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23 de April de 2026

Energia solar em Itaipu revela potencial de dobrar a capacidade da usina

Marília
21/04/2026 18:46
Redacao
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A Usina Hidrelétrica de Itaipu, um marco da engenharia binacional na fronteira entre Brasil e Paraguai, explora um novo horizonte para a geração de energia. O vasto reservatório da usina, que se estende por cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados e 170 km de comprimento, não é apenas a força motriz para suas turbinas que geram até 14 mil megawatts (MW) de energia hidrelétrica. Agora, ele também se torna palco para um ambicioso experimento: a geração de eletricidade a partir de painéis solares flutuantes.

Desde o final do ano passado, técnicos brasileiros e paraguaios vêm estudando o potencial da energia solar no espelho d'água de Itaipu. Este projeto pioneiro visa integrar diferentes fontes de energia renovável, aproveitando a infraestrutura existente de uma das maiores hidrelétricas do mundo para expandir sua capacidade e diversificar sua matriz energética, um movimento estratégico em direção a um futuro mais sustentável.

Pesquisa e desenvolvimento flutuante

A iniciativa atual compreende a instalação de 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de aproximadamente 10 mil metros quadrados sobre o lago. Essa “ilha solar” está localizada a apenas 15 metros da margem paraguaia, em um trecho com profundidade média de 7 metros. Embora modesta em escala se comparada à gigantesca capacidade hidrelétrica da usina, a planta solar flutuante já demonstra um potencial significativo.

Com capacidade para gerar 1 megawatt-pico (MWp), a energia produzida por esta unidade é equivalente ao consumo de 650 residências. Atualmente, a eletricidade gerada é destinada exclusivamente ao consumo interno da usina, não sendo comercializada nem conectada diretamente à rede de geração hidrelétrica. Essa característica sublinha o papel do projeto como um laboratório vivo para pesquisa e desenvolvimento.

Engenheiros envolvidos no projeto analisam minuciosamente todos os aspectos da interação dos painéis fotovoltaicos com o ambiente aquático. Os estudos abrangem desde os eventuais impactos no comportamento da fauna local, como peixes e algas, até as variações na temperatura da água. A influência dos ventos sobre o desempenho dos painéis, a estabilidade da estrutura, a durabilidade dos flutuadores e a eficácia da ancoragem com o solo são fatores cruciais sob investigação contínua para garantir a viabilidade e a sustentabilidade de futuras expansões.

Ambições futuras e marcos

A visão de longo prazo para a energia solar em Itaipu é audaciosa: expandir significativamente a geração elétrica por esta via. Tal ampliação, no entanto, demandaria atualizações no próprio Tratado de Itaipu, o acordo assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai que viabilizou a construção da colossal obra de engenharia compartilhada.

O superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti, ressaltou o potencial teórico impressionante do projeto. Segundo ele, cobrir apenas 10% do reservatório com placas solares equivaleria à capacidade de geração de uma segunda usina de Itaipu. “Claro que isso não está nos planos, pois seria uma área muito grande e depende ainda de muitos estudos, mas mostra o potencial dessa pesquisa”, afirmou Meneghetti, enfatizando a importância do laboratório atual para validar a tecnologia em escala.

Estimativas preliminares indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos de instalação para atingir uma geração solar de 3 mil megawatts. Essa capacidade representaria cerca de 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente, um acréscimo notável para a produção energética da região. O investimento inicial no projeto-piloto é de US$ 854,5 mil, aproximadamente R$ 4,3 milhões, financiado por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedoras da licitação.

Inovação e diversificação energética

A busca pela diversificação de fontes de energia na Itaipu Binacional vai além dos estudos em energia solar flutuante. A usina também está engajada em projetos ousados que incluem o desenvolvimento de hidrogênio verde e sistemas de baterias avançados, posicionando-se na vanguarda da transição energética. Essas iniciativas são desenvolvidas no Itaipu Parque Tecnológico (Itaipu Parquetec), um ecossistema de inovação e tecnologia criado em 2003 em Foz do Iguaçu, no Paraná. O Parque Tecnológico opera em parceria com universidades, empresas públicas e privadas, e já formou mais de 550 doutores e mestres em diversas áreas do conhecimento.

No coração do Itaipu Parquetec, o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio dedica-se ao desenvolvimento do hidrogênio verde. Este tipo de hidrogênio é considerado sustentável por ser obtido sem emissão de gás carbônico (CO₂), principal responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento global. A técnica empregada no laboratório é a eletrólise da água, um processo que promove a separação dos elementos químicos da molécula de água (H₂O) por meio de equipamentos e processos químicos automatizados, sem utilizar combustíveis fósseis.

O hidrogênio verde, uma vez produzido, revela-se extremamente versátil. Ele pode atuar como um insumo sustentável para uma vasta gama de cadeias de produção industrial, como as siderúrgica, química, petroquímica, agrícola e alimentícia. Além disso, tem grande potencial como combustível limpo para o mercado de energia e transporte. Em Itaipu, uma planta de produção de hidrogênio verde funciona como uma plataforma essencial para o desenvolvimento de projetos-piloto e para testar suas aplicações práticas, como carretas e ônibus movidos a hidrogênio, reforçando o compromisso da usina com a inovação e a sustentabilidade energética (Fonte: Agência Brasil).

Os projetos em andamento na Itaipu Binacional, que abrangem desde a energia solar flutuante até o hidrogênio verde, demonstram um esforço contínuo para consolidar a usina não apenas como uma gigante da geração hidrelétrica, mas também como um polo de inovação em energias renováveis. Esse movimento estratégico visa garantir a segurança energética e a sustentabilidade para as futuras gerações, reforçando o papel de Itaipu como um exemplo global na busca por soluções energéticas limpas e eficientes.



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