Cremesp e Samu investigam conduta médica em caso de morte atestada por engano na SP-294
A conduta de uma médica do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) está sob rigorosa apuração após um grave incidente na SP-294 (rodovia Comandante João Ribeiro de Barros). A profissional, que atua na equipe de Bauru, atestou o óbito de uma mulher vítima de atropelamento que, posteriormente, foi encontrada viva. O caso, que gerou repercussão, levou à abertura de sindicâncias tanto pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) quanto pela própria instituição do SAMU. A médica foi preventivamente afastada de suas atividades enquanto as investigações prosseguem, conforme confirmado pela Secretaria de Saúde de Bauru.
Este episódio sublinha a complexidade e a criticidade da atuação de equipes de emergência, bem como a importância da adesão estrita aos protocolos de constatação de óbito. As apurações buscam esclarecer as circunstâncias que levaram à falha no diagnóstico inicial, visando garantir a segurança do paciente e a integridade dos serviços de saúde prestados à população.
O incidente ocorreu na rodovia SP-294, na região de Bauru, onde uma mulher foi vítima de um atropelamento. A equipe do SAMU foi acionada para prestar os primeiros socorros. No local do acidente, a médica responsável pela avaliação teria realizado o procedimento de constatação de óbito e declarado a vítima como falecida. Após a retirada do corpo e o encaminhamento para o Instituto Médico Legal (IML), a vítima foi encontrada viva, o que deflagrou imediatamente as investigações sobre a conduta médica.
A descoberta de que a mulher ainda estava viva, após ter sido atestada como morta, expôs uma falha crítica nos procedimentos de avaliação pré-hospitalar. A condição da paciente no momento do segundo exame não foi detalhada publicamente, mas o fato de ter sobrevivido a um erro diagnóstico dessa magnitude levanta questões sérias sobre os protocolos de campo e a capacitação contínua dos profissionais que atuam em situações de urgência e emergência.
Afastamento preventivo
Diante da gravidade do ocorrido, duas frentes de investigação foram abertas para apurar a conduta médica e as circunstâncias do caso, garantindo a transparência e a responsabilização. O Cremesp, órgão responsável pela fiscalização ética e profissional da medicina no estado, abriu uma sindicância para investigar a conduta da médica. Este processo é de natureza sigilosa, visando preservar a intimidade das partes envolvidas e a lisura das apurações.
Durante a sindicância, o Conselho coletará depoimentos, analisará prontuários, protocolos de atendimento e quaisquer outras provas relevantes para determinar se houve infração ao Código de Ética Médica. Em caso de constatação de infração, o processo pode evoluir para um Processo Ético-Profissional, que pode resultar em sanções que variam de advertência a cassação do registro profissional.
Paralelamente à investigação do Cremesp, o Samu de Bauru e a Secretaria Municipal de Saúde iniciaram uma sindicância interna. Este procedimento administrativo busca avaliar se houve falhas nos protocolos internos de atendimento, na supervisão das equipes ou na formação dos profissionais. A sindicância interna também visa aprimorar os fluxos de trabalho e garantir que incidentes similares não se repitam. É um mecanismo de autoavaliação e melhoria contínua dos serviços de urgência e emergência oferecidos à população.
Como medida administrativa preventiva, a médica envolvida foi afastada de suas funções no SAMU. É fundamental ressaltar que este afastamento não constitui uma punição, mas sim uma ação para assegurar a isenção das investigações e permitir que a profissional possa focar em sua defesa, se necessário. A Secretaria de Saúde de Bauru confirmou a medida, que permanecerá em vigor até a conclusão das apurações. A duração exata do afastamento não foi definida, dependendo do andamento das sindicâncias. Saiba mais sobre a estrutura e atuação do SAMU em casos de urgência [nesta matéria relacionada](/saiba-mais-sobre-o-samu-estrutura-e-atuacao).
Protocolos médicos
A constatação de óbito, especialmente em ambientes pré-hospitalares e de alta complexidade como o de um acidente de trânsito, exige rigor técnico e o cumprimento de protocolos específicos. Médicos são treinados para identificar sinais inequívocos de morte, que incluem a ausência de pulso, batimentos cardíacos e respiração, além da constatação de midríase fixa e arreativa (dilatação das pupilas sem resposta à luz) e ausência de reflexos. Em situações de trauma, a cena pode ser desafiadora devido a fatores como baixa luminosidade, ruído, estresse e múltiplos ferimentos, o que reforça a necessidade de dupla checagem e experiência.
A medicina de emergência é uma área de alta pressão, onde decisões rápidas e precisas são cruciais. Erros, embora raros, podem ter consequências devastadoras. Por isso, a atualização constante, o treinamento em simulação e a adesão aos fluxos de trabalho são pilares para minimizar riscos e garantir a qualidade do atendimento ao paciente. Este incidente reacende o debate sobre a necessidade de revisitar e reforçar os treinamentos em constatação de óbito para todas as equipes de atendimento pré-hospitalar.
O Samu desempenha um papel fundamental na cadeia de socorro, sendo a primeira resposta em muitas emergências médicas. Incidentes como este, de morte atestada por engano, podem abalar a confiança da população no sistema de saúde. A transparência no processo de investigação é crucial para restaurar essa confiança. As autoridades de saúde têm o dever de comunicar abertamente os resultados das apurações e as medidas corretivas implementadas.
A segurança do paciente deve ser a prioridade máxima em todos os níveis de atenção à saúde. Este caso serve como um lembrete contundente de que, mesmo em sistemas bem estabelecidos, falhas podem ocorrer e que a vigilância contínua, a melhoria de processos e a responsabilização são essenciais para manter a qualidade e a segurança dos serviços. A comunidade médica e as instituições de saúde estão atentas ao desenrolar das investigações para aprender com o ocorrido e fortalecer os mecanismos de proteção ao paciente.
Próximos passos
As sindicâncias conduzidas pelo Cremesp e pelo Samu de Bauru seguirão seus trâmites regulares, com prazos que podem variar dependendo da complexidade das provas e depoimentos a serem coletados. Não há um prazo definido publicamente para a conclusão de ambas as investigações. O foco principal é apurar de forma objetiva o que de fato aconteceu, identificar eventuais falhas e determinar as responsabilidades cabíveis. Os resultados dessas apurações serão fundamentais para a aplicação de medidas disciplinares, se for o caso, e para a implementação de melhorias nos protocolos de atendimento de emergência.
A expectativa é que as conclusões das investigações tragam clareza sobre o incidente, contribuindo para o aperfeiçoamento dos serviços de saúde e reforçando o compromisso com a ética e a segurança na prática médica. A sociedade aguarda os desdobramentos, esperando que este caso singular resulte em aprendizados que beneficiem a todos os usuários do sistema de urgência e emergência.
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