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12 de March de 2026

Inflação oficial desacelera para 3,81% em 12 meses, com aceleração em fevereiro

Marília
12/03/2026 11:18
Redacao
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A economia brasileira registrou um cenário de contrastes em fevereiro, com a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrando uma aceleração mensal, mas um recuo significativo no acumulado dos últimos 12 meses. Divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados revelam que o IPCA avançou 0,7% em fevereiro, um aumento notável em comparação aos 0,33% de janeiro. Contudo, a taxa acumulada em doze meses desacelerou para 3,81%, ficando abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior, e permanecendo dentro do limite máximo de tolerância da meta do governo. Este panorama multifacetado exige uma análise aprofundada para compreender as forças que atuam sobre o poder de compra do brasileiro.

Apesar da aceleração mensal, o resultado de 0,7% para fevereiro de 2024 representa a maior taxa desde fevereiro de 2023, quando o índice atingiu 1,31%. Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, contextualiza que, mesmo com a alta atual, este é o menor resultado para um mês de fevereiro desde 2020, quando o IPCA foi de 0,25%. Essa perspectiva histórica é crucial para avaliar a trajetória da inflação oficial e seus impactos no cotidiano dos cidadãos.

A comparação com o ano anterior elucida importantes dinâmicas. Em fevereiro de 2023, a pressão inflacionária foi exacerbada pelo grupo Habitação, especialmente no setor de energia elétrica, devido ao término do Bônus de Itaipu. Esse fator, que não se repetiu em 2024, demonstra como elementos específicos podem influenciar fortemente a variação do índice. Compreender essas particularidades é fundamental para a análise macroeconômica e para o planejamento familiar.

As expectativas do mercado para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB) têm se mantido estáveis, o que reflete uma certa confiança na resiliência da economia, apesar das flutuações mensais nos preços ao consumidor. No entanto, o aumento da cesta básica em 14 capitais brasileiras no mês de fevereiro sinaliza que o custo de vida continua a ser um desafio significativo para grande parte da população. [Leia também: <a href="#" target="_blank">Estimativas do mercado para inflação e PIB ficam estáveis</a>]

Educação e transportes

Os grupos Educação e Transportes foram os grandes protagonistas da alta do IPCA em fevereiro de 2024, respondendo por aproximadamente 66% do resultado do mês. O grupo Educação registrou a maior variação e impacto, com uma alta de 5,21%, impulsionada principalmente pelos reajustes anuais nas mensalidades de escolas e cursos. Essa aceleração foi ainda mais pronunciada em comparação a fevereiro de 2023, quando o grupo havia registrado 4,7%.

Detalhadamente, o setor de Educação foi responsável por cerca de 44% do IPCA de fevereiro. A maior contribuição para essa elevação veio dos cursos regulares, que viram reajustes de 6,2% devido ao início do ano letivo. Subitens como ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%) registraram as maiores variações, refletindo o peso dessas despesas no orçamento das famílias brasileiras. Esses reajustes sazonais são um fator recorrente no início de cada ano e demandam planejamento financeiro por parte dos consumidores.

No grupo Transportes, a atenção se voltou para o expressivo aumento de 11,4% nas passagens aéreas. Além disso, outros subitens também contribuíram para a elevação, como o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e as tarifas de ônibus urbano (1,14%). Esses aumentos impactam diretamente a mobilidade e os custos logísticos, reverberando em diversas cadeias produtivas e no dia a dia dos trabalhadores.

Contrariando a tendência de alta em outros setores dos Transportes, os combustíveis apresentaram um índice de -0,47% em fevereiro. Essa queda foi puxada principalmente pela gasolina (-0,61%) e pelo gás veicular (-3,10%). Em contrapartida, o etanol (0,55%) e o óleo diesel (0,23%) registraram leves altas. A dinâmica dos preços dos combustíveis é um termômetro importante da economia e influencia diretamente os custos de frete e o preço final de muitos produtos. [Confira mais: <a href="#" target="_blank">Acompanhamento dos preços dos combustíveis no Brasil</a>]

Alimentos e bebidas

O grupo Alimentação e bebidas demonstrou uma variação mais contida, acelerando ligeiramente de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio, que inclui compras em supermercados, registrou 0,23% frente aos 0,10% do mês anterior. Destaques de alta incluem o açaí (25,29%), o feijão carioca (11,73%), o ovo de galinha (4,55%) e as carnes (0,58%).

No lado das quedas de preços para a alimentação no domicílio, os consumidores puderam observar alívio em itens como frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%). Essa variação nos preços dos alimentos é um reflexo complexo da oferta, demanda, clima e cotações internacionais, e tem um impacto direto na segurança alimentar das famílias, especialmente as de menor renda.

A alimentação fora do domicílio, por sua vez, registrou uma desaceleração em relação ao mês anterior, passando de 0,55% para 0,34%. A refeição, que em janeiro havia subido 0,66%, teve uma alta de 0,49% em fevereiro, e o lanche passou de 0,27% para 0,15% no mesmo período. Essa desaceleração pode indicar uma menor pressão sobre os custos de restaurantes e lanchonetes ou uma redução na demanda por parte dos consumidores.

Fernando Gonçalves destaca que a variação de 0,26% no grupo de alimentos em fevereiro de 2024 mostra uma desaceleração em comparação com fevereiro de 2023, quando houve forte influência da alta do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%). No índice atual, o ovo de galinha desacelerou para 4,55% e o café moído registrou queda de -1,20%, marcando o oitavo mês consecutivo de retração de preços para este subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses. O arroz, item essencial na mesa dos brasileiros, acumula uma queda de 27,86% em 12 meses, impulsionada pela boa oferta do cereal. [Aprofunde-se no tema: <a href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?t=o-que-e" target="_blank">IPCA no site do IBGE</a>]

Panorama do INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos, também apresentou alta em fevereiro, registrando 0,56%. Esse resultado representa um aumento de 0,17 ponto percentual em relação a janeiro, quando o índice foi de 0,39%. No acumulado do ano, o INPC soma 0,95%.

Nos últimos 12 meses, o INPC ficou em 3,36%, um valor inferior aos 4,30% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em fevereiro de 2023, a taxa havia sido de 1,48%. Os produtos alimentícios, que têm grande peso no orçamento das famílias de menor renda, aceleraram de 0,14% em janeiro para 0,26% em fevereiro. Já a variação dos produtos não alimentícios passou de 0,47% para 0,66% no mesmo período, mostrando que a pressão de preços se espalhou por diferentes categorias de consumo. Acompanhar o INPC é fundamental para entender o impacto da inflação nas camadas mais vulneráveis da sociedade e orientar políticas públicas de ajuste de salários e benefícios. [Leia mais: <a href="#" target="_blank">Cesta básica fica mais cara em 14 capitais no mês de fevereiro</a>]

Em suma, o cenário inflacionário de fevereiro de 2024, apesar da aceleração mensal puxada por setores específicos como Educação e Transportes, revela uma desaceleração no acumulado de 12 meses que mantém a inflação oficial dentro da meta governamental. A complexidade dos dados divulgados pelo IBGE evidencia a necessidade de monitoramento contínuo das diversas forças que moldam os preços ao consumidor e o custo de vida no Brasil. Enquanto a estabilidade macroeconômica é um sinal positivo, a variação de itens essenciais como alimentação e educação segue demandando atenção das famílias e das autoridades.



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