Apreensão de pesca ilegal pela Polícia Ambiental no rio Paraná
A Operação Piracema constitui um pilar essencial na estratégia de proteção da ictiofauna brasileira, especialmente durante o período de defeso, que compreende a época de reprodução dos peixes. Realizada sistematicamente pela Polícia Ambiental, esta operação tem como foco principal o combate rigoroso à pesca predatória e a todas as atividades ilegais que possam comprometer a recuperação e a manutenção dos estoques pesqueiros. No cenário do rio Paraná, um dos mais importantes cursos d’água do continente, a fiscalização intensificada é vital para garantir que os ecossistemas aquáticos possam se regenerar sem interferências nocivas, assegurando a perpetuação das espécies nativas e a saúde ambiental da bacia.
A atuação da Polícia Ambiental no rio Paraná, como demonstrado na recente ação no Reservatório da UHE Sérgio Motta, em Presidente Epitácio, envolve patrulhamentos preventivos e ostensivos. Os agentes empregam técnicas específicas para localizar e apreender petrechos de pesca proibidos, como redes de malhar, espinhéis com covos e puçás para camarão, cuja utilização é vedada justamente por sua capacidade de causar danos irreparáveis aos cardumes em período de reprodução. Esta vigilância constante visa não apenas punir os infratores, mas também atuar como um forte elemento dissuasório contra futuras tentativas de exploração ilegal dos recursos naturais, reforçando a importância do respeito às normativas ambientais.
A Operação Piracema não é apenas uma série de apreensões; ela é a materialização da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/98), em conjunto com normativas específicas do IBAMA, como as Instruções Normativas nº 26/2009 e nº 25/2009, que detalham o período de defeso na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná. A fiscalização rigorosa garante o cumprimento dessas leis, protegendo o ciclo biológico dos peixes e a biodiversidade aquática. Ao coibir a pesca ilegal, a Polícia Ambiental contribui diretamente para a sustentabilidade da pesca artesanal e comercial, a manutenção do equilíbrio ecológico e a preservação de um patrimônio natural de valor inestimável para o Brasil, garantindo seu futuro para as próximas gerações.
Detalhes da Apreensão
A recente Operação Piracema no Reservatório da UHE Sérgio Motta, Rio Paraná, culminou em uma apreensão detalhada de petrechos de pesca expressamente proibidos, revelando a escala da atividade ilegal e os severos riscos impostos ao ecossistema aquático. Entre os materiais recolhidos, destacam-se 350 metros de redes de malhar, um equipamento notório por sua capacidade de captura indiscriminada. Essas redes operam passivamente, interceptando peixes de diversos tamanhos e espécies que ficam enroscados nas malhas. O grande volume apreendido indica uma pesca em escala considerável, que não apenas esgota populações de peixes-alvo durante o período reprodutivo, mas também causa a morte desnecessária de inúmeras espécies não-alvo, como aves aquáticas, quelônios e até mamíferos. A permanência dessas redes na água, mesmo quando abandonadas, resulta no fenômeno da ‘pesca fantasma’, onde continuam a capturar e matar vida aquática por anos, liberando microplásticos e comprometendo a biodiversidade e o equilíbrio ecológico do rio.
A apreensão incluiu ainda uma corda com espinhel, à qual estavam atrelados seis covos. O espinhel, uma linha principal com múltiplos anzóis ou armadilhas, é igualmente predatório, permitindo a captura em massa de peixes e outros animais aquáticos. Os covos, por sua vez, são armadilhas que aprisionam os animais, frequentemente deixando-os em sofrimento prolongado até sua retirada, muitas vezes resultando em mortes sem aproveitamento. Também foi recolhido um puçá de tela, utilizado para a captura de camarões. Embora pareça inofensivo, este petrecho é proibido por sua capacidade de coletar indiscriminadamente indivíduos jovens e pequenos, fundamentais para a renovação dos estoques e a manutenção da cadeia alimentar. Dois galões, empregados como sinalizadores, foram igualmente apreendidos, evidenciando a intenção de manter os petrechos submersos por longos períodos e, consequentemente, maximizar a pesca predatória, causando um impacto devastador na saúde ictiofaunística do Rio Paraná, especialmente em um período crítico como o defeso.
Período de Defeso (Piracema)
O período de defeso, popularmente conhecido como Piracema, é um ciclo vital estabelecido para proteger a reprodução das espécies aquáticas e garantir a sustentabilidade dos ecossistemas fluviais. O termo “piracema” vem do tupi e significa “subida do peixe”, referindo-se ao fenômeno natural em que os peixes migram rio acima para realizar a desova em locais mais propícios. Durante essa fase crucial, que varia conforme a bacia hidrográfica e a espécie, a pesca é rigorosamente proibida ou severamente restrita. Essa medida visa assegurar que os estoques pesqueiros se recuperem, permitindo que as novas gerações amadureçam e perpetuem suas espécies, fundamental para a biodiversidade aquática e para a própria atividade pesqueira a longo prazo.
A legislação ambiental brasileira é robusta na proteção desse período. A Lei Federal nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, é o pilar legal que tipifica a pesca predatória durante o defeso como crime. O artigo 34, parágrafo único, inciso II, por exemplo, estabelece penalidades para quem pesca em período ou local no qual a pesca seja proibida, sem a devida autorização ou em desacordo com a licença concedida. Além disso, órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) emitem Instruções Normativas específicas que regulamentam detalhadamente o defeso para cada bacia, definindo datas, petrechos permitidos e cotas de captura para a pesca amadora, onde aplicável. Na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná, a Instrução Normativa IBAMA nº 25/2009 é um dos instrumentos chave que estabelece as regras para o período.
A fiscalização durante a Piracema é intensificada pelas forças policiais ambientais, como a Polícia Ambiental, para coibir quaisquer ilícitos. A apreensão de petrechos proibidos e a responsabilização de infratores não apenas resultam em sanções administrativas, como multas, cassação da licença de pesca e perda dos equipamentos, mas também podem levar a processos criminais, com penas de detenção que variam conforme a gravidade da infração. O rigor da lei reflete o reconhecimento da importância da conservação dos recursos pesqueiros, essenciais tanto para o equilíbrio ecológico quanto para a economia local e o sustento de diversas comunidades. A conscientização e o respeito às normas do defeso são, portanto, atos de cidadania e responsabilidade ambiental coletiva.
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