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06 de March de 2026

Família contesta atendimento médico a vítima de acidente doméstico em Assis

Regional
31/12/2025 17:24
Redacao
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A trajetória que culminaria no falecimento de João Batista da Cruz, conhecido como João Galinha, aos 77 anos, teve seu ponto de partida no início de dezembro, com um trágico acidente doméstico em sua residência em Assis, na região de Marília. Conforme relatos da família, o idoso sofreu uma queda de uma escada, um incidente que, de forma insidiosa, resultaria em perfurações de órgãos internos, desencadeando um processo infeccioso que viria a agravar-se progressivamente.

Este evento marcou o doloroso início de uma luta pela vida e o cerne da contestação familiar sobre o atendimento médico subsequente. Levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento ) de Assis imediatamente após a queda, João Galinha apresentava dores intensas e múltiplos hematomas pelo corpo, sintomas claros de um trauma significativo que exigiam atenção e investigação aprofundada.

No primeiro contato com a equipe médica da UPA, a avaliação inicial da condição de João Galinha se mostrou, aos olhos da família, superficial e incompleta. O médico plantonista solicitou apenas um exame de raio-x e, baseando-se nos resultados interpretados, diagnosticou o quadro como uma simples dor lombar. Com essa conclusão, o paciente foi liberado para casa, sem maiores recomendações ou aprofundamento na investigação das causas das intensas dores e hematomas que apresentava.

Atendimento contestável

A aparente simplicidade do diagnóstico inicial foi rapidamente desmentida pela realidade. Apenas dois dias após a primeira alta, o estado de saúde de João Batista piorou drasticamente. O inchaço corporal tornou-se intenso, e as dores, antes fortes, converteram-se em sofrimento excruciante. Diante do agravamento inequívoco, a família não teve alternativa senão retornar à UPA, buscando por uma reavaliação.

Na segunda ida à unidade, a coincidência trouxe o mesmo profissional responsável pelo primeiro atendimento. Apesar da deterioração evidente do paciente, o médico, após repetir o exame de raio-x, surpreendentemente manteve o diagnóstico inicial. Apenas a observação perspicaz de uma técnica de radiologia, que notou a presença de acúmulo de líquido, levantou a primeira suspeita interna. Este alerta levou a irmã de Letícia a confrontar o médico, que, após prometer consultar a junta médica, optou novamente por liberar João Batista, prolongando assim a angústia e a incerteza da família frente a uma condição que se mostrava cada vez mais grave e mal compreendida.

O atendimento prestado na UPA de Assis a João Galinha, é o centro das acusações de negligência e erro diagnóstico por parte da família. Conforme relato da filha, Letícia, o primeiro contato com a unidade ocorreu no início de dezembro, após João sofrer uma queda de escada, resultando em fortes dores e múltiplos hematomas. Neste atendimento inicial, o médico plantonista teria solicitado apenas um exame de raio-x e, com base nele, diagnosticou o quadro como simples dor lombar, liberando o paciente para casa.

Desfecho fatal

A persistência da família foi crucial quando uma técnica de radiologia mencionou a existência de acúmulo de líquido, um alerta ignorado pelo médico que, mesmo assim, liberou João após prometer consultar a junta. Contudo, o quadro clínico deteriorou-se drasticamente nos dias seguintes, revelando a extensão dos danos internos. A urgência da situação levou à necessidade de duas complexas cirurgias, numa tentativa desesperada de conter a infecção e reparar os órgãos perfurados. Essa fase marcou o início de uma sequência de procedimentos invasivos e de intenso sofrimento para o idoso.

A severidade do caso exigiu a transferência de João Galinha para uma unidade de saúde fora de Assis, em busca de tratamento mais especializado. Nesse novo ambiente, ele enfrentou dias de dor excruciante e uma batalha constante contra a infecção, culminando em sua internação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Apesar de todas as intervenções médicas e da luta incessante, as complicações decorrentes dos ferimentos iniciais e da infecção se mostraram incontroláveis. João Batista da Cruz veio a óbito na quarta-feira, 31 de dezembro, aos 77 anos, encerrando um período de profunda agonia e incertezas que sua família atribui, em parte, à negligência nos primeiros atendimentos.

João Batista da Cruz, conhecido por todos em Assis como João Galinha, aos 77 anos, deixa um legado indelével que transcende a mera atuação profissional. Figura proeminente na cidade, ele marcou gerações como um verdadeiro ícone da gastronomia local e um pilar de convivência social, cuja ausência será profundamente sentida pela comunidade que ele tão bem serviu e acolheu. Sua trajetória é um testemunho da paixão pela culinária e pelo contato humano, elementos que definiram sua vida pública e privada e o eternizaram na memória coletiva.

Por décadas, João Galinha não foi apenas um cozinheiro; ele foi um artesão do sabor, cujas receitas tradicionais conquistaram paladares e criaram memórias em inúmeros moradores e visitantes de Assis. Seu bar, um estabelecimento que se tornou um ponto de referência cultural e social, era sinônimo de boa comida e hospitalidade genuína. Através de seus pratos, ele contava histórias, celebrava a cultura local e alimentava não apenas o corpo, mas também a alma da cidade, firmando-se como uma autoridade culinária respeitada e amada, cujo talento era reconhecido por todos.

Gastronomia e história

Mais do que a gastronomia, o que realmente solidificou o status de João Galinha como uma lenda em Assis foi sua habilidade em fomentar a convivência. Seu bar era um epicentro de encontros, onde clientes e amigos se tornavam parte de uma grande família estendida. Ele era conhecido por seu convívio próximo, sua escuta atenta e seu sorriso acolhedor, transformando um simples balcão em um espaço de partilha, risadas e apoio mútuo. Esse ambiente caloroso e familiar garantiu que seu estabelecimento fosse muito mais do que um ponto comercial, tornando-o um verdadeiro lar para a comunidade, um local onde laços eram formados e amizades cultivadas por anos.

Sua partida, que ocorre pouco tempo após o falecimento de sua esposa, deixa uma lacuna não apenas em seu círculo familiar, com as filhas Michele e Letícia – esta última proprietária do Pastel da Letícia, mantendo viva a tradição gastronômica familiar –, o filho Vander (in memoriam) e cinco netos, mas em toda Assis. A cidade perde uma de suas figuras mais carismáticas e essenciais, cujo nome permanecerá gravado na memória afetiva e histórica, lembrando-nos da importância de cultivar a boa mesa e, sobretudo, as boas relações humanas.

A morte de João Batista da Cruz, conhecido como João Galinha, aos 77 anos, mergulhou a família e a comunidade de Assis em profundo luto, intensificado pelas circunstâncias que precederam seu falecimento. Viúvo há apenas um mês, o patriarca deixa as filhas Michele e Letícia, e cinco netos, que agora enfrentam a dor da perda e a indignação perante o que consideram um descaso no atendimento médico. A figura querida, que marcou gerações com seu trabalho como cozinheiro e proprietário de um bar tradicional, teve sua partida envolta em um cenário de sofrimento prolongado, após um acidente doméstico cujas consequências, segundo a família, não foram devidamente identificadas e tratadas a tempo pela rede pública de saúde local.

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