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05 de October de 2026

Mercado financeiro reage a eleições com dólar em queda e bolsa em alta recorde

Marília
05/10/2026 18:46
Redacao

O cenário político pós-primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil impulsionou uma forte reação nos mercados financeiros nesta segunda-feira (5). Investidores demonstraram otimismo, resultando em uma expressiva valorização dos ativos brasileiros. O dólar à vista registrou uma queda acentuada, aproximando-se da marca de R$ 5, enquanto o principal índice da bolsa de valores, o Ibovespa, disparou, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos em seu fechamento diário.

A percepção de um menor prêmio de risco atrelado à economia brasileira no cenário internacional motivou, igualmente, a valorização de ativos nacionais negociados fora do país. Essa movimentação reflete a leitura dos agentes do mercado sobre os desdobramentos políticos e as expectativas para o segundo turno eleitoral, marcado para 25 de outubro.

O dia foi marcado por um fluxo intenso de negociações, com o Ibovespa atingindo patamares históricos, e o câmbio revertendo a tendência de alta observada nos dias que antecederam a votação. A valorização dos papéis e a desvalorização da moeda norte-americana indicam uma aposta na estabilidade e na recuperação da confiança dos investidores.

Para contextualizar, na última sexta-feira (2), o dólar havia subido quase 1%, fechando em R$ 5,2175, refletindo a cautela geral antes da divulgação do resultado eleitoral. A inversão da tendência é um indicativo claro da resposta do mercado aos desfechos do primeiro turno.

O principal índice da bolsa, por sua vez, já havia avançado 2,63% na sexta-feira, encerrando o pregão aos 192.137,63 pontos. Parte dos investidores havia, de fato, antecipado uma reação positiva ao resultado das urnas, posicionando-se estrategicamente no mercado.

Contexto eleitoral e a reação do mercado

A forte reação do mercado financeiro brasileiro tem suas raízes na leitura dos investidores sobre o panorama político que se desenhou após o primeiro turno das eleições presidenciais. A dinâmica observada nas urnas gerou uma percepção de redução do prêmio de risco do país, fator crucial na precificação dos ativos.

A avaliação inicial foi de que o resultado do primeiro turno, com o candidato do Partido Liberal (PL) obtendo um desempenho que superou as expectativas iniciais em relação a pesquisas de intenção de voto, sinaliza um cenário que agradou a uma parcela significativa do mercado. Esse desenlace levou a uma revisão das projeções e estratégias de investimento.

Consequentemente, essa percepção de menor risco impulsionou não apenas o real frente ao dólar, mas também exerceu pressão para baixo sobre as taxas futuras de juros, um movimento que tende a ser favorável para a economia real ao baratear o crédito.

O segundo turno das eleições, que ocorrerá em 25 de outubro, entre os dois candidatos mais votados, passa a ser o novo foco de atenção do mercado. A expectativa é que a volatilidade continue a ser uma característica, embora a direção geral possa ser influenciada por novas pesquisas e movimentações políticas.

Dólar em queda: a valorização do real

A moeda norte-americana encerrou o pregão desta segunda-feira (5) com uma desvalorização de 4,12%, sendo cotada a R$ 5,0022 na venda. Este patamar representa a menor cotação de fechamento registrada desde 21 de maio, quando o dólar havia fechado o dia em R$ 5,0004, evidenciando a força da reação do real.

Durante o dia, o dólar chegou a operar ainda mais baixo, atingindo a mínima de R$ 4,95 por volta das 10h30 da manhã, um movimento que reflete a intensidade da busca por ativos denominados em reais por parte dos investidores.

Com o desempenho favorável desta segunda, a moeda norte-americana passou a acumular uma queda significativa de 8,87% no ano, revertendo parte das perdas anteriores e mostrando uma melhora na atratividade dos investimentos no Brasil.

A forte desvalorização do dólar impacta diretamente diversos setores da economia, desde a importação e exportação até a inflação, ao tornar produtos importados mais baratos e aliviar a pressão sobre os preços internos.

A queda é um indicativo de que a percepção de risco e a expectativa de retorno para o capital investido no Brasil melhoraram, incentivando a entrada de dólares no país e fortalecendo a moeda local.

Ibovespa atinge novo recorde

Em um dia de euforia para o mercado de ações, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, disparou e renovou suas máximas históricas. O indicador fechou em 207.190,44 pontos, marcando uma impressionante alta de 7,85% ao final do pregão.

A valorização foi ainda mais acentuada durante a sessão, quando o Ibovespa chegou a tocar a marca de 209.605,70 pontos, estabelecendo o maior nível intradiário já registrado em sua história. A mínima do dia foi de 192.137,63 pontos, ressaltando a amplitude da variação.

O volume financeiro negociado no dia foi substancial, somando R$ 97,58 bilhões antes dos ajustes finais. Este alto volume é um sinal da forte demanda e da intensa movimentação de capital no mercado, refletindo a confiança dos investidores.

A alta desta segunda-feira ampliou o movimento de valorização já observado na sexta-feira anterior, quando o Ibovespa havia avançado 2,63%, encerrando o pregão aos 192.137,63 pontos. Isso sugere que parte dos investidores já havia antecipado uma resposta positiva ao resultado eleitoral.

No exterior, a demanda por ativos brasileiros também se manifestou. O principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, o ETF EWZ, avançava 12,57% no fim da tarde, indicando uma forte busca global por investimentos no Brasil.

Cenário internacional e o petróleo

Apesar da euforia observada nos mercados brasileiros, o preço do petróleo fechou o dia em queda, seguindo uma dinâmica própria do cenário internacional. O barril do tipo Brent, referência internacional, para entrega em dezembro, recuou 1,89%, sendo negociado a US$ 100,32.

Similarmente, o petróleo WTI, referência no mercado norte-americano, com contrato para novembro, caiu 1,84%, fixando-se em US$ 89,43 por barril. A queda nos preços do petróleo pode ser atribuída a fatores globais, como preocupações com a demanda e o cenário macroeconômico global.

Nos mercados internacionais, as bolsas asiáticas iniciaram a semana em alta, impulsionadas pela menor expectativa de novos aumentos de juros nos Estados Unidos, o que tende a aliviar a pressão sobre os ativos de risco globalmente.

Em Nova York, os principais índices operavam em baixa na pré-abertura, enquanto as bolsas europeias apresentavam um comportamento misto, refletindo uma diversidade de fatores econômicos e políticos em diferentes regiões do mundo. Esse panorama global influencia, mas não determinou o forte movimento de alta no Brasil neste dia.

O desempenho do petróleo e das bolsas internacionais ressalta a especificidade da reação do mercado brasileiro, que foi fortemente direcionada pelos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, isolando-se em parte das tendências globais do dia.

A dinâmica dos mercados continuará a ser monitorada de perto, especialmente com a proximidade do segundo turno das eleições e as novas informações econômicas que surgirem. O cenário atual, no entanto, marca um ponto de virada na percepção dos investidores sobre o Brasil. (Com informações da Reuters)

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