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23 de August de 2026

ONS age contra excesso de oferta e suspende geração de energia em plano emergencial

Marília
23/08/2026 18:46
Redacao
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O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pelo segundo domingo do ano, um plano emergencial para gerenciar o excedente de energia elétrica. A medida visa preservar a segurança operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante de uma demanda naturalmente menor no fim de semana, cenário propício para o acúmulo de energia gerada.

Implementada no domingo, 23 de julho, entre 11h e 13h30, esta ação pontual foi direcionada para evitar sobrecargas no sistema. Importante destacar que a decisão do ONS não impactou diretamente o consumidor final, sendo focada na gestão da rede e na restrição de determinados tipos de usinas geradoras.

A ação mirou principalmente usinas do Tipo 3, que incluem pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), empreendimentos a biomassa e usinas eólicas e solares de menor porte. Essas unidades, conectadas às redes de distribuição, representam uma parcela crescente da matriz energética brasileira, demandando coordenação precisa.

Em complemento à restrição nessas usinas, o ONS também aplicou procedimentos complementares para reduzir a geração em outras unidades sob seu controle direto. Essa abordagem multifacetada reflete a complexidade de manter o equilíbrio em um sistema que lida com flutuações constantes na oferta e na demanda.

A repetição da medida sinaliza uma nova realidade no setor elétrico, onde o crescimento de fontes renováveis, embora benéfico, exige mecanismos cada vez mais sofisticados de gerenciamento. O sistema, projetado historicamente para escassez, agora enfrenta cenários de abundância em determinados horários e períodos.

Histórico e a crescente complexidade do sistema

O primeiro acionamento de 2026 ocorreu em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi. Naquela ocasião, o ONS solicitou o gerenciamento de mil megawatts (MW) no período das 10h às 14h, demonstrando a recorrência de desafios de equilíbrio em datas de menor consumo.

Este plano emergencial foi formalmente aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025. A aprovação veio em resposta ao rápido avanço da geração distribuída, com destaque para a energia solar fotovoltaica, que transformou a dinâmica da oferta e demanda no país e apresentou novos desafios operacionais.

Um incidente notável em agosto de 2025, no Dia dos Pais, ilustra a criticidade dessa situação. Naquela data, o excesso de energia quase levou a uma sobrecarga do sistema, com a geração distribuída atingindo um pico de 37,6% da demanda nacional, um percentual sem precedentes até então.

Para evitar um possível blecaute que poderia abranger múltiplos estados, o ONS precisou intervir drasticamente. A operação envolveu o corte de 98,5% da geração eólica e solar centralizada e a redução da produção de hidrelétricas e termelétricas, evidenciando a urgência e a escala das ações necessárias.

Desafios da energia solar

Diante do crescimento exponencial da energia solar e da geração distribuída, o ONS anunciou na última quinta-feira (20) o desenvolvimento de um sistema para desligar automaticamente parte dessa geração em cenários críticos, reforçando a segurança e a estabilidade da rede elétrica brasileira.

Batizado de Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), esse mecanismo automático prevê cortes de até 3 gigawatts (GW), divididos em três estágios de 1 GW. O objetivo é criar uma ferramenta eficiente para responder rapidamente a situações de excesso de oferta.

O Erag seria acionado somente após todas as outras alternativas de controle serem esgotadas, funcionando como uma salvaguarda final para a estabilidade do SIN. Esta medida demonstra a proatividade do ONS em buscar soluções tecnológicas para os novos paradigmas do setor energético.

Um projeto-piloto está previsto para ser implementado até o fim de 2026 em uma distribuidora, com a expectativa de avanço na implementação em larga escala a partir de 2027, caso os testes sejam bem-sucedidos. Essa iniciativa é crucial para a transição energética e a integração de novas fontes.

O papel das distribuidoras e a busca por clareza

Atualmente, a geração distribuída, que engloba micro e minigeração, possui uma capacidade instalada de aproximadamente 50 GW no Brasil. Para o ONS, essa expansão representa um desafio operacional significativo, pois uma parcela considerável da energia produzida por essas fontes não pode ser observada nem controlada diretamente pelo operador central, dificultando o controle em tempo real.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS para a execução do plano emergencial. Contudo, a entidade solicitou procedimentos mais detalhados para a definição dos cortes de energia, visando maior transparência e segurança.

A Abradee enfatiza a necessidade de critérios claros e padronizados para garantir a segurança operacional e jurídica de todos os geradores envolvidos no processo de ajuste da rede. A clareza nas regras é fundamental para um setor que movimenta bilhões e impacta milhões de consumidores.

Equilíbrio e perspectiva para o setor elétrico

As repetidas intervenções do ONS sublinham a importância de um gerenciamento dinâmico e proativo para manter a estabilidade de um sistema elétrico cada vez mais complexo e descentralizado. A necessidade de balancear a oferta e a demanda é constante, especialmente com o avanço de fontes intermitentes.

Enquanto a expansão de fontes renováveis é fundamental para a transição energética do país e para atender a metas de sustentabilidade, o desafio reside em integrar essa nova realidade sem comprometer a confiabilidade e a segurança do fornecimento. A inovação tecnológica e regulatória são chaves para o sucesso.

A busca por soluções como o Erag e o diálogo contínuo entre ONS, Aneel e distribuidoras são passos cruciais para assegurar que a energia chegue de forma eficiente e segura a todos os brasileiros. O cenário atual exige flexibilidade e capacidade de adaptação por parte de todos os atores do setor elétrico.

Para saber mais sobre as inovações e desafios do setor, leia também a matéria sobre a <a href="#">escolha de fornecedores de energia a partir de 2027</a> e <a href="#">o impacto das bandeiras tarifárias em agosto</a>, que oferecem perspectivas complementares sobre o futuro energético do Brasil.



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