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24 de June de 2026

Fabricação de produtos alimentícios: motor de emprego e renda no Brasil em 2024, aponta IBGE

Marília
24/06/2026 11:17
Redacao
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A robustez do setor industrial brasileiro foi mais uma vez evidenciada, com a fabricação de produtos alimentícios se destacando como a principal força motriz na geração de emprego no país em 2024. Dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2024, revelam que essa atividade empregou um contingente impressionante de 2,1 milhões de pessoas. Esse número não apenas sublinha a vitalidade do segmento, mas também a sua importância estratégica para o mercado de trabalho nacional e para a segurança alimentar do Brasil.

O relatório do IBGE, que analisa o desempenho do setor industrial, apontou que o total de pessoal ocupado em toda a indústria brasileira alcançou a marca de 8,7 milhões de indivíduos. Dessa vasta parcela, as indústrias de transformação foram as grandes protagonistas, concentrando 97,1% do total de empregos. Tal concentração demonstra a capilaridade e a diversidade desse setor, que abrange desde a produção em larga escala até atividades mais específicas e de nicho, impactando diretamente milhões de famílias brasileiras.

Além da liderança da fabricação de produtos alimentícios, outras atividades industriais também apresentaram números significativos de ocupação. A confecção de artigos de vestuário e acessórios empregou 551,8 mil pessoas, evidenciando a força do setor têxtil e de moda. Em seguida, a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, registrou 517,1 mil trabalhadores, enquanto a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias foi responsável por 491,9 mil postos de trabalho. Esses segmentos, embora com números menores que o setor alimentício, são pilares fundamentais para a economia e para a cadeia produtiva do país.

Em 2024, o cenário industrial brasileiro foi marcado pela atuação de 358,4 mil empresas, que juntas remuneraram seus colaboradores com um montante de R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras compensações. Essa injeção de recursos no mercado de trabalho reflete a capacidade produtiva e a importância social da indústria, que não só gera bens e serviços, mas também impulsiona o consumo e a qualidade de vida da população. Os dados da PIA 2024, divulgados em 24 de abril, oferecem um panorama detalhado da saúde econômica e empregatícia do parque industrial nacional.

Receita e o valor da produção industrial

O impacto da indústria vai além da geração de empregos, refletindo-se diretamente na movimentação financeira do país. Ainda em 2024, a receita bruta total dessas empresas atingiu a impressionante cifra de R$ 8,8 trilhões. A maior parte desse valor, R$ 7,4 trilhões, foi obtida com a venda de produtos e serviços industriais. Complementarmente, R$ 695,9 bilhões foram gerados em revenda e serviços não industriais, enquanto outras receitas somaram R$ 706,0 bilhões. Esses números robustos ilustram a complexidade e a diversidade das fontes de faturamento do setor.

A análise da receita líquida de vendas (RLV) é crucial para entender a real contribuição da indústria para a economia. Calculada a partir da receita bruta, após a dedução de impostos sobre vendas, vendas canceladas e descontos incondicionais, a RLV alcançou R$ 6,8 trilhões. Outro indicador econômico de destaque é o Valor de Transformação Industrial (VTI), que totalizou R$ 2,6 trilhões. Desse montante, 88,8% tiveram origem nas indústrias de transformação, consolidando a relevância desse segmento na agregação de valor aos produtos.

Marcelo Miranda, gerente de Análise e Disseminação da pesquisa do IBGE, explicou à Agência Brasil que o VTI é obtido pela diferença entre o valor bruto da produção industrial e os custos das operações. “Representa a riqueza efetivamente gerada pela atividade industrial”, ressaltou Miranda, enfatizando a importância desse indicador para medir a contribuição genuína do setor para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Compreender o VTI é fundamental para avaliar a eficiência e a capacidade inovadora da indústria brasileira.

No que tange à RLV, as indústrias de transformação foram responsáveis por 92,9% da receita líquida de vendas da indústria nacional em 2024. Dentre elas, a fabricação de produtos alimentícios manteve sua proeminência, contribuindo com 23,0% do total da RLV. Em um ranking de relevância, a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis ficou em segundo lugar, com 10,1%. Em seguida, vêm a fabricação de produtos químicos (9,2%), a fabricação de veículos automotores, reboques e carroceria (8,9%) e a metalurgia (6,4%).

