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23 de April de 2026

A Páscoa de 2026 tem cesta de produtos com preço em queda

Marília
01/04/2026 18:47
Redacao
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Pelo segundo ano consecutivo, a tradicional mesa de Páscoa vai impactar menos o bolso dos brasileiros. Um levantamento detalhado do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado às vésperas do domingo festivo, revela que a cesta de produtos alimentícios essenciais, que engloba os indispensáveis chocolates e o tradicional bacalhau, apresentará um custo médio 5,73% menor em 2026 em comparação com os doze meses anteriores. Este recuo nos preços sucede uma queda ainda maior, de 6,77%, registrada no ano de 2025.

A constatação emerge como um alívio para os consumidores, especialmente quando confrontada com o cenário inflacionário geral do país. O Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-10) da FGV, que serve como termômetro da inflação para o consumidor, marcou uma alta de 3,18% no período que compreende abril de 2025 a março de 2026. A deflação na cesta de Páscoa, portanto, representa um ponto dissonante e bem-vindo em meio às pressões econômicas cotidianas, permitindo que mais famílias celebrem a data sem um peso excessivo no orçamento. Para mais informações sobre o consumo de chocolate, <a href="#" data-internal-link="noticias-relacionadas/pesquisa-consumidores-chocolate-pascoa">leia também sobre a pesquisa de hábitos dos consumidores</a>.

Flutuações específicas

Apesar da queda média na cesta de Páscoa, uma análise mais aprofundada dos componentes revela um comportamento heterogêneo. Alguns produtos icônicos da Páscoa registraram aumentos que superam a inflação geral, exigindo atenção dos compradores. Bombons e chocolates, por exemplo, tiveram uma elevação de 16,71%. O bacalhau, item central em muitas mesas, encareceu 9,9% no último ano, enquanto a sardinha em conserva e o atum apresentaram altas de 8,84% e 6,41%, respectivamente. Esses itens, frequentemente associados à celebração, continuam a exercer pressão sobre o orçamento familiar.

Em contraste, outros produtos fundamentais para a composição da cesta contribuíram ativamente para a deflação percebida. O arroz teve uma queda notável de 26,11% em seus preços, seguido de perto pelos ovos de galinha, que recuaram 14,56%. O azeite também se tornou mais acessível, com uma desvalorização de 23,20%. Produtos como pescados frescos e vinhos registraram aumentos mais modestos, de 1,74% e 0,73%, respectivamente, indicando uma diversidade de fatores atuando na formação dos preços ao consumidor final. Lembre-se que os bancos <a href="#" data-internal-link="noticias-relacionadas/feriado-pascoa-bancos-nao-abrem">não abrirão na sexta-feira do feriado de Páscoa</a>.

Histórico de preços

Ao analisar o cenário das últimas quatro celebrações pascais, percebe-se uma alternância entre períodos de inflação e deflação nos preços médios dos produtos. Enquanto 2026 e 2025 foram marcados por quedas (-5,73% e -6,77%, respectivamente), os anos anteriores apresentaram aumentos consideráveis: 16,73% em 2024 e 13,16% em 2023. Essa retrospectiva destaca a volatilidade dos mercados e a influência de diversos fatores macro e microeconômicos na determinação do custo final para o consumidor.

O economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, aponta que a variação acumulada dos preços da Páscoa nos últimos quatro anos, de abril de 2022 a março de 2026, foi de 15,37%. Este índice ficou ligeiramente abaixo da inflação geral ao consumidor, medida pelo IPC-10, que acumulou 16,53% no mesmo período. A diferença, embora pequena, indica que a cesta de Páscoa, em seu conjunto, teve um aumento um pouco menos acentuado que a média dos bens e serviços consumidos pelos brasileiros. Para aprofundar, veja a <a href="#" data-external-link="https://portal.fgv.br/ibre">análise completa do Ibre/FGV</a>.

Entretanto, a trajetória de itens específicos dentro da cesta mostra realidades distintas. No período de quatro anos, bombons e chocolates, por exemplo, ficaram 49,26% mais caros, refletindo um aumento expressivo que impacta diretamente o orçamento de muitas famílias. O bacalhau, outro pilar da Páscoa, subiu 31,21%, o atum 38,98%, e o azeite, 34,74%. Em contrapartida, alguns produtos viram seus preços caírem, como a batata inglesa (-16,02%) e a cebola (-15,44%), evidenciando as complexas dinâmicas de oferta e demanda no mercado de alimentos.

Desafios industrializados

A formação dos preços em produtos industrializados, como os chocolates, apresenta particularidades. Matheus Dias explica que a redução de custos na produção agrícola, por exemplo, leva mais tempo para ser repassada ao consumidor final. Essa defasagem é ainda mais longa em produtos que passam por complexos processos de transformação, resultando em uma dinâmica de preços que nem sempre reflete imediatamente as condições da matéria-prima no mercado.

