Marília discute enfrentamento ao bullying e cyberbullying em audiência pública
Marília foi palco de um importante debate sobre a conscientização, prevenção e o enfrentamento ao bullying e cyberbullying, práticas que afetam profundamente crianças e adolescentes. Uma audiência pública, realizada na Câmara Municipal, reuniu representantes da saúde, especialistas, entidades de classe e a comunidade para traçar estratégias eficazes, especialmente no ambiente escolar, onde a maioria das ocorrências acontece. O encontro sublinhou a urgência de uma abordagem multifacetada para este problema que se intensifica com as interações digitais.
A iniciativa para o debate partiu da vereadora Vânia Ramos (Republicanos), por meio do Requerimento 1.169/2026. Em sua fala, a parlamentar enfatizou que o objetivo não é apenas a prevenção, mas também o acolhimento adequado às vítimas e a responsabilização dos agressores. Ela destacou a necessidade premente de preparar as escolas e seus profissionais para identificar sinais, fortalecer laços familiares e reafirmar que o respeito mútuo não é opcional, encorajando vítimas a quebrar o silêncio e ter suas vozes ouvidas e consideradas.
Contexto da audiência
Vânia Ramos explicou que a audiência pública não buscava culpados, mas sim a construção de caminhos, estratégias e políticas públicas que pudessem gerar resultados concretos. A discussão focou em como as instituições de ensino podem se tornar ambientes mais seguros e acolhedores, equipando educadores com ferramentas para intervir de forma assertiva e apoiar tanto quem sofre quanto quem pratica as agressões, com foco na reeducação e na conscientização das consequências.
A vereadora ressaltou a importância de uma rede de apoio que envolva não apenas a escola, mas também as famílias e a comunidade, para que juntos possam criar um ambiente onde o respeito e a empatia prevaleçam. A compreensão dos mecanismos do bullying e do cyberbullying é fundamental para que as ações preventivas e reativas sejam eficazes, evitando o isolamento das vítimas e o avanço da violência. <a href="https://www.camaramarilia.sp.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">Saiba mais sobre as iniciativas da Câmara de Marília.</a>
A rede de apoio
A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Marília, Alessandra Guedes, parabenizou a iniciativa e salientou que o enfrentamento ao bullying é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade. Ela alertou que o bullying não pode ser minimizado como “brincadeira” ou “conflito”, pois a repetição das agressões acarreta consequências graves. A OAB se colocou à disposição para colaborar na construção de medidas concretas e permanentes, focando tanto na prevenção quanto na responsabilização jurídica.
Entre as propostas apresentadas pela OAB estão o aperfeiçoamento dos protocolos nas escolas, a capacitação de profissionais que lidam com crianças e adolescentes, a garantia de canais seguros para as vítimas buscarem ajuda e a implementação de ações educativas que promovam a cultura do respeito, da empatia e da tolerância. A ideia é criar um sistema robusto que não apenas reaja aos incidentes, mas que atue proativamente na formação de cidadãos mais conscientes e solidários.
Projeto dialogar para proteger
A coordenadora do Projeto Dialogar para Proteger, a advogada Adryane Melissa da Silva de Almeida, apresentou o trabalho voluntário que a iniciativa vem desenvolvendo desde junho. O projeto realiza palestras em escolas municipais, direcionadas a alunos do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio, abordando as implicações jurídicas para quem pratica o bullying e cyberbullying, e orientando as vítimas sobre onde buscar acolhimento e ajuda. A advogada compartilhou relatos alarmantes de automutilação entre adolescentes vítimas, evidenciando a urgência do problema.
Adryane Melissa também destacou que a legislação brasileira, desde 2024, tipificou o bullying e o cyberbullying como crimes, e a conscientização dos jovens sobre essa mudança é fundamental. A pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (2024) revelou que 40% dos estudantes de 13 a 17 anos sofrem com bullying, o que reforça a gravidade da situação. O projeto planeja expandir suas ações para incluir palestras para pais, reconhecendo o papel crucial da família na prevenção e no apoio às vítimas. <a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2024/janeiro/lei-torna-bullying-e-cyberbullying-crimes-e-muda-status-de-outras-condutas" target="_blank" rel="noopener">Confira a legislação sobre bullying e cyberbullying.</a>
Impacto humano e legal
A advogada Bruna Tavares de Melo compartilhou sua própria experiência como vítima de bullying na adolescência, reforçando a importância do preparo das escolas para o acolhimento. Ela relatou a falta de apoio adequado que recebeu na época e sublinhou que a maneira como a ajuda é oferecida é tão importante quanto a ajuda em si. A capacitação de professores e educadores para identificar sinais de sofrimento, a existência de protocolos claros, regulamentação e oferta de apoio emocional discreto são cruciais. Bruna enfatizou que, embora o bullying não a tenha definido, trouxe prejuízos significativos à sua vida.
A perspectiva das vítimas é um lembrete contundente de que o bullying deixa cicatrizes invisíveis e duradouras, impactando a saúde mental e o desenvolvimento social. A necessidade de um ambiente escolar que não apenas coíba as agressões, mas que também promova a resiliência e o bem-estar psicológico dos alunos, tornou-se um ponto central do debate, evidenciando que a saúde mental deve ser prioridade nas instituições de ensino.
Legislação e conselho
Samuel Augustto, do Conselho Tutelar, destacou o papel fundamental do órgão público no enfrentamento ao bullying e cyberbullying, ressaltando a importância de uma rede de proteção ativa e integrada. Ele comparou a violência do bullying a um hematoma invisível, cujas consequências, se não tratadas, podem durar a vida inteira. Com o aumento das ocorrências, a articulação da rede de proteção é vista como essencial, garantindo que todos os envolvidos compreendam a complexidade da problemática no mesmo nível.
Augustto também mencionou as dificuldades para a efetividade plena da legislação de 2024, que criminalizou o bullying e o cyberbullying. A missão do Conselho Tutelar, nesse cenário, é trabalhar para que essa lei seja aplicada de forma eficaz, oferecendo suporte e direcionamento para que as vítimas e suas famílias encontrem o amparo necessário. A integração entre escolas, conselho tutelar, saúde e outras instituições é a chave para transformar a legislação em proteção real.
Perspectivas futuras
O presidente do Legislativo mariliense, vereador Danilo Bigeschi, conhecido como Danilo da Saúde (PSDB), mencionou importantes avanços na educação local que podem auxiliar no combate ao bullying. Ele citou as salas de acolhimento e de saúde, bem como a presença de psicólogos nas unidades escolares, como iniciativas que podem fazer a diferença. Bigeschi parabenizou a vereadora Vânia Ramos e todos os participantes da audiência, reforçando que as sugestões e deliberações surgidas no debate devem ser levadas ao prefeito Vinicius Camarinha para que se tornem ações concretas.
A audiência pública em Marília representa um passo significativo na construção de um ambiente mais seguro e respeitoso para crianças e adolescentes. As estratégias discutidas, que abrangem prevenção, acolhimento, responsabilização e articulação interinstitucional, demonstram um compromisso sério em transformar a realidade do bullying e cyberbullying. O desafio agora é garantir que essas propostas se traduzam em políticas públicas duradouras e eficazes, assegurando que a voz das vítimas seja sempre ouvida e que a cultura do respeito prevaleça.
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