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07 de November de 2026

Curta-metragem resgata memórias e a história ferroviária de Flórida Paulista

Presidente Prudente
07/11/2026 08:30
Redacao

Um novo curta-metragem, "Elídio e Adélia Dream", emerge como um elo entre o passado e o presente de Flórida Paulista, município no Oeste Paulista. Dirigido pelo cineasta Fábio Bardella, a obra não apenas narra a história de seus tios-avós, mas também se aprofunda na identidade da cidade, transformando suas paisagens e construções em elementos vitais de uma narrativa que explora imigração, envelhecimento e a inexorável passagem do tempo. Gravado integralmente na cidade, o filme transcende o papel de mero cenário, posicionando Flórida Paulista como protagonista de uma jornada afetiva e histórica.

A produção é um reflexo direto da história local, uma vez que Elídio e Adélia, os personagens que inspiram o título do filme, viveram em Flórida Paulista. O trabalho de Bardella busca recuperar referências de uma região marcadas pela expansão ferroviária, pela chegada de imigrantes e pelas profundas transformações que moldaram o interior paulista, oferecendo ao público uma janela para as memórias coletivas e individuais entrelaçadas ao desenvolvimento da região.

Fábio Bardella, de 39 anos, nascido em Jundiaí e atualmente residente na capital paulista, traz uma vasta experiência de aproximadamente duas décadas no universo cinematográfico. Como cineasta, diretor, fotógrafo e produtor audiovisual, ele é o fundador da RealqualqueR, uma produtora independente sediada em São Paulo, e já assinou dezenas de produções, abrangendo tanto curtas quanto longas-metragens. Sua conexão com o Oeste Paulista, no entanto, precede sua carreira no audiovisual, enraizada na história familiar que remonta a seu pai, nascido em Flórida Paulista, e a seus avós e bisavós, que também estabeleceram laços com o município e cidades vizinhas como Osvaldo Cruz e Lucélia.

A realização de "Elídio e Adélia Dream" representou para Bardella uma valiosa oportunidade de mergulhar na história de sua própria família e, simultaneamente, de registrar um território que ecoa na memória de diversas gerações. Segundo o cineasta explicou ao <a href="https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2024/05/18/memorias-dos-tios-e-evolucao-da-ferrovia-compoem-filme-de-cineasta-sobre-florida-paulista.ghtml" target="_blank" rel="noopener">g1</a>, a geografia afetiva que o liga ao Oeste Paulista sempre esteve presente, e o filme é, em certa medida, uma tentativa de decifrar e compreender essa ligação profunda.

“Embora eu tenha nascido em Jundiaí e viva em São Paulo, existe uma espécie de geografia afetiva que sempre me ligou àquela região [do Oeste Paulista]. Acho que este filme é, em alguma medida, uma tentativa de compreender essa ligação”, compartilhou Fábio, sublinhando a dimensão pessoal do projeto. A escolha de Flórida Paulista para as gravações não se limitou a uma decisão puramente sentimental. Para o diretor, os espaços e as paisagens do município desempenham um papel crucial na narrativa, auxiliando a contar a história de Elídio e Adélia e a representar as transformações vividas pela região ao longo das décadas.

Cenário vivo

“Flórida Paulista não era apenas uma locação. Era parte da própria dramaturgia do filme”, afirmou Bardella, ressaltando a intrínseca relação entre a cidade e a obra. Entre os locais capturados pelas câmeras, destaca-se a antiga estação ferroviária, um dos pontos mais emblemáticos da produção. Este local evoca um período em que os trilhos eram as artérias que conectavam municípios, impulsionavam o comércio e transportavam pessoas, simbolizando o desenvolvimento e o progresso das cidades do interior.

Na perspectiva de Fábio Bardella, a ferrovia constitui um capítulo fundamental na formação histórica do Oeste Paulista. Sua representação no curta-metragem permite uma reflexão sobre as mudanças que ocorreram na região: estruturas que outrora personificavam movimento e expansão, agora carregam as marcas visíveis de abandono e uma certa imobilidade, traduzindo a interrupção de um projeto de desenvolvimento que moldou a paisagem e a sociedade local.

“A ferrovia é quase uma personagem histórica do interior paulista. Ela representa o deslocamento, a chegada, a expansão econômica e a própria ideia de progresso que marcou a formação de muitas cidades”, explicou o cineasta, contextualizando a importância dos trilhos. Ele estabelece uma conexão entre o sucateamento das ferrovias e a interrupção de um modelo de desenvolvimento. No Oeste Paulista, a malha ferroviária desempenhou um papel vital na ocupação do território e na acolhida de imigrantes.

Com a crescente priorização do transporte rodoviário, especialmente a partir da segunda metade do século XX, muitas linhas férreas foram desativadas, e diversas estações acabaram abandonadas. Essa transição é palpável no curta, onde a antiga estação de Flórida Paulista auxilia a traduzir essa profunda transformação. O espaço que um dia abriu as portas para a chegada de tantas pessoas, paradoxalmente, passa a simbolizar a impossibilidade de retorno pelo mesmo caminho, um eco das histórias pessoais e coletivas que ali se desenrolaram.

“Existe algo muito poderoso na impossibilidade de retornar pelo mesmo caminho que nos trouxe até aqui”, ponderou o cineasta, capturando a essência da melancolia e da reflexão que permeiam a obra. A intenção ao registrar a cidade, conforme Bardella, não era produzir meros cartões-postais. O foco estava nos espaços cotidianos, nas construções e nas paisagens que, em sua autenticidade, revelam a coexistência de diferentes temporalidades.

Passagem tempo

“Me interessava filmar os espaços cotidianos, as construções e as paisagens sem transformá-los em cartões-postais. Queria encontrar uma cidade que existe entre aquilo que foi e aquilo que se tornou”, concluiu Fábio, ressaltando o olhar documental e sensível de sua direção. O curta "Elídio e Adélia Dream" se projeta, assim, como uma obra que vai além da homenagem familiar, configurando-se como um documento visual e afetivo sobre as transformações sociais e urbanas do interior paulista, com Flórida Paulista no centro dessa exploração.

A narrativa do filme, ao entrelaçar a trajetória de um casal com a evolução de uma cidade, oferece uma perspectiva única sobre a memória e a identidade regional. O resgate da estação ferroviária, em particular, não é apenas um tributo a uma era de progresso, mas também uma reflexão sobre as escolhas de desenvolvimento e seus impactos duradouros. Ao convidar o público a observar Flórida Paulista através de um olhar que valoriza o cotidiano e a historicidade, Fábio Bardella propõe um diálogo entre o passado esquecido e o presente que se constrói, incentivando uma compreensão mais profunda das raízes que moldam o interior do Brasil.

Para aprofundar-se em outras narrativas sobre o Oeste Paulista e a cultura local, leia também: <a href="#" target="_blank">Idosos realizam sonhos após campanha de asilo do Oeste Paulista gerar comoção na web: 'Viver novas experiências'</a> e <a href="#" target="_blank">Casarão centenário com 12 cômodos e torre de água vira cafeteria no interior de SP</a>.



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