O caso do chocolate ilustra bem essa complexidade. Embora o cacau, sua principal matéria-prima, tenha registrado quedas significativas no mercado internacional – recuando cerca de 60% desde outubro de 2025 em relação aos últimos 12 meses –, os preços dos chocolates nas prateleiras dos supermercados brasileiros seguiram em sentido contrário, acumulando alta de 16,71% no mesmo período. Isso demonstra a intervenção de múltiplos fatores além da commodity em si.

“Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos”, reitera o economista, sublinhando que fatores como custos de processamento, embalagem, logística e marketing contribuem para essa diferença. Este fenômeno exige um olhar atento para as cadeias de suprimentos e precificação, que nem sempre operam com a agilidade desejada na transmissão de benefícios ao consumidor final.

Concentração de mercado

Um dos elementos estruturais que contribuem para a persistente alta em certos preços, conforme apontado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é a concentração de mercado. Em estudo sobre a inflação de alimentos no Brasil, Palmieri Junior explicou que a diminuição da concorrência entre as empresas pode levar a preços mais elevados e menos flexíveis para o consumidor. Para entender mais sobre essa questão, consulte a <a href="#" data-external-link="https://www.unicamp.br/">pesquisa da Unicamp</a>.

No segmento de bombons e chocolates, essa concentração é evidente: apenas cinco marcas, pertencentes a um grupo restrito de três grandes empresas, detêm uma fatia expressiva de 83% do mercado. Tal domínio pode limitar o poder de negociação dos consumidores e a pressão competitiva para a redução de preços, impactando diretamente o custo final de produtos sazonais tão procurados na Páscoa. Para uma visão sobre a origem da celebração, <a href="#" data-internal-link="noticias-relacionadas/pascoa-transicao-ovos-decorados-chocolate">confira a transição de ovos decorados para ovos de chocolate</a>.

Explicação da indústria

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), por sua vez, oferece a perspectiva do setor sobre a formação de preços. Em resposta à Agência Brasil, a entidade esclareceu que o valor dos chocolates não é determinado unicamente pelo custo do cacau. Muitos outros fatores, que compõem a complexa cadeia de produção e distribuição, precisam ser considerados para entender o preço final nas gôndolas dos estabelecimentos comerciais.

A Abicab enfatiza que insumos como leite, açúcar, os custos de frete – que demandam caminhões frigoríficos devido à natureza perecível da carga – e as oscilações da taxa de câmbio do dólar têm um peso significativo na composição dos custos. Além disso, cada empresa do setor tem sua própria política de preços, desenvolvendo estratégias para acompanhar as dinâmicas de mercado e oferecer uma variedade de produtos “para todos os paladares e adaptadas às várias faixas de consumo”, buscando atender a diferentes perfis de consumidores e capacidades financeiras, especialmente em uma data tão comercial como a Páscoa.

Cenário da produção

A indústria também apontou o impacto de eventos climáticos extremos recentes na produção de cacau. Em 2024, o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas da porção leste da região equatorial do Oceano Pacífico, causou estragos consideráveis nas plantações de cacau. Os países africanos Gana e Costa do Marfim, que juntos respondem por 60% da produção mundial, foram duramente atingidos, resultando em um déficit global de 700 mil toneladas da matéria-prima essencial para a fabricação de chocolates.

Essa escassez global impulsionou o preço da tonelada de cacau negociada na Bolsa de Nova York a um patamar recorde, subindo quatro vezes e atingindo a marca de US$ 11 mil – um valor equivalente a aproximadamente R$ 56,7 mil na cotação atual. A Abicab, no entanto, estima que “apenas 10% desse impacto se refletiu no preço final” dos chocolates no Brasil, argumentando que a indústria absorveu grande parte dessa valorização para mitigar o repasse integral ao consumidor. Atualmente, a cotação do cacau beira os US$ 3,3 mil, indicando uma certa estabilização após o pico de elevação.

Empregos e futuro

Apesar dos desafios na precificação de alguns itens, a indústria de chocolates mantém uma perspectiva otimista para a Páscoa corrente. A expectativa positiva é ancorada na percepção de estabilidade econômica e na menor taxa histórica de desemprego que o Brasil tem experimentado, fatores que tendem a impulsionar o consumo e a confiança do mercado. Este cenário mais favorável incentiva a indústria a investir na produção e na oferta de novos produtos, diversificando o portfólio para a data.

De acordo com as projeções da Abicab, a Páscoa deste ano gerou aproximadamente 14,6 mil empregos temporários em todo o país, um aumento expressivo de 50% em relação a 2025. A entidade frisa que o processo de contratação para a alta temporada geralmente tem início em agosto do ano anterior, e que aproximadamente 20% desses trabalhadores temporários conseguem efetivação, garantindo estabilidade e contribuindo para a redução do desemprego no país e para o fortalecimento da força de trabalho. Acompanhe mais notícias e análises no <a href="#" data-external-link="https://www.whatsapp.com/channel/0029VaB0Xy7I20oZgV4B5z2W">canal da Agência Brasil no WhatsApp</a>.



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