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30 de September de 2026

União europeia sinaliza retomada de exportações de frango e mel do brasil

Marília
30/09/2026 18:47
Redacao

Após um período de suspensão que impactou significativamente o setor agropecuário brasileiro, a União Europeia (UE) sinaliza uma potencial retomada das exportações de frango e mel do Brasil. A notícia, que trouxe um alento para produtores e exportadores, foi divulgada nesta quarta-feira (30) durante um encontro estratégico em Milwaukee, nos Estados Unidos, à margem da reunião de ministros de Comércio do G20, grupo que reúne as maiores economias globais.

O comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, foi o responsável por transmitir a indicação otimista aos ministros brasileiros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As exportações desses produtos estavam suspensas desde 3 de setembro, gerando expectativas e esforços diplomáticos intensos por parte do governo brasileiro para reverter a situação.

Sinais positivos

A perspectiva de reabertura do mercado europeu baseia-se em um resultado positivo de auditoria realizada recentemente no Brasil. Segundo nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o representante europeu afirmou que, após a conclusão dos procedimentos burocráticos necessários, os embarques de carne de aves e mel para os países do bloco poderão ser retomados no curto prazo.

A Comissão Europeia, em avaliação divulgada nesta semana, considerou satisfatório o sistema brasileiro de produção nas cadeias de aves e mel. A conclusão aponta que o país apresenta condições para cumprir as exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos, uma das principais preocupações que levaram à suspensão inicial. Durante a fiscalização, os auditores verificaram minuciosamente os controles brasileiros que impedem a utilização dessas substâncias para estimular o crescimento dos animais ou aumentar o rendimento da produção.

Este reconhecimento é um passo crucial, demonstrando a capacidade do Brasil em adaptar seus processos e garantir a segurança e conformidade de seus produtos com as rigorosas normas sanitárias internacionais. A aprovação da auditoria reflete o esforço conjunto de diversas instâncias governamentais e do setor privado para reestabelecer a confiança dos parceiros comerciais europeus.

Próximos passos

A decisão final sobre a retomada das exportações será analisada e deliberada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia. A reunião técnica está agendada para os dias 20 e 21 de outubro, período em que o relatório da auditoria será formalmente apreciado pelos membros do comitê. O Ministério da Agricultura já solicitou que o documento seja incluído na pauta do encontro.

Embora a indicação seja animadora, o processo ainda depende da validação formal por parte do comitê. Contudo, o endosso inicial do comissário e o resultado favorável da auditoria criam um ambiente de forte otimismo, pavimentando o caminho para a normalização de um fluxo comercial vital para a economia brasileira. As negociações com as autoridades europeias têm sido contínuas desde a implementação das restrições, e esta sinalização representa um avanço significativo nesse diálogo. [Leia mais sobre as relações comerciais entre Brasil e União Europeia aqui](URL_INTERNO_REL_COMERCIAIS).

Carne bovina

Além das cadeias de aves e mel, o governo brasileiro também intensifica esforços para obter um procedimento acelerado para a retomada das exportações de carne bovina. Após a reunião em Milwaukee, representantes brasileiros manifestaram a expectativa de que o mesmo tratamento dispensado ao frango e ao mel possa ser estendido à proteína bovina, um dos principais produtos da pauta exportadora do agronegócio nacional.

No entanto, a situação da carne bovina apresenta exigências adicionais e uma complexidade maior. Para este tipo de produto, a comprovação do controle sanitário e a conformidade com as normas europeias demandam o acompanhamento de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate. Esse processo de rastreabilidade completa pode levar até dois anos para ser plenamente implementado e auditado, o que torna a reversão da restrição mais desafiadora e demorada.

Apesar dos desafios, a carne bovina representa uma parcela relevante das exportações brasileiras de proteína animal destinadas ao mercado europeu. A eventual reabertura desse segmento seria um impulsionador fundamental para a balança comercial do país, reforçando a importância dos esforços diplomáticos e técnicos para superar as barreiras sanitárias e comerciais existentes.

Vendas suspensas

A suspensão das importações pela União Europeia entrou em vigor em 3 de setembro, impactando severamente diversos produtos de origem animal do Brasil. A medida foi tomada após o bloco europeu retirar o Brasil da lista de países considerados em conformidade com suas regras para o uso de determinados antimicrobianos na produção pecuária. A legislação europeia é explícita ao proibir o uso dessas substâncias para estimular o crescimento animal, embora permita sua utilização para o tratamento de infecções.

O veto não atingiu apenas frango e mel, mas também carne bovina, suína, pescados, ovos e outros itens de origem animal, gerando um prejuízo considerável para o setor exportador brasileiro. Desde então, o governo tem mantido intensas negociações com autoridades europeias para reverter as restrições, com a auditoria nas cadeias de aves e mel sendo um dos frutos desses diálogos. [Confira outras notícias sobre exportações brasileiras](URL_INTERNO_OUTRAS_EXPO).

Outras questões

Durante a reunião em Milwaukee, os ministros brasileiros e o comissário europeu também abordaram outras questões comerciais de interesse mútuo, incluindo as restrições da União Europeia às importações de aço. De acordo com informações do governo brasileiro, o bloco está revisando a distribuição das cotas para produtos siderúrgicos. Essa mudança poderá abrir novas oportunidades para o Brasil, embora o processo de implementação completa das novas regras esteja previsto apenas para 2027.

Este diálogo abrangente demonstra a complexidade e a multifacetada natureza das relações comerciais entre o Brasil e a União Europeia, um dos principais parceiros comerciais do país. A busca por soluções e a adaptação às normativas internacionais são constantes e essenciais para a manutenção e expansão do comércio bilateral. [Consulte o site da Comissão Europeia para mais informações](https://commission.europa.eu/).

Em suma, a sinalização de retomada para o frango e o mel representa um avanço significativo e demonstra a eficácia da diplomacia e da capacidade técnica brasileira em atender às exigências internacionais. Contudo, o caminho para a plena normalização das relações comerciais, especialmente para produtos como a carne bovina e o aço, ainda exige persistência e adaptação contínua.



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