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14 de May de 2026

Desemprego de pretos 55% maior que o de brancos, aponta IBGE

Marília
14/05/2026 18:47
Redacao
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A desigualdade no mercado de trabalho brasileiro se mantém como um desafio estrutural, com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expondo um abismo significativo entre grupos raciais. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação para pessoas pretas alcançou 7,6%, um patamar notavelmente acima da média nacional de 6,1%. Mais alarmante, este índice é 55% superior ao registrado para pessoas brancas, que apresentaram uma taxa de 4,9%, indicando uma profunda disparidade.

Essas revelações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (14), e reforçam a persistência de assimetrias históricas. O cenário atual não apenas espelha, mas agrava o observado em períodos anteriores, indicando uma complexidade que transcende flutuações econômicas momentâneas e aponta para raízes mais profundas na estrutura social e econômica do país.

Disparidade em ascensão

O patamar de diferença de 55% registrado no primeiro trimestre de 2026 representa um aumento em relação aos períodos imediatamente anteriores. No último trimestre de 2025, a taxa de desemprego de pessoas pretas já era 52,5% maior que a de brancos, e nos três primeiros meses do ano passado, a diferença girava em torno de 50%. Tais números evidenciam uma tendência de aumento da disparidade, mesmo em um contexto de melhoria geral dos indicadores de emprego.

A série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012, revela que, naquele ano, o desemprego de pessoas pretas era 44,8% maior que o dos brancos. Embora a menor diferença já verificada tenha sido de 43,6% no segundo trimestre de 2021, o pico da disparidade foi atingido no segundo trimestre de 2020, com 69,8%, período de eclosão da pandemia de covid-19, o que demonstra a vulnerabilidade desses grupos em contextos de crise.

Cenário para pessoas pardas

A análise da Pnad Contínua também revela que a taxa de desemprego das pessoas pardas se mantém em um nível elevado em comparação com o grupo de pessoas brancas. No primeiro trimestre de 2026, a desocupação entre os pardos atingiu 6,8%, o que representa uma diferença de 38,8% em relação à taxa dos brancos. Este dado reforça a ideia de que a desvantagem se estende a diferentes grupos raciais não brancos no país, embora com uma intensidade ligeiramente menor do que a observada para pessoas pretas.

Desde o início da pesquisa, a diferença na taxa de desemprego entre pardos e brancos era de 37,3%. Ao longo dos anos, houve flutuações, com o menor nível de disparidade alcançando 33,3% no segundo trimestre do ano passado e o maior, 50,84%, no terceiro trimestre de 2023. Mais recentemente, no último trimestre de 2025, o desemprego dos pardos era 47,5% maior que o dos brancos, mostrando a dinâmica de um problema persistente e multifacetado.

Fatores estruturais sob investigação

Para William Kratochwill, analista da Pnad Contínua, a disparidade nas taxas de desemprego entre pretos e pardos em relação aos brancos é um indicativo de "algo estrutural" presente na sociedade brasileira. Ele pondera que essa condição pode estar ligada a uma série de fatores interligados que transcendem a mera identificação de cor ou raça. Aspectos como o nível de instrução, o acesso à educação de qualidade e a região de moradia podem desempenhar um papel crucial nessas diferenças nas oportunidades de emprego. <a href="https://www.seusite.com.br/numero-de-pessoas-em-busca-de-emprego" target="_blank">Leia também: Número de pessoas em busca de emprego há dois anos ou mais cai 21,7%</a>.

Kratochwill enfatiza que, para compreender a fundo as causas dessas disparidades e determinar com precisão o que as provoca, seria necessário um estudo bem mais aprofundado. Essa análise deveria considerar uma vasta gama de características socioeconômicas e demográficas, e não se limitar apenas à autoidentificação de cor ou raça, a fim de desvendar as complexas interações que moldam o acesso ao mercado de trabalho no Brasil.

Informalidade e suas nuances

Além da maior taxa de desocupação, pessoas pretas e pardas também enfrentam uma desvantagem significativa quando o assunto é a formalidade do emprego, conforme os dados da Pnad Contínua. O IBGE define como informais os trabalhadores sem carteira assinada, os autônomos e empregadores que não possuem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ou seja, aqueles que operam sem as garantias e proteções trabalhistas essenciais, como seguro-desemprego, férias remuneradas e 13º salário.

