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11 de May de 2026

A rota do diesel: como o Brasil se volta à Rússia após conflitos no Oriente Médio

Marília
11/05/2026 18:47
Redacao
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O cenário geopolítico global, marcado por conflitos no Oriente Médio, reconfigurou de maneira significativa a matriz de importação de diesel do Brasil. Em um movimento estratégico para assegurar o abastecimento interno, o país ampliou de forma substancial suas compras do combustível da Rússia, que emergiu como o principal fornecedor, substituindo as fontes tradicionais da região oriental. Dados recentes do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), revelam uma transição acelerada e uma dependência crescente do produto russo, com os Estados Unidos figurando na segunda posição.

Essa mudança de rota não apenas evidencia a flexibilidade do comércio exterior brasileiro diante de crises internacionais, mas também lança luz sobre os desafios logísticos e econômicos inerentes a tais adaptações. A intensificação do conflito no Oriente Médio, que levou à suspensão de importações daquela área, forçou o Brasil a buscar alternativas urgentes e eficientes, encontrando na Rússia um parceiro comercial robusto para suprir a demanda nacional por diesel.

Dependência crescente da Rússia

Nos meses de março e abril, o Brasil registrou um volume total de importações de diesel da ordem de US$ 1,76 bilhão. Desse montante expressivo, uma parcela avassaladora de US$ 1,43 bilhão teve origem russa, o que representa 81,25% das compras externas do combustível nesse período. Os Estados Unidos, embora em menor proporção, contribuíram com US$ 112,92 milhões, ou 6,42% do total, consolidando-se como o segundo maior parceiro.

Apenas no mês de abril, a predominância do diesel russo no mercado brasileiro se acentuou ainda mais. O país adquiriu US$ 924 milhões do combustível da Rússia, atingindo 89,84% das importações do mês. Os Estados Unidos responderam por 10,98% das compras, enquanto a participação do Reino Unido foi residual. Esse panorama contrasta com o período anterior ao agravamento da guerra, quando parte das importações ainda provinha do Oriente Médio, com carregamentos dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita sendo recebidos em março, enviados antes da escalada do conflito.

A escalada das compras russas é notória. Em fevereiro, as importações de diesel da Rússia somaram US$ 433,22 milhões. Este valor saltou para US$ 505,86 milhões em março e se aproximou da marca de US$ 1 bilhão em abril, demonstrando uma rápida e contínua expansão na aquisição do produto russo. (Leia também: <a href="https://www.seudominio.com.br/importacoes-diesel-russia-eua-aumentam" target="_blank">Importações de diesel da Rússia e EUA aumentam com fechamento de Ormuz</a>).

Intervenção governamental e subsídios

Diante do aumento da dependência de uma nova fonte e da volatilidade dos preços internacionais do petróleo, o governo federal implementou uma série de medidas com o objetivo de mitigar os impactos da alta do diesel sobre os consumidores e o setor de transportes, essencial para a economia nacional. Em março, uma medida provisória autorizou a liberação de R$ 10 bilhões em subsídios para importação e comercialização do combustível, visando estabilizar os preços no mercado interno.

Paralelamente a essa iniciativa, um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre o diesel. Segundo estimativas do governo, essa desoneração tributária deverá resultar em uma redução de R$ 0,32 por litro no preço final do combustível nas refinarias. O subsídio adicional concedido a produtores e importadores, por sua vez, pode gerar uma nova queda de R$ 0,32 por litro, somando uma potencial diminuição de R$ 0,64 por litro.

A equipe econômica assegura que a perda de arrecadação decorrente dessas desonerações e subsídios foi compensada pelo incremento das receitas advindas dos royalties do petróleo. Este aumento, impulsionado pela valorização do barril no mercado internacional, demonstrou a capacidade de o governo balancear as contas públicas mesmo em cenário de concessões fiscais para setores estratégicos.

Corte no ICMS e incentivos

Ainda em abril, o governo federal lançou um programa de incentivo aos estados para que estes reduzissem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado. Essa medida, cujo custo é compartilhado entre a União e os governos estaduais, projeta uma redução estimada de R$ 1,20 por litro nas bombas, com um custo total previsto de R$ 4 bilhões em apenas dois meses. Notavelmente, apenas o estado de Rondônia não aderiu ao acordo proposto.

Adicionalmente, foi anunciada uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido em território nacional, com um impacto orçamentário estimado em R$ 3 bilhões por mês. As empresas beneficiadas por essa subvenção terão a responsabilidade de comprovar o repasse integral da redução ao consumidor final, garantindo que o objetivo de alívio nos preços seja efetivamente alcançado. (Confira mais: <a href="https://www.seudominio.com.br/oleo-diesel-cai-precos" target="_blank">Óleo diesel cai pela 4ª vez em cinco semanas e acumula recuo de 4,5%</a>).

Perspectivas futuras do mercado

A reconfiguração da cadeia de suprimentos de diesel para o Brasil, com a Rússia assumindo um papel central, reflete a dinâmica volátil do comércio global em tempos de instabilidade geopolítica. A agilidade na busca por novas fontes e a implementação de medidas governamentais para proteger a economia e os consumidores evidenciam a complexidade da gestão energética em escala nacional. A capacidade de adaptação do Brasil a esses novos fluxos comerciais será crucial para a manutenção da estabilidade econômica e social.

As políticas de desoneração e subsídio, embora representem um custo para os cofres públicos, são vistas como essenciais para evitar uma espiral inflacionária e garantir a competitividade de setores dependentes do diesel, como o transporte de cargas e de passageiros. O monitoramento contínuo dos preços internacionais e da situação geopolítica será fundamental para avaliar a sustentabilidade dessas medidas e a eventual necessidade de novos ajustes na estratégia de importação de combustíveis do país. Acompanhe a evolução desse cenário em nosso portal. (<a href="https://www.seudominio.com.br/noticias" target="_blank">Aprofunde-se no tema com outras notícias relacionadas</a>).



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