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07 de June de 2026

Queda do dólar impulsiona comércio brasileiro, que cresce 0,5% e atinge recorde

Marília
13/05/2026 11:17
Redacao
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O comércio varejista brasileiro registrou um crescimento de 0,5% na passagem de fevereiro para março, impulsionado, em grande parte, pela desvalorização do dólar. Este desempenho representa a terceira alta consecutiva e levou o setor a alcançar seu maior patamar histórico, conforme dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com março do ano passado, o setor apresentou uma expansão mais robusta, de 4%. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 1,8%, consolidando uma trajetória de recuperação e estabilidade em um cenário econômico dinâmico. A valorização do real frente à moeda americana tornou produtos importados mais acessíveis, reverberando diretamente nas gôndolas e nos estoques do varejo nacional.

Cristiano Santos, analista da pesquisa do IBGE, ressalta que o comércio tem exibido uma tendência de alta desde outubro do ano anterior, com exceção de um leve recuo em dezembro. Essa consistência aponta para uma recuperação gradual do poder de compra e da confiança do consumidor, apesar das flutuações sazonais inerentes ao mercado.

A série histórica mais recente das variações mensais ilustra essa trajetória de forma clara: em outubro, o crescimento foi de 0,5%; em novembro, 1%; dezembro registrou queda de 0,3%; janeiro subiu 0,5%; fevereiro apresentou alta de 0,7%; e, finalmente, março manteve o ritmo com um aumento de 0,5%. Esses números refletem a adaptabilidade e a resiliência do setor diante de diferentes conjunturas.

A percepção de que o dólar mais baixo pode significar oportunidades de compra impulsiona a demanda por bens que dependem da importação, desde eletrônicos até componentes. Esse movimento gera um efeito cascata que beneficia não apenas os consumidores, mas também as empresas que buscam otimizar seus custos de aquisição e revenda.

Impacto setorial

Dos oito grupos de atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco registraram crescimento na comparação entre fevereiro e março. O destaque ficou para 'Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação', que apresentou um salto significativo de 5,7%, evidenciando a forte ligação com o câmbio favorável à importação.

A desvalorização do dólar, que em março estava em uma média de R$ 5,23, ante R$ 5,75 no mesmo período do ano anterior, foi crucial para essa performance. 'As empresas aproveitam para compor estoque com a redução do dólar e, depois, em momentos oportunos, fazem promoções. O mês de março foi importante por causa dessas promoções. Equipamentos de informática têm essa característica de ligação com o dólar', explica Cristiano Santos.

Outras atividades que registraram alta incluem 'Combustíveis e lubrificantes', com avanço de 2,9%, mesmo diante do aumento nos preços motivado por tensões no Oriente Médio. Santos destaca que, apesar da elevação nos valores, 'a demanda não caiu', resultando em um crescimento de 11,4% nas receitas do segmento no mês.

Os setores de 'Outros artigos de uso pessoal e doméstico' (2,9%), 'Livros, jornais, revistas e papelaria' (0,7%) e 'Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria' (0,1%) também contribuíram positivamente para o desempenho geral do comércio brasileiro em março, mostrando uma recuperação diversificada.

A estabilidade foi observada em 'Tecidos, vestuário e calçados', que não registrou variação (0%). No entanto, alguns segmentos enfrentaram recuos, como 'Móveis e eletrodomésticos', com queda de 0,9%, e 'Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo', que recuou 1,4%.

Desafios internos

A retração em hipermercados e supermercados, que respondem por mais da metade do setor de comércio, é atribuída principalmente à inflação. 'O recuo de 1,4% […] pode ser explicado pela inflação', aponta o analista, indicando que o aumento dos preços dos alimentos e bebidas pode ter impactado o poder de compra das famílias, direcionando gastos para itens essenciais de forma mais cautelosa.

Essa dinâmica revela a complexidade do cenário econômico, onde fatores externos, como a cotação do dólar, e internos, como a inflação, atuam simultaneamente sobre diferentes segmentos do mercado. A resiliência de alguns setores e a vulnerabilidade de outros demonstram a necessidade de um olhar atento às políticas econômicas e às condições de consumo.

No comércio varejista ampliado, que engloba atividades de atacado de veículos, motos, partes e peças, material de construção e produtos alimentícios, bebidas e fumo, o indicador também se mostrou positivo. Houve um crescimento de 0,3% de fevereiro para março, e uma expansão de 0,2% no acumulado de 12 meses, reforçando a tendência de melhora generalizada.

Perspectivas futuras

O atingimento do maior patamar histórico do comércio brasileiro em março, impulsionado pela queda do dólar, sinaliza um momento de otimismo para diversos segmentos. Contudo, a persistência da inflação em setores essenciais, como o de alimentos, impõe desafios contínuos para a manutenção desse ritmo de crescimento e para o equilíbrio do consumo das famílias.

Acompanhar a evolução da taxa de câmbio e as políticas de controle inflacionário será fundamental para entender as próximas movimentações do setor varejista. O desempenho em março destaca a sensibilidade do mercado às variáveis macroeconômicas e a importância de um ambiente favorável para o consumidor e para o investidor.

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