Na média nacional, a taxa de informalidade no primeiro trimestre de 2026 foi de 37,3%, percentual que representa a proporção de trabalhadores ocupados sem acesso a tais direitos. A análise por grupos raciais revela que para pessoas brancas, a informalidade foi de 32,2%, um valor abaixo da média. Em contrapartida, para os pardos, o índice subiu para 41,6%, e para os pretos, alcançou 40,8%, evidenciando a concentração da informalidade nesses grupos. <a href="https://www.seusite.com.br/trabalhadores-por-conta-propria" target="_blank">Confira outras notícias: Trabalhadores por conta própria têm as maiores jornadas no país</a>.

Critérios da pesquisa

A Pnad Contínua adota a autoidentificação como critério para a classificação racial, permitindo que a própria pessoa entrevistada escolha como quer se declarar. Essa abordagem metodológica é fundamental para capturar a percepção individual e a diversidade da população brasileira. Os dados do primeiro trimestre de 2026 indicam a seguinte distribuição da população alvo do levantamento (pessoas com 14 anos ou mais): pardos representam a maior parcela, com 45,4%, seguidos por brancos, com 42,5%, e pretos, com 11,1%.

É importante notar que pessoas de origem asiática (amarelas) e indígenas não foram detalhadas na análise trimestral específica apresentada pela Pnad, que se concentrou nos grupos demográficos mais expressivos para esta divulgação dos dados sobre desocupação e informalidade.

Desigualdade por gênero e idade

Além das disparidades raciais, o IBGE também aponta diferenças significativas nas taxas de desemprego entre homens e mulheres. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação para as mulheres foi de 7,3%, um índice 43,1% maior do que o dos homens, que registrou 5,1% – este último, inclusive, abaixo da média nacional de 6,1%. Desde o início da série histórica da pesquisa, a desocupação feminina era 69,4% superior à masculina, com a menor diferença registrada em 27% no segundo trimestre de 2020, o que revela um desafio persistente para a inserção plena da mulher no mercado.

No que tange à informalidade, a situação se inverte ligeiramente entre os gêneros, com os homens apresentando uma taxa de 38,9% de trabalhadores informais, enquanto para as mulheres esse percentual é de 35,3%. Este contraste sugere que, embora as mulheres enfrentem maior dificuldade em conseguir um emprego formal, sua informalidade pode ser distinta em sua natureza ou as ocupações informais femininas podem ter características que as diferenciam das masculinas.

O peso da idade no emprego

A análise do IBGE por faixa etária também revela padrões distintos no mercado de trabalho. O grupo mais jovem, de 14 a 17 anos, é o que enfrenta a maior taxa de desocupação, atingindo 25,1%. Conforme analisa William Kratochwill, esses jovens são frequentemente os que aceitam trabalhos temporários ou com menor estabilidade, como uma forma de ingressar no mercado e começar a construir um currículo profissional, caracterizando um estágio de transição e alta rotatividade.

Em contrapartida, as pessoas com 60 anos ou mais apresentam a menor taxa de desemprego, com apenas 2,5%. Kratochwill explica que, nesta faixa etária, muitos já estão em processo de saída do mercado de trabalho ou já se aposentaram, resultando em um menor número de indivíduos ativamente em busca de ocupação. Este fenômeno natural de transição de vida impacta diretamente os indicadores de desocupação. <a href="https://www.seusite.com.br/aprofundamento-fgts-desenrola" target="_blank">Aprofunde-se no tema: Uso do FGTS para pagar dívidas no Desenrola começa no dia 25</a>.

Os dados da Pnad Contínua do IBGE reiteram a complexidade do mercado de trabalho brasileiro, marcado por profundas desigualdades raciais, de gênero e idade. A persistência de "algo estrutural", como apontado pelo analista William Kratochwill, exige uma compreensão aprofundada das interconexões entre instrução, região e oportunidades. As informações reforçam a necessidade contínua de análises e discussões sobre políticas públicas que visem mitigar essas disparidades, promovendo um mercado de trabalho mais equitativo e inclusivo para todos os brasileiros, sem, contudo, emitir juízo de valor ou propor soluções específicas.



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