IBGE lança novos mapas-múndi após aprovação da ONU por projeção Equal Earth
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) marca o Dia da Independência do Brasil com um lançamento significativo para a cartografia nacional e global. A partir desta sexta-feira, 7 de setembro, o instituto disponibilizará em sua loja virtual os mapas-múndi que incorporam a projeção Equal Earth, uma representação geográfica que busca maior fidelidade às proporções reais dos continentes. Essa iniciativa do IBGE reflete um avanço contínuo na forma como o mundo é percebido e ensinado, distanciando-se de projeções que há séculos influenciam nossa visão do planeta.
A novidade segue a recente aprovação global da projeção Equal Earth, consolidada na última sexta-feira, 4 de setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Esta decisão representa um marco na busca por uma representação cartográfica mais equilibrada e justa, um tema que há muito tempo é debatido em círculos acadêmicos e sociais. O movimento pela adoção de mapas-múndi que ofereçam proporções mais acuradas ganha agora um endosso internacional robusto, com o IBGE se posicionando na vanguarda dessa transformação no Brasil.
O que muda na nova projeção?
A projeção Equal Earth foi desenvolvida para oferecer uma representação visual que corrige as distorções de tamanho e forma presentes em projeções tradicionais, como a de Mercator. Enquanto a projeção de Mercator é amplamente reconhecida pela sua utilidade na navegação, ela historicamente superestima o tamanho das massas de terra próximas aos polos, como a América do Norte e a Groenlândia, e, inversamente, subestima o tamanho de regiões próximas ao Equador, como o continente africano e a América do Sul. A Equal Earth, por outro lado, prioriza a manutenção das proporções de área, resultando em um mapa mais fidedigno à realidade espacial do globo.
Essa correção é crucial para uma compreensão mais precisa da geografia mundial. Por décadas, a percepção comum sobre a dimensão de certos países e continentes foi moldada por mapas que não refletiam suas verdadeiras áreas. A adoção da Equal Earth pelo IBGE e seu reconhecimento pela ONU sinalizam um compromisso em fornecer ferramentas educacionais e informativas que empoderem os cidadãos com uma visão mais precisa e menos enviesada do mundo em que vivemos.
Votação histórica na ONU e seu significado
A aprovação da projeção Equal Earth na Assembleia Geral das Nações Unidas foi o ponto culminante de um esforço global. O pleito registrou 164 países favoráveis à mudança e à utilização dessa projeção, demonstrando um consenso expressivo entre os Estados-membros. Este tipo de deliberação, embora não possua força de lei no sentido estrito, carrega um peso político e simbólico considerável, influenciando políticas públicas e educacionais em todo o mundo. <a href="https://www.un.org/pt/ga/" target="_blank" rel="noopener">Saiba mais sobre a Assembleia Geral da ONU.</a>
Notavelmente, o único voto contrário veio dos Estados Unidos, com seis abstenções registradas. Este resultado sublinha a complexidade e as diferentes perspectivas que envolvem a representação cartográfica, mesmo em um cenário de busca por maior precisão. A decisão da ONU serve como um forte incentivo para que instituições de cartografia e ensino em todo o mundo revisem suas práticas e adotem projeções mais equitativas, reforçando a validade do trabalho já desenvolvido pelo IBGE no Brasil.
A história por trás dos mapas: descolonização da cartografia
A reivindicação por mapas-múndi que representem proporções corretas não é recente. Desde o século 16, a cartografia global foi dominada pela projeção de Mercator, criada pelo cartógrafo Gerardus Mercator. Embora revolucionária para a navegação da época, essa projeção foi concebida sob a ótica dos colonizadores europeus, que viam o mundo de uma perspectiva centrada no Norte e com distorções que beneficiavam sua percepção de poder e importância. Regiões como o continente africano e a América do Sul foram representadas em escalas significativamente menores do que sua área real, enquanto o Norte global, especialmente a Europa e a América do Norte, aparecia de forma ampliada.
Essa distorção não era meramente técnica; tinha implicações socioculturais profundas, perpetuando uma hierarquia visual entre as regiões do planeta. A fundamentação da proposta aprovada na ONU é resultado de um esforço coeso da União Africana (UA), que há décadas argumenta pela necessidade de uma representação que reflita a verdadeira dimensão de seus países e a importância de seu continente no cenário mundial. Este movimento pode ser visto como um passo importante na descolonização do pensamento geográfico e na promoção de uma visão mais inclusiva do globo. <a href="https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/america-do-sul/uniao-de-nacoes-sul-americanas-unasul" target="_blank" rel="noopener">Leia também sobre a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) e sua relevância.</a>
Uma busca por equilíbrio e justiça na representação
A adoção da projeção Equal Earth não é apenas uma mudança cartográfica; é um reconhecimento da demanda social por mais equilíbrio e justiça na forma de mapear o nosso planeta. Maria do Carmo Bueno, diretora de Geociências do IBGE, argumenta que “a adoção da projeção Equal Earth pela ONU reforça a posição da Diretoria de Geociências do IBGE de acompanhar de forma contínua as inovações cartográficas e de adotar representações do mundo que dialoguem com demandas sociais por mais equilíbrio e justiça na forma de mapear o nosso planeta”. Sua declaração sublinha o papel ativo do IBGE em se alinhar às discussões globais sobre representação geográfica e sua relevância social.
Este esforço conjunto entre instituições nacionais e organizações internacionais, como a ONU, demonstra uma evolução na compreensão de que os mapas são mais do que meras ferramentas de orientação; eles são poderosos instrumentos de comunicação que moldam percepções e influenciam o entendimento do mundo. Ao corrigir distorções históricas, a nova projeção visa promover uma perspectiva mais informada e respeitosa da diversidade geográfica e cultural do nosso planeta.
Impacto e acessibilidade: os mapas do IBGE
Com a disponibilização dos mapas-múndi de 2024 a 2026, o IBGE reforça seu papel de principal provedor de informações geográficas e estatísticas do Brasil. Acessíveis a partir do site da loja do IBGE, esses novos materiais estarão ao alcance de estudantes, educadores, pesquisadores e do público em geral, facilitando a disseminação de uma representação mais fiel do mundo. A iniciativa do IBGE é um passo concreto para incorporar as inovações cartográficas e as demandas sociais por uma geografia mais justa e precisa.
A constante atualização e a busca por representações que dialoguem com o avanço do conhecimento e com as aspirações sociais posicionam o Brasil, por meio do IBGE, como um ator relevante no cenário da cartografia global. Espera-se que a nova série de mapas contribua significativamente para uma educação geográfica mais crítica e consciente, desmistificando percepções arraigadas e incentivando uma nova leitura do nosso planeta. <a href="https://www.ibge.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">Visite o site do IBGE para mais informações.</a>
Em suma, a liberação dos novos mapas-múndi pelo IBGE, amparada pela recente decisão da ONU, não é apenas um evento técnico, mas um marco cultural e educacional. Representa o reconhecimento de que a cartografia tem um poder imenso na construção de narrativas e na formação de identidades. Ao oferecer uma visão mais equitativa, o Brasil, através de seu instituto de geografia, contribui para um entendimento global mais justo e alinhado com a realidade complexa e rica do mundo.
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