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23 de April de 2026

Economia prateada impulsiona o empreendedorismo sênior no Brasil

Marília
20/04/2026 11:17
Redacao
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O cenário socioeconômico brasileiro testemunha uma transformação notável com o florescimento da economia prateada, um segmento vibrante que engloba pessoas com mais de 60 anos. Dados recentes do Sebrae Nacional revelam que o país já conta com <b>4,5 milhões de empreendedores</b> nessa faixa etária, um aumento expressivo de 58,6% na última década. Esse crescimento robusto sinaliza não apenas uma mudança demográfica, mas também um ressignificado profundo sobre a aposentadoria e o papel dos idosos na sociedade, consolidando uma nova força produtiva no mercado.

A ascensão do empreendedorismo sênior reflete um desejo crescente de permanecer ativo e com propósito, desdobrando-se em uma "onda forte", como descreve Gilvany Isaac, gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae. Longe da inatividade, essa geração busca uma continuidade de carreira e projetos que alinhem sua vasta experiência de vida com a capacidade de resolver problemas e contribuir para suas comunidades, encontrando no empreendedorismo um caminho fértil para essa realização pessoal e coletiva.

Em resposta a essa demanda crescente, o Sebrae tem investido em programas de apoio específicos para o empreendedorismo sênior. Somente em 2023, o programa atendeu 869 mil pessoas, e a meta ambiciosa para 2026 é alcançar 1 milhão de empreendedores dessa faixa etária. Essa iniciativa estratégica visa capacitar e orientar indivíduos que desejam iniciar ou expandir seus próprios negócios, garantindo que o potencial da geração 60+ seja plenamente aproveitado para o desenvolvimento econômico e social do país.

Os empreendimentos liderados por essa faixa etária frequentemente se ancoram em saberes tradicionais e vocações locais, como notado por Gilvany Isaac. Seja na arte do artesanato, no cultivo de sementes ancestrais ou na manipulação de ervas medicinais, há uma valorização intrínseca de conhecimentos transmitidos por gerações. Um exemplo marcante é o trabalho de mulheres em comunidades pesqueiras da região Sul do Brasil, que transformam redes de pesca descartadas em peças de artesanato, unindo arte, tradição e sustentabilidade.

Essa inclinação por práticas sustentáveis e conscientes não é mera coincidência. "A gente vê que a geração 60+ tem esse cuidado com o planeta, porque viu muita transformação", comenta Isaac. Essa perspectiva reflete uma profunda responsabilidade social e ambiental, impulsionando negócios que não apenas geram renda, mas também promovem a preservação e a integração de valores que mantêm o planeta vivo, tal como o conheceram, mostrando um elo entre o passado e a construção de um futuro mais verde.

Suporte e propósitos para a geração prateada

Os setores que mais atraem o empreendedorismo sênior no Brasil são o turismo, o comércio e os serviços, áreas que permitem a aplicação de experiência acumulada e a interação social. Para fomentar esses empreendimentos, o Sebrae disponibiliza um arcabouço de suporte que vai desde mentorias personalizadas e consultorias especializadas até cursos e atendimentos individuais, tudo de forma gratuita. O foco é tanto para quem aspira ser empreendedor quanto para aqueles que visam abrir negócios direcionados ao próprio consumidor 60+.

A receptividade desse público aos programas de capacitação é notável, com alta participação e um índice de desistência consideravelmente baixo. Gilvany Isaac ressalta a dedicação: "Eles são muito participativos". O Sebrae, ciente das particularidades dessa fase da vida, desenvolve projetos adequados às necessidades do empreendedor maduro, permitindo que conciliem o trabalho com o desfrute da vida, sem exigir a dedicação de todo o seu tempo disponível ao negócio. Essa flexibilidade é um pilar fundamental para o sucesso e a longevidade desses projetos.

O suporte oferecido pelo Sebrae abrange todas as etapas da jornada empreendedora, desde o delineamento da ideia inicial até a consolidação do negócio. Além dos atendimentos individualizados, são promovidos eventos e encontros para fortalecer a rede de contatos entre os empreendedores, estimulando a troca de experiências, o aprendizado mútuo e a criação de parcerias estratégicas. Esse ambiente colaborativo é essencial para o desenvolvimento de um ecossistema prateado robusto e interconectado, gerando valor para toda a sociedade.

