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06 de March de 2026

Infestação Aedes aegypti atinge nível crítico e acende alerta máximo na Saúde

Saúde
29/01/2026 10:31
Redacao
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Marília enfrenta um cenário de alta preocupação com a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. Dados recentes do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa), divulgados nesta quarta-feira (28), apontam para uma elevação significativa nos indicadores de infestação na cidade, superando os níveis registrados no mesmo período do ano anterior. A situação atual reforça o risco iminente de um novo surto de dengue, com potencial para se agravar em uma epidemia, similar ou pior à vivenciada em 2025.

O relatório do Liraa, conduzido por amostragem entre 12 e 27 de janeiro, revelou um Índice Predial (IP) de 3,9 para o início de 2026. Este índice, que representa a porcentagem de imóveis visitados com focos do mosquito, teve um aumento em comparação com os 3,3 registrados em janeiro de 2025. Mais alarmante é o Índice de Breteau (IB), que saltou de 3,7 para 5,9 no mesmo comparativo, evidenciando uma maior concentração de larvas em recipientes a cada 100 imóveis inspecionados.

Os índices atuais posicionam Marília em uma faixa de risco elevado, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Um Liraa é considerado satisfatório quando o índice é inferior a 1. Valores entre 1 e 3,9 caracterizam situação de alerta. Contudo, índices iguais ou superiores a 4 indicam risco de surto. Com um IB de 5,9, o município já se enquadra oficialmente nesta categoria de risco, superando inclusive os indicadores que precederam a grave epidemia de 2025.

A elevação dos indicadores de infestação do Aedes aegypti neste início de ano reflete condições favoráveis à proliferação do mosquito, impulsionadas pela combinação de calor intenso e chuvas abundantes, características do período de verão. Estes fatores climáticos, aliados ao histórico recente de uma epidemia, criam um ambiente propício para a disseminação do vírus da dengue e de outras arboviroses. A prefeitura de Marília destaca que a maior parte dos focos foi identificada no interior das residências, reforçando a necessidade de ações preventivas domésticas.

O ano de 2025 marcou uma das piores crises de dengue na história de Marília. O município contabilizou 14.745 casos confirmados da doença e 37 óbitos, números que levaram à decretação de situação de emergência em saúde pública. Marília figurou como a terceira cidade do estado de São Paulo com o maior número de mortes causadas pela dengue naquele período. Este precedente histórico serve como um alerta contundente para a gravidade do cenário atual e a urgência das medidas preventivas.

Crise anterior

A experiência de 2025 demonstrou a capacidade de rápida expansão da dengue em condições propícias. Se indicadores mais baixos naquele ano já resultaram em uma epidemia com milhares de casos e dezenas de mortes, o cenário atual de janeiro de 2026, com índices de infestação ainda mais elevados, reforça a possibilidade de repetição ou agravamento desse quadro. Atualmente, Marília já registra oito casos confirmados de dengue, com outros 188 em processo de investigação, indicando um aumento das notificações que demanda atenção máxima da saúde pública.

Diante do cenário de risco, a Secretaria Municipal da Saúde de Marília informou que está intensificando as ações de combate à dengue em todas as regiões da cidade. A secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio, afirmou que o ‘combate à dengue em Marília é prioridade absoluta e está sendo feito de forma integrada’. Esta abordagem envolve diversas secretarias, incluindo Serviços Públicos, Meio Ambiente e Educação, visando uma frente unificada contra o mosquito Aedes aegypti.

As ações implementadas pela gestão municipal incluem a continuidade das atividades de limpeza urbana, a conscientização de crianças e adolescentes por meio do aplicativo ‘Click’, e uma atuação intensificada dos agentes de endemias, que estendem suas atividades para os fins de semana. Além disso, foi implantado o Disque Dengue 150, um canal direto para dúvidas e denúncias, visando engajar a população na identificação e eliminação de focos do mosquito [Link externo: Saiba mais sobre o Disque Dengue 150]. Medidas mais rigorosas para proprietários que não mantêm seus quintais limpos também estão sendo adotadas, enfatizando a responsabilidade individual na prevenção.

Agentes fazem visita em residência - Colab./Ass. de Imprensa
Agentes fazem visita em residência – Colab./Ass. de Imprensa

A Secretaria de Saúde também trabalha na ampliação da faixa etária da vacinação contra a dengue, seguindo critérios técnicos estabelecidos, como parte de uma estratégia de longo prazo para mitigar os impactos da doença. A vacinação complementa as ações de controle vetorial e de educação sanitária, buscando oferecer uma proteção mais abrangente à população de Marília. As autoridades sanitárias ressaltam que a prevenção é coletiva, mas exige a responsabilidade individual e a ação firme do poder público para evitar uma nova epidemia.

Prevenção essencial

A metodologia Liraa, utilizada para monitorar o grau de infestação do Aedes aegypti, é uma ferramenta crucial para direcionar as estratégias de combate. Ao identificar as áreas com maior concentração de focos e os tipos de recipientes mais comuns para a proliferação das larvas (como vasos de plantas, caixas-d’água, calhas, ralos e descartes irregulares), as equipes de saúde podem otimizar suas ações, tornando-as mais eficazes e focadas. A participação da comunidade na eliminação de recipientes que acumulam água é, portanto, indispensável para o sucesso das iniciativas.

A situação atual em Marília exige um esforço contínuo e coordenado entre o poder público e a população. A vigilância constante, a limpeza de residências e terrenos, e a denúncia de possíveis focos são atitudes que contribuem diretamente para a redução dos índices de infestação do mosquito Aedes. A experiência de 2025 serve como um lembrete severo da capacidade destrutiva da dengue, e os atuais indicadores do Liraa reforçam que a cidade está em um ponto crítico, onde a ação imediata pode determinar o curso da saúde pública nos próximos meses. A prevenção da infestação por Aedes é um dever cívico.

O poder público de Marília mantém o estado de atenção máxima, ciente dos desafios impostos pela combinação de fatores climáticos e o histórico recente da doença. A continuidade das ações de fiscalização, nebulização em áreas críticas e campanhas educativas é fundamental para mitigar os riscos e proteger a população de uma nova crise de saúde. A mobilização de cada cidadão é um pilar essencial nesta batalha contra o Aedes aegypti e as doenças que ele transmite.

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