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05 de July de 2026

A brasileira nos bastidores da Copa do Mundo: emoção e o trabalho em um megaprojeto

Presidente Prudente
05/07/2026 08:31
Redacao
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O sonho de uma menina de Dracena, no interior de São Paulo, que cresceu assistindo à Copa do Mundo, transformou-se em uma realidade vibrante e desafiadora. Ivana Branco Borges, hoje residente nos Estados Unidos, foi escalada para integrar a equipe de bastidores de um dos maiores eventos esportivos do planeta. A experiência não apenas a colocou no centro da ação, acompanhando partidas cruciais, mas também reacendeu uma conexão profunda com suas raízes, em um contraste que marcou profundamente a profissional.

Aos 41 anos, Ivana teve a oportunidade de vivenciar a atmosfera eletrizante da competição, participando ativamente da organização. O ápice dessa jornada de trabalho veio com a emoção de ver a Seleção Brasileira em campo. Em um momento de reflexão no estádio, a grandiosidade do público presente levou-a a uma constatação marcante: “Tem mais gente aqui dentro do estádio do que na minha cidade.” A frase, que rapidamente se tornou um eco de sua memória afetiva, revela a dimensão da experiência para a dracenense.

Nascida e criada em Dracena, cidade que, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui cerca de 46.735 habitantes, a distância para o cenário global dos grandes eventos parecia imensa na infância. Ivana sempre foi influenciada pela paixão familiar pelo futebol. “Como muitas pessoas, eu cresci assistindo à Copa do Mundo, muito por influência do meu pai, que sempre foi apaixonado por futebol”, relembra, destacando a ironia do destino que a levou aos bastidores de algo tão grandioso.

Da formação acadêmica à gestão de eventos

A trajetória profissional de Ivana é um exemplo de dedicação e adaptabilidade. Formada em Matemática pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e com pós-graduação em Comunicação e Marketing pela Universidade de São Paulo (USP), ela construiu uma carreira sólida que a levou aos Estados Unidos em 2017. Sua expertise em marketing e gestão de eventos foi o passaporte para o universo esportivo internacional.

Atualmente, Ivana atua como Field Marketing Manager (gerente de marketing) em uma empresa americana especializada em hidratação funcional, desenvolvendo bebidas para reposição de eletrólitos e vitaminas. Grande parte de suas atribuições acontece justamente no contexto do esporte, o que a preparou para os desafios de um evento de magnitude global como a Copa do Mundo. Sua experiência em marketing esportivo é um pilar para a excelência em sua atuação.

Nos jogos, seu papel é multifacetado e essencial para o bom funcionamento do evento. Ela oferece suporte operacional, orienta torcedores quando necessário e colabora ativamente para garantir que a experiência do público seja organizada, segura e, acima de tudo, positiva. O trabalho nos bastidores exige perspicácia, proatividade e uma capacidade ímpar de lidar com imprevistos, características que Ivana demonstra possuir em sua rotina profissional.

Rotina nos bastidores: o papel essencial

A rotina de uma gerente de marketing na Copa do Mundo começa bem antes de os portões se abrirem para a multidão. “Participamos de reuniões de alinhamento e recebemos as orientações específicas para cada partida”, explica Ivana. Esses encontros são cruciais para que a equipe esteja preparada para as particularidades de cada jogo e para garantir a coordenação perfeita entre os diferentes setores operacionais. Cada detalhe é pensado para proporcionar a melhor experiência possível aos torcedores.

Após o alinhamento, Ivana e seus colegas acompanham toda a operação durante o evento, mantendo-se sempre vigilantes e prontos para atender às necessidades do público e garantir que tudo aconteça da melhor forma. “Cada jogo traz uma dinâmica diferente”, pontua, ressaltando a constante necessidade de adaptação e a diversidade de desafios que surgem a cada partida, desde a chegada dos torcedores até o encerramento das atividades do dia.

A emoção de ver a seleção em campo

Embora o trabalho na Copa do Mundo seja, por si só, uma experiência inesquecível, um momento se destacou para Ivana: assistir à vitória do Brasil sobre a Escócia por 3 a 0. “Ver o estádio completamente lotado, cantar o Hino Nacional ao lado de milhares de brasileiros e acompanhar a vitória do Brasil foi emocionante”, descreve. Foi nesse instante que a dracenense fez a comparação com sua cidade natal, Dracena, reforçando a imensidão do evento.

A visibilidade do público, com mais de 65 mil pessoas no estádio, em contraste com a população de Dracena, gerou uma reflexão profunda. “Foi impossível não lembrar de Dracena”, afirma Ivana, sublinhando a força do elo entre a origem e a grandiosidade do presente. Essa conexão emocional adiciona uma camada humana à sua experiência profissional, transformando o trabalho em um marco pessoal inesquecível.

O rigor do processo seletivo da FIFA

Para alcançar essa oportunidade, Ivana passou por um processo seletivo rigoroso, conduzido pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). Mesmo com sua vasta experiência em grandes eventos, como a Fórmula 1 e o Miami Open – considerado um dos maiores torneios combinados de tênis do mundo –, a aprovação para trabalhar na Copa do Mundo exigiu meses de preparação e uma análise detalhada de seu perfil.

“Eles são muito restritos para fazer a aprovação das pessoas para trabalhar ali. Então, isso foi um processo de meses. Eu me candidatei para a vaga, tive que enviar um monte de documentos”, detalha Ivana. O processo envolveu uma verificação minuciosa de antecedentes criminais e outros documentos de milhares de candidatos, garantindo a integridade e segurança do evento. A incerteza pairou até a última hora. “Meu nome e de outras pessoas que estão trabalhando comigo ficaram por último. Então, eu fiquei na ansiedade, até uma semana antes [de começar], para saber se eu ia ser aprovada ou não”, complementa.

A história de Ivana Branco Borges é um testemunho de como a dedicação e o aprimoramento profissional podem abrir portas para experiências extraordinárias. Do interior paulista aos Estados Unidos, e dos estudos em matemática ao gerenciamento de marketing em eventos globais, sua jornada nos bastidores da Copa do Mundo ilustra a fusão de paixão, trabalho árduo e a realização de um sonho. Sua vivência não só reforça a magnitude desses encontros esportivos, mas também humaniza a grandiosidade por trás das câmeras, mostrando que, para além dos números, há histórias de superação e emoção.

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