiça Eleitoral realizou a retotalização dos votos destinados à Câmara Municipal de Marília em 7 de julho, alterando a distribuição das cadeiras. O principal beneficiado foi José Carlos Albuquerque, que, então primeiro suplente do Podemos e ex-vereador, tomou posse em 13 de julho, assumindo a vaga.

Apesar da posse de Albuquerque, a situação não se manteve por muito tempo. Apenas seis dias depois, em 19 de julho, uma decisão monocrática e provisória do ministro Kássio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu os efeitos da deliberação do TRE-SP. Essa intervenção judicial reverteu temporariamente o cenário, permitindo que a vereadora Rossana Camacho reassumisse seu mandato já no dia seguinte, 20 de julho, onde permaneceu até o momento.

A sequência de idas e vindas na composição do Legislativo mariliense ilustra a complexidade e a volatilidade dos processos eleitorais, especialmente quando submetidos a recursos e contestações em diferentes instâncias da Justiça. Tais reviravoltas não apenas geram incerteza jurídica para os envolvidos e a população, mas também impactam a governabilidade e a representatividade de uma das instituições mais próximas do cidadão.

Para a cidade de Marília, o desdobramento significa mais uma fase de transição e adaptação dentro da Câmara, com um vereador saindo e outro entrando, possivelmente em um curto espaço de tempo. Essa dinâmica exige flexibilidade dos demais parlamentares e da administração municipal para manter a agenda legislativa e as demandas da população em foco, apesar das mudanças frequentes na composição, que podem afetar a continuidade dos trabalhos.

Com a formação da maioria no TRE-SP, o cenário volta a ser favorável ao retorno de José Carlos Albuquerque. Contudo, é crucial entender que o resultado do julgamento não provoca uma alteração automática e imediata na configuração da Câmara Municipal de Marília. A decisão, embora já consolidada na esfera do Tribunal Regional Eleitoral, precisa seguir um rito formal para sua efetivação e cumprimento pelas autoridades competentes.

Trâmites futuros

Primeiramente, o acórdão, que é a decisão colegiada formalizada, deve ser publicado pelo tribunal. Após essa etapa, a 70ª Zona Eleitoral de Marília, que é a instância responsável pelos procedimentos eleitorais no município, será notificada e incumbida de cumprir a determinação do TRE-SP. Este procedimento inclui a realização de uma nova retotalização dos votos e a consequente proclamação dos eleitos e suplentes, para então proceder à posse do novo vereador de acordo com o resultado definitivo.

Em paralelo a esses trâmites, o departamento jurídico da vereadora Rossana Camacho já se manifestou, informando que recorrerá da decisão. Este recurso, que provavelmente será dirigido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), adiciona uma nova camada de incerteza ao processo, embora, neste momento, a decisão do TRE-SP seja a que prevalece e dita os próximos passos administrativos e jurídicos no âmbito local.

O recurso ao TSE, no entanto, não necessariamente suspende a eficácia da decisão do TRE-SP de imediato, a menos que haja uma nova liminar ou medida cautelar que o determine. A expectativa é que, uma vez cumpridos os trâmites formais na 70ª Zona Eleitoral, a posse de Albuquerque ocorra, a menos que uma nova intervenção judicial de instância superior a suspenda novamente, o que seria mais um capítulo nesta saga judicial e política.

O caso da cota de gênero em Marília, envolvendo o partido Mobiliza, reflete a seriedade com que a Justiça Eleitoral brasileira tem tratado as infrações às normas que visam promover a igualdade e a representatividade. A legislação, ao estabelecer um percentual mínimo de candidaturas para cada gênero, busca coibir a prática de candidaturas 'laranjas' ou meramente formais, que não possuem real intenção de competir e servem apenas para cumprir a cota, sem efetivamente impulsionar a participação feminina na política, minando o espírito da lei.

Cota de gênero

A fraude à cota de gênero não é um problema isolado de Marília, tendo sido objeto de diversos julgamentos e discussões em todo o país. A importância de se combater essa prática reside na proteção da lisura do processo eleitoral e na garantia de que a intenção do legislador em promover a inclusão seja de fato respeitada. É um esforço contínuo para que a representatividade não seja apenas um número, mas uma realidade que fortaleça a democracia e a pluralidade de ideias nos parlamentos municipais, estaduais e federais.

A intervenção da Justiça Eleitoral, nesse sentido, é fundamental para assegurar que as regras do jogo democrático sejam seguidas por todos os partidos e candidatos, sem exceção. A constante vigilância e a aplicação rigorosa da lei são pilares para a construção de um sistema político mais justo e equitativo, onde as oportunidades de representação sejam distribuídas de maneira mais balanceada e autêntica, refletindo a diversidade da sociedade brasileira em suas instituições.

A nova configuração da Câmara Municipal de Marília, se confirmada e mantida após eventuais recursos, terá implicações diretas na dinâmica do Legislativo local. José Carlos Albuquerque, com sua experiência prévia como vereador, trará uma perspectiva já conhecida, enquanto a saída de Rossana Camacho representa a perda de uma voz que vinha atuando no plenário, exigindo uma rearticulação das forças políticas na Casa e potencialmente alterando alinhamentos e votações futuras.

Este caso serve como um lembrete vívido da fragilidade de mandatos obtidos sob questionamento judicial e da importância da conformidade com as regras eleitorais. A Justiça Eleitoral, em suas diferentes instâncias, reafirma seu papel como guardiã da integridade do processo democrático, mesmo que suas decisões impliquem em constantes reajustes na representação política local e gerem debates significativos sobre o futuro da governança municipal.

A população de Marília aguarda, portanto, a formalização da decisão e os próximos passos dos envolvidos, esperando que a estabilidade e a clareza jurídica finalmente prevaleçam. Isso permitirá que os representantes eleitos possam focar integralmente nas demandas e necessidades do município, contribuindo para o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. O desenrolar dessa história continua a moldar o panorama político da cidade e a reforçar a relevância da Justiça Eleitoral em seu papel de garantir eleições justas e transparentes.

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