Produtividade e perfis de remuneração

A hegemonia da indústria de alimentos é um reflexo da estrutura econômica brasileira. Conforme Marcelo Miranda, “A fabricação de produtos alimentícios é extremamente representativa. É um dado significativo do Brasil. A economia brasileira tem muita dependência da produção e fabricação de alimentos. Era de se esperar que isso fosse também no ano de 2024, dentro da atividade industrial”. Essa afirmação reforça a interconexão entre o setor primário, a indústria de transformação e o consumo doméstico e externo.

Quando o assunto é produtividade, a extração de petróleo e gás natural se destacou, liderando o ranking com uma geração de R$ 13,3 milhões por pessoa ocupada. Este dado ressalta a alta intensidade de capital e tecnologia envolvida nessa atividade, resultando em um elevado valor de produção por trabalhador. Embora não seja a maior empregadora, a eficiência na geração de riqueza por indivíduo é notável, contribuindo significativamente para o VTI nacional.

Outro aspecto relevante da pesquisa do IBGE diz respeito ao tamanho das empresas e sua contribuição para a receita líquida total. As empresas de maior porte, com 500 ou mais pessoas ocupadas, foram responsáveis por expressivos 67,9% da receita líquida total, atingindo R$ 4,6 trilhões. Em contraste, as médias empresas (100 a 499 pessoas) contribuíram com 17,4%, as pequenas com 8,7%, e as microempresas responderam por 6,1%. Essa disparidade, analisada pelo IBGE, evidencia que, embora o Brasil possua um grande número de empresas de menor porte na indústria, a maior parte da receita está concentrada nas firmas de maior escala, o que impacta as políticas de desenvolvimento e incentivo.

A análise da renda também é um ponto crucial para entender o mercado de trabalho industrial. Em geral, os salários, retiradas e outras remunerações somaram R$ 481,1 bilhões, com 94,9% desse volume pago no setor de transformação. O salário médio na indústria, calculado em salários mínimos, foi de 3,0. No setor extrativo, a média atingiu 5,4 mínimos, mas a extração de petróleo e gás natural se sobressaiu, pagando 17,5 salários mínimos em 2024. Na indústria de transformação, a média foi de 2,9 mínimos, com a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis apresentando o maior salário médio, de 7,9 salários.

Concentração de mercado e relevância regional

A pesquisa do IBGE também apresentou o indicador “razão de concentração de ordem 8” (R8), que mede o percentual do valor de transformação industrial correspondente às oito maiores empresas da indústria. Quanto maior o índice, maior a concentração de mercado. Em 2024, 20,2% do VTI estavam concentrados nas oito maiores empresas industriais. Nas indústrias extrativas, o R8 foi de 50,1%, enquanto nas indústrias de transformação, obteve 20,4%. Setores como a extração de carvão mineral (96,5%) mostraram altíssima concentração, enquanto a confecção de artigos do vestuário e acessórios (9,5%) revelou menor concentração, indicando um mercado mais pulverizado.

A relevância da fabricação de produtos alimentícios se estende por todo o território nacional. Na avaliação das unidades da Federação, 18 das 27 têm essa atividade como a primeira em valor da transformação industrial, evidenciando a sua importância regional e a sua capacidade de gerar riqueza localmente. Regiões como o Sudeste, tradicionalmente um polo industrial, apresentaram forte concentração de VTI, mas a presença marcante da indústria alimentícia em outras regiões do Brasil é um fator de equilíbrio e desenvolvimento distribuído.

A predominância da indústria alimentícia na criação de empregos e na contribuição para a receita e o VTI do Brasil em 2024, conforme os dados do IBGE, solidifica sua posição como um pilar fundamental da economia. Ela não só garante a subsistência de milhões de brasileiros, mas também impulsiona outras cadeias produtivas e contribui para a soberania alimentar do país. Os desafios futuros incluem a modernização, a sustentabilidade e a inovação contínua para manter essa trajetória de crescimento e adaptação às demandas globais.

Acompanhe as últimas tendências e análises sobre o setor industrial e o mercado de trabalho. Para entender mais sobre as políticas de fomento, <a href="https://seusite.com.br/noticias/programa-incentivo-industria-recebera-mais-bilhoes-2026" target="_blank" rel="noopener">leia também sobre o programa de incentivo à indústria que receberá mais R$ 140 bilhões em 2026</a>. <a href="https://seusite.com.br/categoria/economia" target="_blank" rel="noopener">Confira outras notícias da categoria Economia</a> para aprofundar-se no tema.



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