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12 de September de 2026

Arborização: combate ao calor extremo nas cidades

Presidente Prudente
12/09/2026 15:01
Redacao
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As mudanças climáticas transformaram-se em um componente inegável da rotina das cidades ao redor do mundo. Ondas de calor, períodos prolongados de seca e chuvas intensas tornam-se cada vez mais frequentes, elevando o desafio de preparar os municípios para eventos climáticos extremos. Em meio a este cenário complexo, a arborização urbana desponta como uma estratégia essencial e eficaz para a adaptação e resiliência das metrópoles.

Muito além de simplesmente embelezar a paisagem, as árvores desempenham um papel fundamental na mitigação dos impactos do calor excessivo. Elas não só oferecem sombra vital, reduzindo a exposição direta à radiação solar, mas também contribuem para a umidade do ar e a diminuição da temperatura ambiente, criando ambientes urbanos mais agradáveis e habitáveis para a população.

No interior de São Paulo, cidades como Tupã e Adamantina têm sido palco de pesquisas pioneiras que buscam quantificar e compreender o impacto da cobertura vegetal no conforto térmico. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) dedicam-se a analisar precisamente os efeitos que a presença de árvores pode proporcionar em dias de temperaturas elevadas, fornecendo dados cruciais para o planejamento urbano.

Os estudos realizados no campo demonstram uma diferença térmica impressionante. Em um dos testes, por volta das 13h, em um dia de sol intenso, a temperatura do asfalto chegou a registrar quase 70°C. No entanto, na sombra proporcionada pelas árvores, o mesmo termômetro indicava uma diferença superior a 30°C, evidenciando o poder de resfriamento natural da vegetação. As pesquisas também alertam para os efeitos negativos de podas drásticas, que comprometem o desenvolvimento e a eficácia das plantas na regulação térmica.

Rodrigo Shioda, pesquisador e gestor ambiental, detalha os riscos dessas intervenções: “A gente acaba olhando nessas podas drásticas que acontece uma rebrota grande, uma quantidade de broto maior e isso requer mais nutrientes pra elas. A consequência é que as folhas envelhecem mais rápido e acabam caindo, ficando só o tronco da árvore”. Esta prática inadequada, portanto, anula os benefícios de longo prazo da arborização.

Estudos recentes

A expectativa é que os resultados dessas investigações científicas sirvam de subsídio para o planejamento urbano e o desenvolvimento de estratégias mais eficazes no enfrentamento das chamadas 'ilhas de calor'. Este fenômeno, intrínseco às áreas urbanizadas, agrava o desconforto térmico e os riscos à saúde pública em contextos de ondas de calor cada vez mais severas.

Angélica Gois Morales, também pesquisadora da Unesp, sublinha a urgência de que os conhecimentos gerados cheguem à sociedade e aos tomadores de decisão: “A gente precisa levar esses dados científicos para comunidade e para gestão pública. É a comunidade que preserva sua árvore, mas também a gestão pública com leis que pensem no manejo e não só no plantio dela.”

Embora os benefícios da arborização sejam inquestionáveis, sua implementação e expansão nas cidades brasileiras enfrentam uma série de desafios. A densidade urbana, o crescimento desordenado e a infraestrutura existente muitas vezes limitam o espaço e as condições ideais para o plantio e desenvolvimento saudável das árvores, exigindo soluções inovadoras e colaborativas entre o poder público e a comunidade.

Obstáculos práticos como calçadas estreitas, a presença de redes aéreas de fiação elétrica e tubulações subterrâneas figuram entre os principais impeditivos para ampliar a cobertura vegetal de forma planejada e eficiente. A pressão do crescimento urbano, que historicamente priorizou a concretagem e a verticalização, frequentemente negligencia a integração da natureza no tecido urbano.

Por essas razões, especialistas defendem que a arborização seja concebida e planejada desde as etapas iniciais de implantação de novos espaços urbanos, como loteamentos e grandes avenidas. A visão de integrar o verde desde o projeto arquitetônico e urbanístico é considerada crucial para garantir cidades mais resilientes e confortáveis, onde as árvores não sejam um adendo, mas um elemento estrutural.

Planejamento verde

O engenheiro florestal Pedro Paulo Diniz Epiphanio enfatiza a importância dessa abordagem proativa: “As cidades precisam ser preparadas para receber arborização. Muitas vezes, um projeto de construção, loteamento ou avenidas não prevê exatamente a locação de árvores, que vão trazer principalmente conforto térmico”. Ele ressalta a necessidade de uma mudança de paradigma no urbanismo.

Marília, cidade do interior paulista, destaca-se como um exemplo positivo quando o assunto é arborização urbana. De acordo com dados do Censo do IBGE, um impressionante percentual de 94,9% de suas vias públicas possui alguma forma de cobertura arbórea. Este índice supera o registrado em grandes centros urbanos do país, como São Paulo, com 74,8%, e Rio de Janeiro, com 70,5%, posicionando a cidade em destaque nacional.

A cidade de Marília ocupa, ainda, a 12ª posição no ranking nacional das cidades mais arborizadas entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, um reconhecimento significativo de suas políticas públicas e do engajamento de seus moradores. No entanto, o alto índice geral não significa que as árvores estejam distribuídas de maneira uniforme por todos os bairros e regiões, indicando que há sempre espaço para melhorias e expansão da cobertura.

Uma das iniciativas notáveis para ampliar a arborização e envolver a comunidade em Marília é o projeto “Planta Aí”, que incentiva os moradores a plantar árvores em seus próprios quintais e calçadas. Desde seu lançamento em fevereiro, mais de 170 residências já aderiram à iniciativa, demonstrando o interesse e a proatividade da população em contribuir para uma cidade mais verde e fresca.

As mudas distribuídas pelo projeto são produzidas no Bosque Municipal e incluem espécies nativas e exóticas adaptadas ao clima local, de pequeno e médio porte. Segundo a prefeitura, a seleção é feita com base em estudos técnicos detalhados, que visam minimizar problemas futuros com infraestrutura, como danos a calçadas e redes elétricas, garantindo uma arborização sustentável e funcional. Rodrigo Mas, secretário adjunto de Meio Ambiente e Serviços Públicos, explica: “A escolha é feita com base em estudos, observando aquelas espécies que tenham menos reincidência de dar problemas, como quebrar calçadas, invadir a fiação elétrica. É uma série de relações que está em composição urbana”.

A valorização da arborização urbana como estratégia de adaptação climática é um passo fundamental para a construção de cidades mais resilientes e habitáveis. Os exemplos de pesquisa e iniciativas como as de Marília demonstram que, com planejamento adequado, participação comunitária e políticas públicas eficazes, é possível mitigar os efeitos do calor extremo e promover uma melhor qualidade de vida para todos os cidadãos, transformando o cenário urbano em um futuro mais verde e fresco.

Para aprofundar-se em temas relacionados à sustentabilidade e adaptação climática, <a href="https://www.g1.globo.com/sp/bauru-marilia/" target="_blank" rel="noopener">confira outras notícias da região no g1 Bauru e Marília</a> e <a href="https://www.exemplo.com.br/artigos-sustentabilidade" target="_blank" rel="noopener">leia também sobre iniciativas de sustentabilidade</a> em centros urbanos.



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