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29 de August de 2026

Cirurgias oftalmológicas no SUS: um salto em Presidente Prudente e os desafios da demanda

Presidente Prudente
28/08/2026 08:30
Redacao
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A região abrangida pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, registrou um aumento expressivo de 652% no número de internações hospitalares para cirurgias e tratamentos oftalmológicos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2021 e 2025. Os dados, fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde ao g1, revelam um crescimento significativo no acesso a procedimentos essenciais para a saúde ocular da população local, que, no entanto, ainda enfrenta uma demanda considerável.

Em 2021, foram contabilizadas 488 internações para cirurgias oftalmológicas na região. Esse número saltou para 2.988 em 2022, teve uma leve redução para 2.402 em 2023, manteve-se em 2.457 em 2024 e alcançou a marca de 3.670 procedimentos em 2025. Essa evolução demonstra um esforço notável para ampliar a capacidade de atendimento em uma área crítica da medicina.

A categoria de procedimentos engloba uma vasta gama de intervenções, incluindo as relacionadas a pálpebras e vias lacrimais, músculos oculomotores, corpo vítreo, retina, coróide e esclera, cavidade orbitária e globo ocular, além de conjuntiva, córnea, câmara anterior e íris. A diversidade dos tratamentos ressalta a complexidade e a abrangência das necessidades oftalmológicas atendidas pela rede pública.

Apesar do crescimento numérico, especialistas alertam para a persistência de um desafio robusto: a demanda ainda supera a capacidade de atendimento. Claudio Vieira, oftalmologista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), destaca a urgência da situação. “A fila é imensa. Você tem pacientes, por exemplo, com glaucoma que estão ficando cegos porque não conseguem o tratamento. Você tem pacientes com descolamento de retina ficando cegos porque não conseguem tratar”, revelou Vieira em entrevista ao g1.

O médico enfatiza que algumas patologias podem levar à perda permanente da visão se não forem tratadas em tempo hábil. “Só que é reversível, você opera, mas glaucoma, descolamento de retina, essas doenças, se você não controla ou não trata, você vai perdendo a visão e é irreversível”, alertou. A urgência do tratamento para evitar sequelas permanentes sublinha a importância de reduzir as listas de espera e otimizar o acesso.

Ampliação diagnóstica

A expansão no atendimento não se limitou às cirurgias. Os exames diagnósticos realizados por oftalmologistas na rede ambulatorial também triplicaram no período analisado. De 18.547 procedimentos em 2021, o número ascendeu para 56.116 em 2025, um aumento de 202,56%. Esse crescimento indica uma maior capacidade de investigação e detecção precoce de condições oculares.

Vieira atribui o aumento dos exames a múltiplos fatores, incluindo um maior volume de consultas e o constante avanço tecnológico na área. “Primeiro é o aumento do volume de consultas e consequentemente você vai fazer mais exames. A oftalmologia hoje é uma das áreas da medicina que mais se desenvolvem em termos de tecnologia”, explicou o especialista. Uma única consulta pode gerar a necessidade de diversos exames, dependendo da condição do paciente.

Para pacientes com diabetes, por exemplo, é comum a solicitação de mapeamento de retina. Em casos de doenças da córnea, exames como topografia, paquimetria e tomografia são fundamentais. Já para problemas na retina, retinografia e tomografia são indispensáveis. A diversidade de ferramentas diagnósticas permite uma avaliação mais precisa e direciona o tratamento mais adequado.

A necessidade de exames complementares é crucial, uma vez que muitas doenças oculares não são plenamente identificáveis apenas por meio da avaliação clínica inicial. “Hoje é difícil você atender um paciente com alguma doença mais grave e não pedir um exame”, comentou o oftalmologista, reforçando a relevância desses procedimentos na identificação e monitoramento de patologias.

Doenças silenciosas

Entre os problemas que podem afetar a visão, destacam-se alterações relacionadas ao diabetes, glaucoma, catarata e degeneração macular. A catarata, responsável pela maior parcela das cirurgias oftalmológicas, é considerada uma das principais causas reversíveis de perda visual. Contudo, condições como a retinopatia diabética, o glaucoma e a degeneração macular podem, se não tratadas, levar a um comprometimento irreversível da visão.

O médico faz um alerta especial para o diabetes e o glaucoma, classificadas como doenças silenciosas. “O diabetes é a primeira causa de cegueira no mundo, certo? Então não é que o paciente tem diabetes e vai ter doença da retina, não. Mas o paciente que teve o diagnóstico de diabetes deve passar por avaliação oftalmológica pelo menos uma vez por ano”, orientou Vieira. O acompanhamento regular é vital para prevenir complicações graves.

O glaucoma, por sua vez, é a segunda maior causa de cegueira e não apresenta sintomas evidentes em suas fases iniciais. “Glaucoma não dói, glaucoma não vai ficar com olho vermelho, nada disso”, explicou. A ausência de dor ou sinais externos torna o rastreamento e o diagnóstico precoce ainda mais importantes, especialmente para indivíduos com histórico familiar da doença, que devem redobrar a atenção e buscar avaliações periódicas. <a href='https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/glaucoma' target='_blank' rel='noopener'>Para mais informações sobre glaucoma, visite o site do Ministério da Saúde.</a>

Telas e visão

Outro fator que exige atenção crescente é o uso prolongado de dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores, principalmente entre crianças e adolescentes. O oftalmologista aponta que o excesso de tempo de exposição às telas pode estar diretamente relacionado ao aumento de casos de miopia, uma condição que afeta a capacidade de enxergar objetos distantes com clareza.

“Quanto mais tempo ela fica em tela, maior a chance de ela ter miopia”, elucidou Vieira. A recomendação dos especialistas é moderar o tempo de tela e incentivar atividades ao ar livre para as crianças, visando proteger a saúde ocular em desenvolvimento. <a href='#' target='_self'>Leia também: Como a tecnologia pode afetar a visão de crianças e adolescentes.</a>

O panorama na região de Presidente Prudente reflete um esforço significativo em ampliar o acesso a procedimentos oftalmológicos essenciais pelo SUS. O aumento no número de cirurgias e exames diagnósticos é um avanço inegável, mas a persistência de longas filas e o risco de cegueira irreversível para aqueles que aguardam tratamento sublinham a necessidade contínua de investimentos e de políticas públicas eficazes. A conscientização sobre doenças silenciosas e os riscos do estilo de vida moderno são igualmente cruciais para a promoção da saúde ocular da população. <a href='#' target='_self'>Aprofunde-se no tema: Desafios do SUS no atendimento de alta complexidade.</a>



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