A demografia que redesenha o mercado de trabalho

A expansão dos negócios comandados por pessoas com mais de 60 anos não é um fenômeno isolado; ela está intrinsecamente ligada às profundas transformações populacionais que o Brasil vem experimentando. O aumento da expectativa de vida ao nascer é um fator crucial, saltando de 62,6 anos em 1980 para 76,4 anos em 2023, segundo dados oficiais. Esse prolongamento da vida ativa tem impactado diretamente a composição do mercado de trabalho, redefinindo o conceito de idade produtiva e de engajamento social.

Um estudo da pesquisadora Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), aponta que a Geração Prateada (60+) constitui atualmente um quinto da População em Idade Ativa (PIA) brasileira. Essa proporção destaca o potencial e a necessidade de integração desse grupo no dinamismo econômico do país, contrariando estereótipos antigos que associavam o envelhecimento à inatividade ou à dependência.

A presença de idosos na PIA varia regionalmente. Em 2024, os estados do Rio de Janeiro (24,1%), Rio Grande do Sul (23,7%) e São Paulo (21,7%) apresentavam as maiores proporções de idosos na força de trabalho. Em contraste, Roraima (12%), Acre (12,4%) e Amazonas (13%) registravam as menores. Essa distribuição evidencia diferentes contextos e desafios regionais na absorção e valorização da mão de obra sênior, influenciando as oportunidades para o empreendedorismo sênior local.

Janaína Feijó enfatiza que a Geração Prateada de hoje é caracterizada por um perfil mais saudável, engajado e ativo como consumidora. Há dois grandes perfis entre os idosos economicamente ativos: aqueles que trabalham por necessidade de renda e os que permanecem em suas atividades para manterem-se produtivos, com vínculos profissionais e sociais, buscando realização pessoal e uma vida plena. Ambos os perfis contribuem significativamente para a economia e a sociedade, desafiando concepções ultrapassadas.

Superando desafios e formalizando o futuro

Apesar do crescente reconhecimento do potencial da economia prateada, a pesquisadora Janaína Feijó destaca o etarismo – a discriminação contra pessoas mais velhas – como um dos principais entraves à plena integração dos 60+ no mercado de trabalho. Esse preconceito, presente tanto na sociedade quanto no ambiente corporativo, limita oportunidades e subestima a capacidade e a experiência de uma parcela valiosa da população. O combate a essa mentalidade é crucial para o avanço da inclusão e para a justiça social.

A negligência em aproveitar a mão de obra sênior tem implicações econômicas severas para o país. Feijó alerta: "O que acontece no Brasil é que a população está envelhecendo e não dispõe de jovens para repor essa mão de obra, que está envelhecendo. Se a gente não contar com a mão de obra 60+, no fim das contas, a gente está prejudicando o crescimento econômico do país". Valorizar e integrar essa força de trabalho é, portanto, uma necessidade estratégica para a sustentabilidade e o desenvolvimento nacional, e não apenas uma questão social.

Nesse contexto, o empreendedorismo emerge como um caminho promissor para aqueles que, mesmo após a aposentadoria, desejam manter-se ativos e contribuir. Ele oferece autonomia, flexibilidade e a oportunidade de construir algo alinhado aos seus próprios termos e experiências. Contudo, Janaína Feijó ressalta a importância de que o empreendedor 60+ busque a formalização de seu negócio. A formalização garante segurança jurídica, acesso a benefícios previdenciários e maior estabilidade, protegendo o empreendedor de possíveis situações de vulnerabilidade.

A economia prateada no Brasil é mais do que uma tendência demográfica; é um movimento potente que redefine o envelhecimento, transformando-o em um período de novas oportunidades, propósito e contribuição social. O empreendedorismo sênior, apoiado por iniciativas como as do Sebrae, não só impulsiona a economia, mas também valoriza a experiência, a sabedoria e a capacidade de uma geração que se recusa a ser inativa, construindo um futuro mais inclusivo e próspero para todos. O desafio agora é consolidar esse potencial, garantindo o suporte necessário e combatendo preconceitos para que essa "onda forte" continue a crescer e a transformar a sociedade.

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